
Discos póstumos nem sempre reproduzem o melhor de um artista. No geral, trabalhos assim servem como alento para a constatação de que nunca mais teremos coisas novas destes artistas, e a indústria passa a vasculhar as sobras de gravações e outras artimanhas, a fim de ter sempre algo a oferecer, independentemente de saber se o autor aprovaria a divulgação de coisas que ele descartou.
Não é o caso de A Estrada, disco de Lô Borges recém-lançado, poucos meses após a irreparável perda do artista mineiro, falecido repentinamente em 2025. O álbum foi totalmente gravado e planejado por Lô e sua banda, com o acréscimo de Marcos Suzano na percussão, com o intuito de ser lançado em 2026, ano em que o irmão e letrista Márcio Borges completou 80 anos.
Não foi à toa: com exceção de Chegada, faixa de encerramento que conta com a participação de Tavinho Moura, cuja letra é do próprio Lô, todas as demais foram escritas por Márcio, como nos velhos tempos.
Produzindo de forma prolífica desde 2019, em A Estrada o cantor e compositor nos deixa canções bem resolvidas, com uma banda bastante segura, que se permite usar das referências em cada faixa, como por exemplo na abertura stoniana de Pousada, ou na clara citação de Here Comes the Sun dos Beatles em Sem Saída.
Com Céu de Giz, disco em parceria com Zeca Baleiro, lançado poucos dias antes da morte de Lô, e este A Estrada, e mais a perspectiva do lançamento de outros trabalhos já gravados e planejados pelo músico, talvez possamos ficar aliviados pela não-necessidade da indústria de inventar picaretagens do tipo que se tem visto em relação a outros artistas, como duetos forjados e recriação de obras com uso de inteligência artificial.
Ouça A Estrada em sua plataforma favorita.



