A guerra das Stratocasters

A Fender, tradicional fabricante de guitarras, notifica seus concorrentes, exigindo exclusividade sobre o modelo Stratocaster e lembrando que a vida nem sempre é rock and roll.

Foto: Fender/Divulgação

Baseada em uma decisão da corte de Dusseldorf, na Alemanha,agora a Fender resolveu notificar extrajudicialmente suas concorrentes a respeito do uso da imagem do modelo Stratocaster, certamente o mais popular entre os seus modelos.

Entre as notificadas, estão pequenos fabricantes e empresas renomadas, como a PRS. Em comunicado, a marca afirmou que “(…) o objetivo da Fender é simplesmente proteger um dos designs mais icônicos e reconhecíveis da empresa”. O documento ainda pede a interrupção imediata da produção destas fábricas e a retirada de produtos das lojas.

Após algumas semanas, a Fender resolveu se pronunciar e assegurar que a ideia seria apenas banir modelos idênticos à Stratocaster produzida por ela, mencionando itens como headstock, knobs e escudo.

O ponto aqui é: não é estranho, em um sistema capitalista, uma empresa querer proteger uma suposta propriedade intelectual. Porém, a empresa argumentou na ação ganha na Alemanha como exclusiva de seu fundador, Leo Fender, uma criação coletiva, fato registrado no próprio histórico da marca.

Anteriormente, a Fender já havia tentado registrar nos EUA os formatos das guitarras Stratocaster, Telecaster e dos baixos Precision, sem sucesso. Na decisão anterior, o formato Stratocaster foi considerado genérico dentro do mercado de guitarras.

O fato é que, ao tentar fazer de sua Strato um item exclusivo, a Fender luta contra si mesma. Primeiramente porque a marca chegou a lançar campanhas em que se vangloriava de ter “o modelo mais copiado do mundo”. Segundo porque, de certo modo, a própria Fender tem em sua marca subsidiária, a Squier, uma concorrente (o que não barateia o modelo em comparação com outras marcas).

Vale pensar também que a exigência de uma mudança nos padrões de fabricação (quase uma norma ISO ao contrário), além de encarecer a produção de fábricas menores, não ajudaria a popularizar e alavancar as vendas da original.

Vencendo ou perdendo esta batalha, com essa atitude a Fender faz o possível para nos lembrar que um pedaço de madeira com uns arames amarrados, umas bobinas no meio e um cabo ligado numa caixa de som nem sempre é capaz de fazer rock and roll.