O luxo público dos garotos do centro

Em seu terceiro disco, o quinteto Downtown Boys canaliza a revolta em sons pesados, mas aproveita para se divertir um pouco também.

Parece que o punk rock está com tudo em 2026, ao menos em minha lista de álbuns mais ouvidos do ano.

Formada em 2011 em Rhode Island, o Downtown Boys chega ao terceiro álbum, Public Luxury, lançado pela Sub Pop, nove anos após seu antecessor, Cost of Living.

E se o custo de vida ainda segue muito alto nos EUA, financeiramente e moralmente, habitar o menor estado do país talvez faça com que seja necessário gritar cada vez mais alto contra o conformismo. À frente do quinteto, a vocalista Victoria Marie foi descrita pelo jornal britânico The Guardian como alguém que soa como se estivesse cantando com um megafone. Não é exagero.

Em temas cantados em inglês e espanhol, o grupo discursa sobre fé no futuro, mudanças climáticas, defesa da Palestina e outros temas atuais que exigem de uma banda de rock a fúria da qual ela é capaz. Tem entrega aqui, sim senhor.

Embora a predominância em seus trinta e quatro minutos de música seja a energia punk, o disco abre espaço para sons mais cadenciados e até dançantes, como You’re a Ghost e a techno-cumbia Mi Concha, até culminar na contemplativa faixa-título, que encerra o álbum.

Se o mundo tem precisado de bandas que canalizem a revolta, dá pra dizer que os Downtown Boys andam fazendo sua parte.