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	<title>Vinícius Cabral, Author at Silêncio no Estúdio</title>
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	<description>Paixão com informação e diversidade musical. Lançamentos, Resenhas, Clássicos, Notícias, Novidades e Podcast.</description>
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	<title>Vinícius Cabral, Author at Silêncio no Estúdio</title>
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		<title>A geração Z escolheu o CD</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aceitem, Millennials. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://www.riaa.com/wp-content/uploads/2026/09/2026-Mid-Year-Music-Industry-Revenue-Report.pdf"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="639" height="480" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images.jpg" alt="" class="wp-image-153553991" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images.jpg 639w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 639px) 100vw, 639px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><a href="https://www.riaa.com/wp-content/uploads/2026/09/2026-Mid-Year-Music-Industry-Revenue-Report.pdf">Relatório da Associação da Indústria Fonográfica Americana</a></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Tá longe de ser o ideal, mas o previsto (por mim também, e vocês são prova disso) está acontecendo. As vendas de CDs cresceram bem em 2026. O vinil continua puxando o vagão da mídia física em faturamento e quantidade de cópias vendidas. Mas o CD foi responsável por mais de 50% do aumento no consumo de mídias físicas, e já atinge a marca de 17 milhões de cópias vendidas nos EUA no 1º semestre do ano. Segundo as <a href="https://rewind.hanteochart.com/contents/revival/1_en.html">associações coreanas</a>, só de CDs de K-pop o primeiro semestre bateu a venda de 50 milhões de unidades. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Parece irrisório, mas isso é muita coisa. Se fizermos uma projeção pro ano, sem considerar a possibilidade do crescimento de vendas seguir em torno de 5%, é possível dizer que terminaremos 2026 com perto de 500 milhões de CDs vendidos – aqui estou extrapolando, e muito, mas considerando que o mundo é bem maior do que EUA e Coreia do Sul, e que muitos países, como o nosso, não contabilizam direito as vendas. Mas tudo bem Vinicius, muitos legais esses números. Agora, o que isso significa? </p>



<p class="wp-block-paragraph">Bom, pensem que no pico do CD no planeta (o ano de 2000) foram vendidas quase 2 bilhões e meio de cópias. Não estamos perto disso, mas o CD é uma realidade inescapável, e a escolha preferencial da Geração Z. O CD já é uma alternativa. E, talvez, <strong>a</strong> grande alternativa no campo da mídia física. E aqui entram as especulações. Como se apresenta <a href="https://youtu.be/GfSeTQMEOOs?si=3b4IbG-OGcusZB4r">nessa (boa) matéria da Globo News</a>, os motivos da escolha da Gen Z pelo CD são meio óbvias. A primeira é econômica (e vocês sabem quem cantou essa bola, né?): o vinil está caro demais. A segunda é contextual. Percebendo o retorno, alguns artistas dos mais populares entre ouvintes dessa geração têm focado no CD como principal plataforma física (Olivia Rodrigo, BTS, etc).  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora o que falta é qualificar o processo. Aumentar a oferta, produzir alternativas, reabrir fábricas (como aconteceu com o vinil). No caso do bolachão, naquele suposto paradoxo econômico que a gente bem conhece, o aumento da oferta não abaixou os preços. Mas no caso do CD será difícil isso se repetir. Porque, seja pela praticidade da mídia, seja pela portabilidade e pela maior capacidade de assimilação, cópia e difusão, a volta do CD não se trata de pura nostalgia. Tornou-se uma questão prática. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Tem coisas, meus amigos, que nunca mudarão. Fã de música precisa <strong>ter</strong> a música. Seja em cópias físicas, seja até em cópias digitais – se não tiver jeito, é isso aí, mas que pelo menos se consiga salvar essas cópias no seu próprio disco rígido. O streaming nos trancou em um hábito, achatou nossa percepção e modulou gostos. Mas não conseguiu retirar dos fãs de música a necessidade de relacionar intensamente com os objetos de sua paixão. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Seguimos. <br></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>A culpa é sempre de um calvo?</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/a-culpa-e-sempre-de-um-calvo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 13:55:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[calvície]]></category>
		<category><![CDATA[crítica musical]]></category>
		<category><![CDATA[fantano]]></category>
		<category><![CDATA[piero scaruffi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quais os grandes marcos das últimas décadas? Dá pra saber?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="997" height="650" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/tamanho-imagem-site-2025-10-01T140540.705.jpeg" alt="" class="wp-image-153553886" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/tamanho-imagem-site-2025-10-01T140540.705.jpeg 997w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/tamanho-imagem-site-2025-10-01T140540.705-300x196.jpeg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/tamanho-imagem-site-2025-10-01T140540.705-768x501.jpeg 768w" sizes="(max-width: 997px) 100vw, 997px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Outro dia mergulhei durante horas no site do crítico italiano <a href="https://www.scaruffi.com">Piero Scaruffi</a> (dica do nosso apoiador Marcelo), e voltei à uma hipótese já bastante debatida em nosso finado podcast: a de que a música, nos últimos 20 anos, mais ou menos, perdeu completamente o lastro. E isso não é fruto apenas da desmaterialização da mídia musical, mas do desaparecimento do arquivo, do pensamento, do registro crítico e dos consensos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O próprio Scaruffi reflete isso, talvez sem nem saber. Me chama atenção que suas listas de &#8220;melhores bandas das décadas&#8221; só vá até a década de 2000 (daí em diante o crítico nos direciona aos rankings de notas ano a ano, o que é bem diferente) – é inclusive, <a href="https://www.scaruffi.com/ratings/00.html">uma baita lista</a>. Só que, daí em diante, as duas décadas que se seguem são, para Scaruffi, extremamente irregulares. Analisando mais a fundo suas próprias escolhas de escuta, eu diria que as coisas se tornam difusas. Ele próprio se afunda em alguns nichos, perdendo o que havia de mais abrangente, eclético e universal em suas análises de décadas até 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós já conhecemos os culpados. O &#8220;achatamento&#8221; da música promovido pelo modelo do streaming (que enfia todos cada vez mais nos feedback loops de suas customizações algorítmicas), a profusão da produção musical, dos novos &#8220;gêneros&#8221;, e o fim de qualquer possibilidade de aceso à música física e à sua durabilidade enquanto artefato cultural. Tudo isso nos levou ao inevitável fim do jornalismo e da crítica musicais – a ordem dos fatores não é necessariamente essa, e as coisas são concomitantes e cíclicas, mas deu pra entender, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por mais que o pensamento de Scaruffi seja muito específico (e exigente), qualquer fã da linhagem alternativa que parte do rock colocaria bandas como <em>Xiu Xiu</em>,<em> Animal Collective</em>, <em>TV on The Radio</em>, <em>Fiery Furnaces</em> (entre outras) como algumas das melhores dos 00s. Essa década tem a enorme polêmica de uma farsa chamada <em>Radiohead</em>. Mas Scaruffi, eu, e muitos outros, desafiamos a cantilena, sendo que seria possível, a partir de uma revista que se quisesse séria, reorganizar o consenso da crítica deste período que é, por essas e outras, o início do fim do pensamento crítico e dos consensos em música (mesmo na música alternativa, onde o consenso por si só não pode ser uma camisa de força). </p>



<p class="wp-block-paragraph">A dissolução das categorias, consensos e diretrizes básicas do pensamento crítico musical se enxergam hoje na &#8220;fantonização&#8221; do pensamento. O carequinha (the internet&#8217;s busiest music nerd), muito mais do que a Pitchfork ou qualquer outro veículo, tem produzido uma horda de fanáticos que tomam suas dicas e avaliações como ordens. O Bruno Leo me atentou para esse processo, e nunca mais consegui &#8220;desver&#8221;. Todo mundo que conversa sobre música hoje parece guiado pelos maneirismos e critérios de análise (por vezes completamente aleatórios e, no limite, irrelevantes) de Anthony Fantano. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas tudo são escolhas. Estamos vendo que os principais veículos de música têm tentado se reinventar. a Pitchfork, por exemplo, parece ter melhorado 300% desde que subiram o paywall (será que estão pagando melhor os colunistas que restaram?). No entanto, todo mundo continua se enfiando na lama. </p>



<p class="wp-block-paragraph">É Fantano, é streaming, é o fim do caminho. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem diversos outros caminhos, mas não vou ficar aqui me repetindo. Meu foco ultimamente tem sido propor soluções. Tenho duas aqui, que vou aprofundar depois: comprem CDs, se possível. E, se vocês não viveram em um buraco nos últimos 20 anos, comentem com a gente sobre seus artistas favoritos do período. Vamos ver se dá pra conversar seriamente sobre isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>A urgência da música no anacronismo de Nirosta Steel</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/resenha-nirosta-steel-my-skyscraper/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Tem Que Ouvir]]></category>
		<category><![CDATA[my skyscraper]]></category>
		<category><![CDATA[nirosta steel]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma obra que desafia o tempo, Steven Hall (aka Nirosta Steel) nos apresenta as melhores canções que iremos ouvir em 2026. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a3995599019_10-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-153553846" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a3995599019_10-1024x1024.jpg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a3995599019_10-300x300.jpg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a3995599019_10-150x150.jpg 150w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a3995599019_10-768x768.jpg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a3995599019_10-600x600.jpg 600w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a3995599019_10.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Passei mais tempo tentando entender o que era <em>MY SKYSCRAPER</em> do que necessariamente curtindo o álbum. Quando finalmente o fiz, fiquei totalmente entregue. Mas eu estava certo em tentar entender o fenômeno, porque ele cresce muito quando o contexto é esclarecido. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você der um play no disco antes de saber o que vou dizer a seguir, provavelmente sua reação será similar à minha na primeira audição. A de não conseguir localizar a obra em um tempo específico. Eu simplesmente fiquei comovido com as belas canções, mas completamente confuso com as sonoridades. Poderia ser um álbum gravado há 40 anos atrás, mas também poderia ser gravado esse ano por algum maluco, em um estúdio caseiro com gear analógico. Em essência, faz diferença? Não. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Como álbum, <em>MY SKYSCRAPER</em> é uma obra processual impressionante, com 17 canções que brincam com disco, house, dance music e alt-folk, tudo com um senso de urgência imperativo e com aquele clima lo-fi que marca gravações caseiras/alternativas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Resumindo muito a coisa, é isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Mas o &#8220;twist&#8221; é que o trabalho soa desse jeito, criando uma enorme interrogação na nossa cabeça por ser, de fato, um disco processual por necessidade, e não necessariamente intenção. <em>MY SKYSCRAPER</em> é como se fosse um compilado de gravações caseiras do artista escocês-americano <em>Steven Hall</em>, que perpassam 40 anos de demos eternamente &#8220;em processo&#8221;. O selo mexicano ULYSSA fez o favor de pegar esse conjunto de obras inacabadas e reunir em um álbum, com coerência e senso narrativo. Transformou assim o que seria apenas uma coletânea em uma obra indispensável. Obra que revela um gênio perdido por aí. Um desses compositores prolíficos e complicados, que raramente conseguem &#8220;fechar&#8221; seu talento em trabalhos coesos. Não fosse o magnífico trabalho do selo, talvez nunca conhecêssemos nada da obra de <em>Hall</em>, assim como conhecemos muito pouco da obra de <em>Arthur Russell</em>, de quem <em>Hall</em> foi colaborador durante muito tempo. <em>Russell</em> tornou-se uma lenda, com muito pouca coisa registrada em disco. Agora isso muda para <em>Steven Hall</em>, que tem um excelente álbum para marcar sua biografia. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Musicalmente, quando digo que o disco vai da dance music ao alt-folk, é literalmente. O trabalho começa com <em>ENGLISH PARTY</em>, demo que foi gravada para ser oferecida à <em>Madona</em>. Outras canções dançantes aqui, como FIRST LOVE (DISCO MOONBEAM MIX) também poderiam ter sido vendidas a algum artista pop e estourado como hits em algum momento dos 80s ou 90s. Em outra parte (mais marcadamente depois de <em>MY NAME IS NIGHT</em>, o disco entra em uma esfera mais típica das sonoridades do rock alternativo. A &#8220;suíte&#8221; (acidentalmente?) formada por <em>FRESH FEELING</em> e <em>SPECIAL WEEKNESS</em>, totalizando 22 minutos, traz uma suspensão experimental impressionante – e soa como algo que poderia ter saído da discografia de <em>Half Japanese</em> ou <em>Beat Happening</em>. O disco ainda tem espaço para encerrar com climas meio art-pop, com pianos e grandes climas, revelando <em>Hall</em> como uma espécie de <em>Todd Rundgreen</em> lo-fi, perdido no tempo entre as décadas de 80-2000. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>MY SKYSCRAPER</em> traz, enfim, um conjunto de canções que &#8220;poderiam ter sido&#8221; e, finalmente, vieram a ser. Ganharam vida como o que efetivamente são: obras em processo, cuja mágica está não apenas na composição, mas também na forma absolutamente livre e amadora como foram performadas e registradas. Em uma <a href="https://toneglow.substack.com/p/tone-glow-231-nirosta-steel">entrevista fantástica</a> recente, o artista disse que não queria que houvesse distinção entre ensaio, performance e gravação, como se todo esse processo fosse apenas um fluxo. De fato, é assim que a música deveria funcionar; com a gravação de estúdio sendo apenas uma das etapas de um encadeamento criativo muito maior. Infelizmente, geralmente é apenas essa etapa que conseguimos acessar, através dos álbuns que, nesta perspectiva, são tão obsoletos quanto necessários – um paradoxo terrível. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além dessas notas, é necessário mais uma vez entender <em>MY SKYSCRAPER</em> como um fluxo, onde o anacronismo é peça chave. Por se tratar de um conjunto que trafega por 40 anos (ou mais) de gravações em processo, é impossível situar a obra em um período determinado. É claro que as nuances eletrônicas de várias das canções aqui apontam para épocas específicas. Mas, em 2026, onde qualquer sonoridade é possível de ser sintetizada e regurgitada (por humanos ou máquinas), as canções de <em>Nirosta Steel</em> soam novas e velhas a um só tempo. E isso atravessa o disco de forma fundamental porque, nele, a época (com seus maneirismos e tendências) simplesmente não importa. Talvez seja justamente este involuntário anacronismo que faça a audição desse disco ser tão fascinante imersiva e &#8230; completa. Apesar de se tratar de um álbum, categoricamente, incompleto. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem diria que ser anacrônico, misterioso e processual seria tudo o que precisávamos nesta distopia descontrolada de 2026? No meio de um caos, onde o passado precisa ser destruído para que ninguém resista mais à (suposta) inevitabilidade do avanço tecnológico fascista, o grande disco do ano é uma obra que traz o passado para dançar, desafiando qualquer norma e tendência e se impondo como uma obra que grita o tempo todo para nos atentarmos para o essencial: a música. </p>
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		<item>
		<title>fata morgana é tudo, menos ilusão de ótica</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/resenha-lrain-fata-morgana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Tem Que Ouvir]]></category>
		<category><![CDATA[fata morgana]]></category>
		<category><![CDATA[L'Rain]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em seu novo álbum, fata morgana, L'Rain mostra que é possível olhar para a frente, insistindo em crescer em um mundo que não foi feito para você prosperar. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a2180407821_10-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-153553785" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a2180407821_10-1024x1024.jpg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a2180407821_10-300x300.jpg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a2180407821_10-150x150.jpg 150w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a2180407821_10-768x768.jpg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a2180407821_10-600x600.jpg 600w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/a2180407821_10.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No release de seu novo álbum no Bandcamp, <em>L&#8217;Rain</em> termina o texto com uma pergunta fundamental: &#8220;Como você cresce em um mundo que não foi feito para você prosperar?&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A própria <em>Taja Cheek</em>, mente brilhante por trás do projeto <em>L&#8217;Rain</em>, responde a pergunta de forma impressionante. Através de uma experimentação que sempre encontra um &#8220;chão&#8221; para prosperar, a artista faz crescer uma das tradições mais negligenciadas da música alternativa: a de partir das experimentações livres para construir canções, paradoxalmente, experimentais e acessíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A artista brinca com camadas e camadas etéreas de samplers, synths e outros &#8220;brinquedos&#8221;, mas sempre os aterra em culminações espetaculares. Como acontece na fantástica <em>july 5th</em> que, depois de um arpejo instrumental aparentemente desencontrado dos vocais (no melhor estilo <em>Animal Collective</em>, era <em>Feels</em> e <em>Merriweather</em>), termina com um <em>dancehall</em> inusitado. E como em <em>soulless cycle</em> (sem debates, a grande canção do ano), que também parte de loops etéreos para se resolver em uma porradaria: uma espécie de &#8220;punk espectral&#8221;, a um só tempo inusitado e recompensador. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A resenha do disco na Pitchfork atenta para uma curiosidade marcante do conjunto da obra de <em>L&#8217;Rain</em>: todos os seus discos são tagueados como &#8220;not jazz&#8221; no Bandcamp. O review usa este dado para fazer um joguinho de palavras divertido, mas eu já o levei para outro lugar. Ao negar o jazz, talvez <em>L&#8217;Rain</em> reivindique o lugar do improviso calcado em outros gêneros e tendências. Embora <em>Taja</em> relute imensamente em apresentar suas influências, <a href="https://silencionoestudio.com.br/newsletter-silencio-no-estudio-vol-224/">ela uma vez citou Animal Collective</a>, e isso é algo que não dá para &#8220;desouvir&#8221;. O senso de improvisação e construção livre de canções encarnados pela banda de Baltimore se reflete de forma magnífica em <em>L&#8217;Rain</em>, que não para por aí. Mescla também outras sonoridades dos 00s neste novo álbum (mais notadamente, talvez, <em>TV On The Radio</em> e <em>Deerhunter</em>). Isso tudo com um senso harmônico e melódico emprestado do R&amp;B dos anos 90 (outra influência que <em>Taja</em> &#8220;confessa&#8221;). O resultado é fenomenal. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Se estas construções estéticas já marcavam o álbum anterior da banda, <em>I Killed Your Dog</em> (<a href="https://silencionoestudio.com.br/209-melhores-discos-de-2023/">álbum do ano de 2023</a> para este que vos escreve), <em>fata morgana</em> traz peculiaridades e aprofundamentos. O disco trabalha arpejos em loop de forma sistemática, alternando muito bem momentos de suspensão com o &#8220;aterramento&#8221; já citado. Por um lado o disco alcança uma síntese nova, e inimitável. Por outro, amplifica a possibilidade de associação com <em>Animal Collective</em> e, num segundo degrau, com <em>TV On The Radio</em>, banda curiosamente em alta em 2026. <em>Taja</em> possui, é claro, o outro lado, mais calcado em um R&amp;B experimental, traço que marca a excelente <em>birthday</em> – canção que traz um &#8220;chão&#8221; para a perna final do álbum, onde ele perde um pouco de fôlego, mas sem destruir o conjunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das minhas tentativas, nada em <em>L&#8217;Rain</em> é exatamente fácil de se descrever (ainda bem!). A gente vai catando uns índices. Fata Morgana (o efeito de ilusão ótica) nomeia de forma assustadoramente precisa um disco que parece flutuar em espectros para, em seguida, voltar à realidade com um senso de urgência arrebatador. <em>Taja Cheek </em>não está alheia a diversos desafios materiais contemporâneos, e preenche suas letras de dúvidas a respeito da realidade e do futuro. Imersos em um contexto onde prosperar tornou-se impossível, a alienação e a dúvida são fenômenos inevitáveis. <em>L&#8217;Rain</em> traduz este contexto em forma de música, não deixando espaço, nela, para ilusões. É possível escapar da realidade por alguns instantes, em climas etéreos e escapadas oníricas. Mas não o tempo todo. A realidade, essa malvada, uma hora nos alcança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a principal realidade de <em>fata morgana</em> é que, até aqui, trata-se do álbum mais empolgante de 2026.</p>
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		<title>O futuro na mira</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/classico-the-beatles-revolver/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[60 anos]]></category>
		<category><![CDATA[revolver]]></category>
		<category><![CDATA[the beatles]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu não ia fazer esse texto. Ele é que se impôs. Semana passada (precisamente, 5 de agosto de 2026), Revolver fez 60 anos. Eu não sabia imediatamente o que pensar sobre isso. Com 6 décadas de influência e sendo colocado constantemente à prova (não só do tempo, mas também de inúmeras tentativas de revisionismo tosco), [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/revolver-big-1024x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-153553692" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/revolver-big-1024x1024.jpeg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/revolver-big-300x300.jpeg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/revolver-big-150x150.jpeg 150w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/revolver-big-768x768.jpeg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/revolver-big-600x600.jpeg 600w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/revolver-big.jpeg 1482w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não ia fazer esse texto. Ele é que se impôs. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Semana passada (precisamente, 5 de agosto de 2026), <em>Revolver</em> fez 60 anos. Eu não sabia imediatamente o que pensar sobre isso. Com 6 décadas de influência e sendo colocado constantemente à prova (não só do tempo, mas também de inúmeras tentativas de revisionismo tosco), o que dizer dessa pedra fundamental?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bom, muitas coisas.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas eu vou começar dizendo que <em>Revolver</em> é um dos álbuns que eu mais conheço. Vejam bem. Não disse que é um dos meus álbuns favoritos. É um dos que eu mais conheço. Conheço profundamente. Como se fosse uma pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sei exatamente como ele se apresenta de forma sarcástica e engraçadinha (<em>Taxman</em>) para, logo em seguida, já mostrar sua face mais melancólica e densa (<em>Eleanor Rigby</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sei também como ele pode parecer meio &#8220;nóia largadão&#8221; (<em>I&#8217;m Only Sleeping</em>) ou &#8220;nóia tilelê&#8221; (<em>Got To Get You Into My Life</em>). Também tô cansado de saber que ele tem um lado infantil meio insuportável (<em>Yellow Submarine</em>), mas que se recupera disso com toda a profundidade sentimental que se esperaria de alguém tão complexo (<em>For No One</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não posso deixar de mencionar também que já sei a hora que ele fica bem chato e meio palestrinha (<em>Doctor Robert, I Want To Tell You</em>). Mas que também se recupera disso com uma virada épica, inesperada, futurista, daquelas que deixa todo mundo pensando: de onde saiu esse ET?</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é justamente essa face desse meu &#8220;amigo&#8221; inusitado (que já me acompanha há quase 3 das 6 décadas em que está no mundo) que eu acho mais encantadora: a do visionário sem limites. Essa face, escancarada em <em>She Said, She Said</em> ou <em>Tomorrow Never Knows</em>, continua deixando todo mundo meio que de cabelo em pé.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos já estão cansados de saber, aqui, como se deram os detalhes das gravações. Como os <em>Beatles</em>, quase sem querer, anteciparam a lógica do sampler, a canção eletrônica, o rock alternativo e tantas outras coisas. Eu não estou aqui para reforçar todos esses atributos. Estou aqui porque, há quase 30 anos atrás, comprei um CD chamado <em>Revolver</em> e que ele é, até hoje, como uma pessoa para mim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É &#8220;alguém&#8221; que eu não imaginaria viver sem. Um corpo complexo, que encanta, irrita, alegra, entristece. E que, sobretudo, não para de encantar. Quando você acha que já o conhece e que ele nunca mais vai te surpreender, você fica algum tempo sem vê-lo e, de repente, tudo nele parece novo quando do reencontro. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é porque, visionário, ele sempre esteve realmente muitos passos à frente. O <em>Revolver</em> dos <em>Beatles</em> tinha o futuro na mira. Ainda bem que nós estávamos no meio do caminho para receber esse tiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>A Tragédia de Acetone</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/classico-acetone-acetone/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[1997]]></category>
		<category><![CDATA[acetone]]></category>
		<category><![CDATA[clássico]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O incrível ocaso de Acetone – uma pérola esquecida do "slowcore". </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-153553676" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image-1024x1024.png 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image-300x300.png 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image-150x150.png 150w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image-768x768.png 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image-600x600.png 600w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">2024 começou pra mim com uma descoberta daquelas. Basicamente, mais uma banda que “nunca existiu”, e que começou a ser pescada por aí muito recentemente. Muito mesmo. Algumas das primeiras menções à banda <em>Acetone</em> começaram a pipocar pela internet em 2023. O ano seguinte a este foi o momento de capitalizarem em cima disso. O selo <em>New West Records</em>, sabe-se lá como, adquiriu todos os direitos do catálogo da banda e fez uma baita tiragem de todos os álbuns deles em vinil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esgotou. Nem todos os discos estavam acessíveis nos <em>streamings</em> até 2025, a não ser o homônimo <em>Acetone</em>, de 1997, e a coletânea <em>1992-2001</em>, que já havia sido lançada em 2017*. E o que há de tão notável assim, então, nos <em>Acetone</em>, para que qualquer tipo de comoção tenha sido criada em torno da banda? Surpreendentemente, a música. <em>Acetone</em> foi, basicamente, um <em>power</em> <em>trio</em> de <em>Los Angeles</em> “fisgado” pelas <em>majors</em> no inicinho dos anos 90, naquele frenesi da corrida pelo “próximo <em>Nirvana</em>“. Lançaram 3 LPs para <em>Vernon Yard</em>, uma subsidiária da <em>Virgin Records</em>, a partir de um contrato milionário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a <em>vibe</em> da banda não era nem um pouco comercial. Até tentaram, nos primeiros trabalhos, produzir uma espécie de “<em>loud-quiet-loud</em>” a exemplo daquilo que estava arrebentando nas rádios e na <em>MTV</em>. Só que os rapazes de <em>Los Angeles</em> sempre prezavam mais pela parte “<em>quiet</em>” da equação. Vê-se logo no início de sua carreira, como na magnífica <em>Louise</em>, que os climas e o (assim chamado) <em>slowcore</em> eram os motores principais do grupo. Com o fracasso nas tentativas de obter sucesso comercial, a banda viu-se abandonada, até que <em>Neil Young</em> encontrou os rapazes, contratando-os por seu selo, o <em>Vapor</em>. Foi por ele que lançaram seu melhor álbum, o homônimo de 1997. <em>Acetone</em>, o álbum, encapsula perfeitamente o que a banda desenhava desde o início: canções arrastadas, cheias de climas, vocais suaves e um impressionante “engate” entre guitarra e bateria (notem o final da canção <em>Shobud</em>) – remete a <em>Crazy Horse</em> e <em>Big Star</em>, mas com uma energia própria dos 90.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Slowcore</em>, afinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pouco antes deste termo começar a ser utilizado, <em>Acetone</em> já traduzia perfeitamente a ideia. E há muitas coisas que eu poderia desenvolver agora, tanto sobre o subgênero quanto sobre <em>Acetone</em>. Mas a verdade é que ainda não conheço suficientemente a banda – ainda envolta em muitos ares de mistério e desconhecimento. É incrível dizer isso, mas em pleno 2026 ainda há coisas que conhecemos muito pouco, e com pouquíssimas fontes. Ainda bem que, em música, basta uma canção para nos transportar a toda uma história – e a canção que fez isso por mim foi a 2ª deste álbum, a impressionante <em>All The Time</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A história de <em>Acetone</em> é uma tragédia. Os rapazes debandaram em 2001, totalmente invisibilizados, e <em>Richie Lee</em>, vocalista e baixista, tirou a própria vida no mesmo ano (provavelmente torturado pelo vício em heroína)**. Seus álbuns ainda não estão organizados devidamente, então linko abaixo o <em>topic</em> do <em>YouTube</em>. E já adianto: assim como acontece com tudo aquilo que pode ser chamado de <em>slowcore</em>, <em>Acetone</em> ou vai bater muito, ou não vai bater de modo algum. Em mim bateu profundamente, e fica a sensação de que, se realmente existe essa história (de <em>slowcore</em>) a banda é uma das principais proponentes disso a partir dos anos 90 (ao lado das já mais conhecidas <em>Low</em> e <em>Duster</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">*A coletânea é linda, mas não recomendo começar por ela. É muito fácil de adquirir uma impressão errada da banda indo direto neste conjunto específico de canções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">**A quantidade assustadora de compositores talentosíssimos do nosso querido <em>underground</em> que tiveram o mesmo destino trágico de <em>Lee</em> deveria ser, desde os anos 90, no mínimo, motivo de profunda preocupação. É importante que falemos mais sobre o assunto, e que cuidemos dos nossos. E, claro, de nós mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong><a href="https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kjpOhaMrIFHarwUxUlicUNMKVwxW9EDSQ&amp;si=1iYndtMTzDZ2JVLX">Ouça Acetone (1997) aqui</a></strong><a href="https://album.link/br/i/1502476612">&nbsp;</a></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Eu não quero mais ouvir música</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/eu-nao-quero-mais-ouvir-musica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[mp3 player]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[plataformização]]></category>
		<category><![CDATA[século XXI]]></category>
		<category><![CDATA[streaming]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A big tech venceu. Eu cansei. A música acabou. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-153553621" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-1024x1024.png 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-300x300.png 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-150x150.png 150w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-768x768.png 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-1536x1536.png 1536w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-2048x2048.png 2048w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-600x600.png 600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Esse é meu &#8220;quilt&#8221; do last.fm dos últimos 180 dias. Vocês podem achar que são álbuns, mas são apenas quadradinhos digitais diagramados em uma tela</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O Silêncio no Estúdio praticamente nasceu a partir de um questionamento fundamental: como ouvimos música hoje? Bruno Leo, com sua perspicácia de sempre, fez lá atrás, em 2018, uma pergunta que me persegue até hoje: &#8220;onde estão minhas músicas?&#8221;. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente escrutinou, a partir disso (em textos, podcasts, etc, etc), os novos hábitos de escuta musical. Mas as coisas só pioram, ano a ano. </p>



<p class="wp-block-paragraph">As plataformas não apenas redesenharam a escuta, mas alteraram a própria <em>ideia </em>de música em sua dimensão mais fundamental. E mesmo a gente aqui, que sempre defende a escuta atenta, as listas, as mídias físicas e os espaços coletivos de compartilhamento da experiência musical, está sujeito aos hábitos restritivos e enclausurantes das plataformas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante das nossas listas de fim de ano (que começamos a fazer em 2018), eu consegui recuperar um hábito que comecei pelos idos de 2007: o de sempre adquirir mídias físicas dos meus álbuns favoritos do ano. Até 2021, mais ou menos, consegui fazer isso. Tenho aqui, por exemplo, o New Long Leg do Dry Cleaning em CD – meu disco favorito daquele ano. Mas vocês sabem o que aconteceu de lá pra cá, né? A pandemia fudeu a cadeia global de valor. Os preços (até dos CDs) foram parar nas alturas. Hoje, para eu adquirir, digamos, o Diamond Jubilee, da Cindy Lee (meu disco favorito da década, simplesmente) isso me custaria pelo menos 200 mangos. Não, eu não tenho essa grana sobrando. E não tô fazendo cosplay de pobre ao afirmar isso. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessa palhaçada, a imposição da plataformização segue firme. Os discos vão saindo, eu vou &#8220;salvando-os&#8221; na biblioteca digital da &#8220;minha plataforma favorita&#8221; (que na realidade não é favorita, é apenas a única que eu consigo suportar). Salvo as coisas também na wishlist do Bandcamp, sem nunca conseguir comprar quase nada. E segue tudo ali: preso nas bibliotecas virtuais. O Bandcamp, inclusive, que eu promovo tanto como alternativa viável, acaba funcionando também como plataforma. Você só salva discos e os reproduz em streaming. Para qualquer coisa além disso, é necessário comprar os álbuns. E tá certo pagar pela música que você ama (sempre defenderei isso, como músico também). Mas quem é que tá dando conta de manter bibliotecas pagas em pleno 2026?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem heróis e heroínas que estão voltando a baixar músicas (pagas ou não) e colocando-as em seus novos mp3 players (Márin, essa é pra você, querida). Eu provavelmente retomarei esse hábito assim que deixar de estar tão pobre. Mas o ponto aqui é que: não é sustentável manter esse hábito quando, supostamente, há tanta coisa para ser ouvida. Neste aspecto, teremos que seguir descobrindo música pelas formas mais diversas (e via plataformas) para ao menos conseguirmos executar filtragens viáveis, confiando em nossos curadores, mídias e amigos assertivos (aqueles que mandam um: &#8220;você vai AMAR isso&#8221;, e você acaba, realmente, amando). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Voltando à lama da plataformização, termino com um breve relato dos últimos dias; depois de um hiato da audição musical em função da Copa do Mundo (respeitem meu hiperfoco), quando finalmente me voltei aos lançamentos &#8220;perdidos&#8221;, notei que estão todos lá trancafiados digitalmente na minha biblioteca do Music e do Bandcamp. Sabe qual a vontade que estou de &#8220;recuperar o tempo perdido&#8221;? Essa mesmo. Nenhuma. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Fui fazer um levantamento (só à título de curiosidade mesmo) e vi que, dos últimos 180 dias (6 meses, para os leigos em matemática), eu ouvi pouco mais do que 25 discos. Vários em CD, outros em vinil, o resto no Bandcamp. Poucos lançamentos. Alguns clássicos que amo e preciso revisitar, e pouquíssimas novidades excitantes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas eu sei que elas estão por aí, e que eu vou superar meu asco e encarar as bibliotecas digitais pra ouvir as músicas incríveis de 2026. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Por ora, só gostaria de compartilhar que a plataformização é um câncer. Um encarceramento em hábitos que ninguém pediu pra adquirir. Um processo que retira nossa agência, e que nos submete ao mediador (a plataforma) mais do que ao objeto que ele se propõe a mediar – nesse caso a música, mas poderia ser a comida, a compra, o contato humano, o transporte, etc, etc. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, resta sonhar com o momento em que ouvir um álbum novo não passe por tirar um smartphone do bolso no meio da rua. E o faremos. Novos hábitos, mais saudáveis e respeitosos à própria música, surgirão das nossas mentes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque, no fim das contas, nós amamos demais a música, não é verdade?</p>



<p class="wp-block-paragraph"> </p>
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			</item>
		<item>
		<title>Tuca, we love you</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/tuca-we-love-you/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[renato gonçalves]]></category>
		<category><![CDATA[tuca]]></category>
		<category><![CDATA[valeniza zagni]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://silencionoestudio.com.br/?p=153553589</guid>

					<description><![CDATA[<p>Será que vamos, finalmente, ouvir Tuca?</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="975" height="1023" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image.webp" alt="" class="wp-image-153553590" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image.webp 975w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image-286x300.webp 286w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image-768x806.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 975px) 100vw, 975px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Da série &#8220;você viu antes no Silêncio no Estúdio&#8221;, recentemente saiu uma matéria <a href="https://www.sempaywall.com/api/clean/oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/07/05/quem-foi-tuca-artista-que-comecou-ao-lado-de-nomes-como-chico-buarque-gravou-com-estrela-francesa-e-teve-morte-precoce-e-tema-de-livro.ghtml">n&#8217;O Globo sobre Valeniza Zagni da Silva</a>, a inexplicavelmente obscura artista brasileira Tuca. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A matéria traz falas do jornalista Renato Golçalves, que estaria preparando um livro sobre a artista. O texto traz, pra variar, informações meio vagas sobre a artista, sobre quem se sabe muito pouco, e não dá detalhes sobre o livro. Continuamos às escuras quanto à Tuca, mas isso aparentemente deve mudar em breve – será que sai por aí um &#8220;Livro do Disco&#8221;, uma edição da Noize Club ou algo assim? confio no Renato!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seja como for, em 2023 eu fiz a melhor pesquisa que poderia fazer, sem ir atrás dos personagens envolvidos porque não sou jornalista de ofício nem tenho tempo e recursos pra isso, pra trazer à nossa comunidade uma imersão em &#8220;Drácula,I Love You&#8221;, um dos maiores álbuns da história da música brasileira, até hoje muito obscuro. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Fiz um pequeno Raio X, juntei todos os links disponíveis na web à época sobre a artista e lancei aqui. Vocês podem conferir o resultado <a href="https://silencionoestudio.com.br/203-raio-x-tuca-dracula-i-love-you/">neste link</a>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E, depois, podem dizer que ouviram a Tuca, &#8220;antes de ser cool&#8221;. </p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Tudo estava igual como era antes</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/tudo-estava-igual-como-era-antes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[o portão]]></category>
		<category><![CDATA[roberto carlos]]></category>
		<category><![CDATA[seleção brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para todas as dores sempre encontro um Roberto para me acalentar. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1900x1900-000000-80-0-0-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-153553536" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1900x1900-000000-80-0-0-1024x1024.jpg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1900x1900-000000-80-0-0-300x300.jpg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1900x1900-000000-80-0-0-150x150.jpg 150w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1900x1900-000000-80-0-0-768x768.jpg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1900x1900-000000-80-0-0-600x600.jpg 600w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1900x1900-000000-80-0-0.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Eu ainda estou em depressão pela eliminação do Brasil da Copa do Mundo. Não adianta me falarem que &#8220;nada disso importa, realmente&#8221;. Essa eliminação tocou meus brios. Como brasileiro, como pessoa com hiperfoco em Copa do Mundo, como torcedor. Voltei a me sentir como aquela criança que torce ingenuamente para a sua seleção, vestida de verde-amarelo (escrevi sobre essa criança aqui na semana passada). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas todas as feridas são lambíveis quando se é brasileiro. Ainda emocionado por tudo o que anda acontecendo na Copa, perguntei no nosso grupo de apoiadores qual deveria ser a música brasileira para o estádio cantar, como os ingleses têm feito após as vitórias com um hino de seu cancioneiro, <em>Wonderwall</em>, do <em>Oasis</em>. Nenhuma resposta foi propriamente satisfatória. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No momento de melancolia em que me encontro, por vezes eu aciono aquela nossa versão mais melodramática (e brega, para falar um português claro), afogando as mágoas em um bom e velho Rei. O da música – ps: também tenho afogado as mágoas revendo a mágica do nosso Rei Pelé, diante da campanha escrota do mundo do futebol para tentar apagá-lo. É momento de nos apegar a nossos valores mais importantes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembrei daquela canção do Roberto. Sim, aquela que fala sobre voltar para onde nunca se deveria ter saído. Me ficou evidente que, quando voltarmos a ser um país (voltando, consequentemente, a jogar futebol), trata-se da canção adequada para cantar a plenos pulmões nos estádios. </p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu voltei. Agora pra ficar&#8221;. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Não sei quando. Mas acontecerá. Voltaremos. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Roberto Carlos - O Portão (Áudio Oficial)" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/ZKYBpP4iGEk?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Em domingos de Copa do Mundo</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/em-domingos-de-copa-do-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[argentina]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[copa do mundo 1990]]></category>
		<category><![CDATA[copa do mundo 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[noruega]]></category>
		<category><![CDATA[oitavas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sobre loiros cabeludos assassinos de sonhos e um país que nunca aprende.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="739" height="415" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/images.jpg" alt="" class="wp-image-153553477" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/images.jpg 739w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/images-300x168.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 739px) 100vw, 739px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">24 de junho de 1990. Eu tinha 7 anos. Na garagem da casa dos meus pais, assistia atento às oitavas de final da Copa daquele ano em um domingo de sol. Brasil x Argentina. Clássico absoluto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observava muito os adultos, todos em total estado de tensão. E ficava intrigado com o que ouvia deles e do moço da televisão (que, desde aquela época, era o Galvão Bueno). Haviam muitos consensos entre a garagem e a televisão. Todos reclamavam muito do meio campo brasileiro. Em especial de um jogador com nome de anão (Dunga). Falavam muito também de um jogador argentino, super rápido, habilidoso e que corria pra lá e pra cá como uma pulga (bem mais pulga do que a pulga atual). Diziam que esse moço (um tal de Maradona) podia “decidir o jogo a qualquer momento”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E assim, naquele domingo ensolarado, o jogo transcorria em Turim, na Itália, enquanto o assistíamos no interior do Paraná em uma claustrofóbica garagem. No início parecia que ia sair tudo bem. O Brasil atacava muito. Só depois, já adulto, consegui entender as estatísticas dessa superioridade. Mais de metade da posse de bola, mais de metade de chutes a gol. Uma bola na trave: empolgação geral. Segunda bola na trave: a empolgação já começava a dar lugar a uma tensão indescritível. Sentia isso em todo mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma tragédia que parecia anunciada, já no finalzinho do jogo aconteceu o que todo mundo falava que não podia acontecer: o moço “pulguinha” se desvencilhou do brasileiro anão no meio de campo, saiu correndo desacompanhado e tocou a bola na frente para um outro moço. Este, loiro, cabeludo, até bem bonito (o Caniggia), que driblou o goleiro e rolou a bola para o fundo do gol. 1 a 0 Argentina. Ainda faltava um tempinho pro jogo acabar. Mas ninguém naquela garagem parecia pensar que era possível reverter o resultado. Quando acabou o jogo, o recinto era tomado por uma grande tristeza. Mas havia também muita, mas muita raiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">36 anos depois, em um puxadinho de cobertura na Zona Leste de BH, já sem meus pais e, eu mesmo, pai de duas, virei criança novamente diante da televisão para mais um jogo de oitavas de final de Copa do Mundo. Outro domingo ensolarado. Dessa vez, contra um adversário supostamente menos assustador. A Noruega. Depois de quase 20 anos nutrindo uma descrença pessoal pela Seleção (no fundo bem realista), fui tomado na Copa de 2026 por um otimismo quase infantil, guiado talvez por uma escrita impositiva: nunca passamos mais de 24 anos sem um título mundial. Era agora!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os dados objetivos, porém, indicavam que fracassaríamos de novo. E todos (na imprensa, nas ruas, onde fosse) repetiam os mesmos consensos: “não temos meio campo”, “não temos laterais”, “se deixar o tal do Ødegaard ditar o ritmo a gente vai ficar sem a bola&#8221;, “se deixar o centroavante deles encostar na bola é gol”. E aí começa o jogo. Pênalti perdido, chances brasileiras na cara do gol, péssimas decisões táticas. Já na metade final da peleja, aconteceu o que todo mundo falava que não podia acontecer: o tal do Ødegaard ditou o ritmo, perdemos a marcação na lateral e a bola chegou ao centroavante em duas ocasiões mais limpas. Dois gols. Também de um loiro cabeludo, só que este bem mais feio que o argentino, e com jeitão de troglodita (o Haaland).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atônito diante de mais uma derrota cantada, eu olhava ao redor. Mas agora não via nem tristeza nem raiva. Era quase uma indiferença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque essa é a conta das derrotas empilhadas. Um descaso cínico. Se em 1990 eu sentia todo mundo meio puto, discutindo fervorosamente os erros para tentar consertá-los em empreendimentos futuros (em um empreendimento que contribuiu, e muito, para o tetracampeonato de 1994), desta vez eu saí de casa no dia seguinte, andei pelas ruas e vi todo mundo sorrindo, correndo, almoçando e conversando como se nada houvesse acontecido. Imaginei todo mundo pensando algo muito bobo e cínico. Do tipo: “perdemos mais uma. Tudo bem, daqui a 4 anos perdemos de novo&#8221;. E é isso? Vamos apenas nos acostumar a perder?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Intrigante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E por um motivo simples. Porque <strong><em>todas</em></strong><em> as nossas derrotas soam como as da nossa Seleção em 1990 e 2026: profecias autorrealizáveis</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>E isso não é apenas no futebol.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como país, parece que somos sempre como o motorista de um Palio 2001 rodando muito além de sua capacidade. Todo mundo olha pro veículo e sabe que, em algum momento, o motor vai arriar. Todos avisam o motorista: frentistas, mecânicos, amigos, parentes, deus em um culto qualquer. Mas não adianta. O carro vai para a estrada mesmo assim e o motor se funde. A pé na beira da estrada, o motorista parece um pobre coitado que não teve opção de evitar a situação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dá pra levar isso pra diversos lugares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Me lembro até de um clássico recente da literatura econômica nacional, que vai na linha de demonstrar que sempre fazemos de tudo para ir de encontro com a tragédia, apesar de todos os alertas: “Brasil, uma economia que não aprende&#8221;, organizado por Paulo Gala e André Roncaglia. O livro narra o abandono das políticas industriais desenvolvimentistas pela adoção do receituário neoliberal de privatizações e financeirização (processo que sempre entrega exatamente o oposto daquilo que promete). A maior das ironias? Paulo Gala, um dos organizadores do belo livro e contumaz crítico da “economia que nunca aprende&#8221;, foi economista-chefe do Banco Master.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este país realmente não aprende. Mas porque será?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode ser que seja negação: um desejo psicanalítico de perpetuar o sofrimento evitando olhar para os índices do inconsciente. Pode ser que seja autoestima mesmo: no fundo pensamos não merecer situações de vitória, pois nosso destino já traçado é o do percalço e da dificuldade extrema. Pode ser arrogância: aprender significa reconhecer o erro e trabalhar pela sua supressão em eventos futuros. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas pode ser também covardia e oportunismo: é muito mais fácil soltar um “eu avisei” depois do ocorrido do que lutar pela correção oportuna da tragédia iminente. Este parece ser o caso de boa parte dos comentaristas futebolísticos por aí. Todo mundo avisou, todo mundo sabia. Mas todo mundo se aproveitou da situação colocada. A audiência dos programas esportivos explode diante das derrotas da Seleção. Em todas as dimensões, a “indústria do ‘eu avisei’” é bastante lucrativa neste país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se temos alguém para se indignar por nós, substituímos a catarse necessária por uma catarse mediada e muito bem remunerada. Assim como deixamos especialistas em política ou economia nos avisarem que algo que eles mesmos incentivam (ainda que dissimuladamente) pode dar merda. E eu sei: você deve estar pensando que não faz sentido cruzar temas que parecem tão díspares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas é que eles só <strong>parecem</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas é que <strong><em>todas</em></strong><em> as nossas derrotas soam como as da nossa Seleção em 1990 e 2026: profecias autorrealizáveis.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">E se, diante de mais uma profecia autorrealizada, apenas rirmos da situação sem a raiva que uma vez imperou, aí é que as coisas nunca mais vão sair do lugar mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos falta ódio.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>E isso não é apenas no futebol*.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fica aqui mais uma lição dolorosa, de mais uma profecia autorrealizada, pra ver se a gente aprende. Enquanto não lidarmos com <strong>todos </strong>os nossos traumas, com a raiva necessária, seguiremos maltratando meninos de 7 anos em domingos ensolarados de Copas do Mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até a hora que voltarmos a ficar putos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu estou. E vocês?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8212;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-style:italic;font-weight:400">*Só que no país que mantém o status (cada vez mais ameaçado) de “país do futebol&#8221;, ainda é através deste esporte que se pode compreender mais claramente todos os outros problemas. Parece até, aliás, que mesmo aos trancos e barrancos, o futebol segue sendo o &#8220;oxigênio cultural&#8221; do país. Oscar a gente pode até perder. Posições no PIB global também. Mas Copa do Mundo? Ainda mais 6 consecutivas? Trata-se de um portal para o inferno que pode desencadear longas diatribes analíticas, com o país todo no divã.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-style:italic;font-weight:400">Parece que desta vez, finalmente, após as eliminações letárgicas de 2018 e 2022, tem mais gente puta além de mim. E tá sobrando até pro evangelistão nacional (finalmente). Vejamos o que acontece.</p>
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