As coordenadas de um marco

Em BH, o Rosa de Saron atravessava um rótulo e levava o timbre mais bonito do país para além das capelas

Ao vivo nunca é fácil, ainda que pareça hoje em dia. Para uma banda que não frequenta (ou não frequentava) o círculo do rock radiofônico, produções assim precisam contar com uma base de fãs que não te medo de quilômetros pra ver o quarteto tocar. Essa matemática fechou a conta em Minas Gerais e ainda fez mais: uniu duas vertentes religiosas no mesmo palco, em nome so Pai, do Filho e de Belo Horizonte.

Com inéditas que poderiam ser singles poderosos de um disco novo e clássicos arrebatadores de gerações que viram o grupo nascer, Latitude, Longitude é um registro inesquecível de 2013 e revisitá-lo deixa ainda mais claro o auge de Guilherme de Sá e seus companheiros de palco.

O movimento de levar ao palco Mauro Henrique, o ex-vocalista do Oficina G3, uniu católicos e evangélicos pelos cinco minutos e dezoito segundos que a faixa título rolou. Um dueto mais esperado que uma pizza de 5 queijos num sábado de chuva. Quando Guilherme diz, ao chamá-lo ao palco “chegou a hora do estudante pedir a ajuda de um universitário”, numa mistura de respeito e modéstia, o mundo deu certo. Quando Mauro canta “Pra quem fugiu até que eu ando bem”, o mundo deu muito certo. Eram as vozes mais potentes do país no melhor estado do país com o melhor letrista do país.

Sorte de quem viu, ouviu e consegue se lembrar pela presença do momento. Hoje Gui não está mais no Rosa, Mauro já cantou até Rebirth e Minas Gerais continua esperando outro evento histórico desse porte.

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