
1989 foi obrigatoriamente um ano de mudança. Fadado a estar no fechamento da chamada década perdida, havia ali diversos movimentos que favoreciam tomadas de decisões difíceis e inevitáveis, não só no campo político, mas certamente também no artístico.
Paul McCartney sabia disso. Vindo de um certo fracasso de vendas com Press to Play, de três anos antes, o ex-beatle queria trabalhar de um jeito diferente, e decidiu dedicar uma média de dezoito meses (portanto iniciando em 1988) para a produção de seu álbum Flowers in the Dirt. Decidiu também que queria ter uma parceria parecida com a que teve com John Lennon, e foi encontrar esta parceria num sujeito chamado Declan MacManus. Reconhece? Que tal então se o chamarmos pelo seu nome mais conhecido? Estamos falando do grande Elvis Costello, que se apresentou como parceiro de Macca em algumas canções deste Flowers in The Dirt e nos seus próprios álbuns Spike e Mighty Like a Rose.
A fórmula funcionou bem e nos deu My Brave Face, maior sucesso deste disco, seguida por Figure of Eight (esta só de Paul). Deu também em So Like Candy, lançada por Costello e presente em versão demo na edição deluxe comemorativa dos 30 anos de Flowers in The Dirt.
Para além destas canções da dupla McCartney/MacManus, vale destacar How Many People?, canção dedicada por Paul a Chico Mendes, depois que o cantor assistiu a um documentário sobre o seringueiro e ativista brutalmente assassinado em dezembro de 1988 em decorrência pela sua luta em defesa do meio ambiente.
Em Flowers in the Dirt, Macca optou por trabalhar com diversos produtores, entre eles o lendário produtor dos Beatles, George Martin. Além disso, o álbum conta com a participação de David Gilmour (que já havia feito o solo de No More Lonely Nights e viria a ser presença frequente em apresentações do ex-beatle) na faixa We Got Married.
Como depoimento pessoal, foi o primeiro álbum que ouvi de Paul McCartney, e é pra mim ainda hoje o melhor disco de sua carreira-solo.
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