
388 é o modelo do gravador de rolo TASCAM do estúdio de Kempston Street, em Liverpool, onde o grupo britânico The Coral gravou seu novo disco, lançado “de surpresa” nas plataformas na última semana. Além disso, as cópias físicas do álbum foram disponibilizadas em lojas independentes, e não em megastores.
Essa tomada de posição, para além da questão política, se reflete no clima do álbum, seu décimo-terceiro, no qual o grupo promove um tipo de “volta às raízes”, depois de três discos que tinham, de certa forma, um caráter conceitual. Em 388, a guinada é radical para o básico, com canções gravadas e mixadas no mesmo dia, tocando ao vivo no estúdio.
O resultado é um conjunto de canções com certo encadeamento, mas ainda assim independentes entre si, inspiradas por uma sonoridade próxima do rocksteady, do ska e do dub, mas com algum tempero próximo do soul sessentista, algo que aparece logo na abertura, com Let The Music Play, mas se acentua em Shame (minha preferida), lá no meio do disco, passando por Yellow Moon, pela emotiva balada Sad Girl e pela levada contagiante de baixo de High Tide, com um belo (com o perdão do trocadilho inevitável) coral.
A obsessão do grupo pela sonoridade simples pode causar em alguns ouvintes a sensação de um álbum repetitivo, mas a real é que a banda se segura bem. E se, ao ouvir Here Come The Tears, você sentir que te soa familiar, não é coincidência: ela intencionalmente busca a sonoridade do hit I’m Your Puppet, regravado por vários artistas (incluindo Elton John em dueto com Paul Young), mas a referência aqui é a versão do jamaicano Dandy Livingstone.
Parece que o The Coral conseguiu encontrar uma essência original que buscava. Vale tentar absorver um pouco dessa essência nos nossos fones de ouvido.
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