
Eu lembro exatamente onde eu estava quando disseram que Prince tinha morrido. Não lembro de todas as palavras, mas lembro do sentimento. Foi um silêncio estranho, como se alguém tivesse apertado o mute do mundo sem avisar. Não era só mais uma notícia triste sobre a triste passagem de um artista. Era ele. O cara que parecia imortal, vivo e cheio de energia. O cara que parecia sempre dois passos à frente de qualquer década. Naquele 21 de abril, o mundo não perdeu só um músico. Perdeu uma nota musical.
Prince nunca foi fácil de colocar nas prateleiras tradicionais. Cada um ama ele de uma maneira diferente. Ele era funk, rock, pop, gospel, erotismo e espiritualidade. Tudo na mesma música e muitas vezes no mesmo verso ou trechinho de música. Em Purple Rain ele fez um clássico que ainda arrepia. Em When Doves Cry ele tirou o baixo da música e ninguém ousou questionar. Escreveu músicas cheias de dores como Nothing Compares 2 U e músicas cheias de alegria como Raspberry Beret. Ele não só tocava todos os instrumentos possíveis, ele era proficiente em todos eles. Um dos guitarristas mais incríveis da história. Ele produziu, criou, brigou com gravadora, trocou o nome por um símbolo.
Ao mesmo tempo, havia algo silencioso nele. Um recolhimento quase místico. Refugiado em Paisley Park, ele parecia viver numa dimensão própria, onde a música era mais importante que a fama. Era perfeccionista até o limite, controlador da própria obra e de quem tocava com ele e desconfiava da indústria. No palco ele era incendiário. Fora do palco, um enigma. Talvez por isso esses 10 anos parecem muito mais. A gente nunca realmente conheceu o Prince completamente. E talvez seja melhor assim.
Uma década passou e é curioso como ele continua moderno. Não soa datado. Não parece preso aos anos 80, nem 90, nem a década nenhuma. Parece que o mundo ainda está tentando alcançar sua genialidade. Sua liberdade, sua fluidez e o seu controle artístico. Tudo isso hoje é discurso. Para ele, já era prática. Talvez por isso a falta permaneça. Não era só talento. Era um dos maiores do mundo.
Dez anos depois, eu ainda volto pra todas essas músicas como quem tenta explorar um lugar secreto. Basta um acorde, um falsete, uma guitarra rasgando e ele estará lá. Não como nostalgia, mas como presença. Talvez o mundo tenha ficado um pouco mais silencioso naquele abril. Mas toda vez que o mundo parece mais cinza, as músicas dele trazem o roxo e muitas outras cores pras nossas vidas.
Viva o Prince.
Inscreva-se na nossa Newsletter e receba toda semana os posts do nosso site.



