
Covers? Eu absolutamente amo. Defendo. Anuncio atos em defesa deles por todo e qualquer grande centro do país. Alguns, como se sabe, conseguem ser melhores que os originais e os exemplos se acumulam como gordura no fígado.
Mas o que faz a versão de Time after Time, realizada pela estupenda Anneke Van Giersbergen merecer um lugar de adoraçao tão imponente? Por incrível que pareça, tudo o que acontece antes dela começar a tocá-la.
Sabe quando você vê uma artista a poucos palmos de você e sente que a existência dela é exatamente tudo aquilo que ela poderia ser? E que você está ali pra absorver esse milagre como se fosse a única coisa que importa na sua vida? É raro por ser dificilmente natural, até mesmo para grandes nomes da música que até funcionam ao vivo mas pendem muito mais para a representação de um personagem do que para uma performance legítima, fazendo as vulnerabilidades ganharem os mesmos holofotes de seus donos.
A jornada de três minutos até o angelical “Lying in my bed, I hear the clock tick and think of you” poderia durar até mais, pois é irresistível. Anneke faz você sorrir incontrolavemente enquanto anuncia a dificuldade de tocar uma canção que tem 90% de pestana nela, o maldito do F — o Fá, para os íntimos. A plateia do La Scène Bastille, a poucas semanas do Natal daquele 2012, teve uma experiência invejável.
Felizmente, alguém desse público desobedeceu a cantora e publicou o vídeo. Um dos registros mais genuínos de alguém mostrando o que é estar no palco e não apenas enfileirar músicas com aplausos entre elas. Anekke Van Giersbergen, com sua voz que pausa respirações e seu carisma capaz de conciliar inimigos declarados, levou um cover ao arranha-céu das apresentações.
Cindy Lauper está feliz.
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