
Volta e meia a gente se depara com alguma banda aleatória que não se leva a sério e acaba por ganhar algum destaque por romper o tédio dos trabalhos certinhos que figuram nas listas de melhores do ano.
No passado recente, ao menos nas listas produzidas neste site, a gente já presenciou algumas bandas e artistas fora do lugar-comum ocupando o pódio, como o Being Dead, o Geese, Kara Jackson e outros.
Não sei se o The Bug Club, atualmente um duo formado por Sam Willmett e Tilly Harris, ocupará o topo de alguma das tais listas, ou mesmo as nossas. Daqui até o final do ano ainda tem chão.
Dito isso, cabe dizer que o The Bug Club é galês, escreve letras bem humoradas e auto-irônicas e tem um som poderoso, alternando entre o garage-rock e o indie, sendo classificados pela Pitchfork (sempre ela) também como pós-punk, esse guarda-chuva pequeno e furado que insistem em estender para tudo quanto é banda que não sabem como descrever.
Em faixas como Miss Wales 2012, que abre o disco, ou My Uncle Warren Drives A Passat, a banda vai desfilando seu deboche em 41 minutos de duração, divididos em 18 faixas.
Onze entre dez resenhas irão mencionar a letra de How Can We Be Friends e seu arrazoado sobre a condição de ser amigo de alguém passar por já ter visto seu órgão sexual.
Fora isso, boas sacadas sonoras como o pedido de autorização para fazer um solo em Good Day for Dying (ele ganha dois segundos para tal) e a nítida influência de Black Sabbath em Shiny and Wet, onde aí sim há espaço para um improviso melódico mais extenso.
Every Single Muscle, quinto álbum do The Bug Club, não é um álbum espetacular, mas é uma bela novidade.
Ouça na plataforma que te deixar menos estressado:



