
Todo mundo tem um amigo que é aquele personagem que diz que a música morreu em 1986 quando o Master of Puppets do Metallica foi lançado. Ou que o Rock morreu quando o Limp Bizkit fez aquele cover de Faith do George Michael em 1997. Ou que 1991 foi o ano definitivo da música. Ou que nada depois do Nü Metal prestou. Todos esses personagens focam em alguma data ou período específico. Tudo isso é por causa do contexto de quem eles eram naquele momento.
Dizer que nada de novo presta é um dos argumentos que mais me causam dor muscular. Eu não consigo entender as pessoas que simplesmente usam a música como uma competição de quem tem melhor gosto ou de quem tem o gosto mais puro. Não se permitir gostar de uma coisa nova é a prova de que a maior guerra que vivemos nos dias atuais é a guerra contra a ignorância.
Eu até compreendo nichos e suas particularidades, mas se prender num loop musical é como comer apenas a mesma coisa todos os dias. Não acho que pessoas que têm o gosto musical mais expandido façam delas melhores pessoas, mas ao mesmo tempo, fazem delas pessoas mais interessantes. Detesto papo de coach, mas realmente acredito que na vida a gente precisa de repertório pra vivermos melhor. Qualquer que seja o assunto, seja musical ou de experiência de vida, ter mais referências melhora nossa percepção do mundo.
No texto do Vinícius Cabral dessa semana, ele começa falando sobre como é bom viver e ouvir o novo disco do Trooper Salute. E assino com o relator. Não se deixar se emocionar com um lançamento tão incrível é uma pena. Música não é competição, por isso tenho ranço do filme Whiplash, mas isso é papo para um texto no futuro. Se organizar direitinho dá pra ouvir de tudo. A vida é muito curta pra gente ficar preso na saudade de quem a gente era quando saiu o Nevermind do Nirvana. Hoje somos diferentes de ontem e amanhã vai ser outro dia, como diria o Chico Buarque.
Nas caixas de comentários espalhados pela internet, os “donos da verdade” estão sempre vocalizando as coisas que eles acham que não prestam. O que a gente tem que fazer é simplesmente ignorar. Apaga o comentário e segue a vida. Fala mal das coisas é muito mais fácil do que falar bem. A internet é feita pra isso. Pro conflito. Mas aqui não tem isso não. Vamos continuar falando do que a gente acha que é bom, seja novo, ou seja um clássico.
O melhor disco do seu ano pode ser um que foi lançado em 1974 e você não conhecia, mas também pode ser um disco lançado semana passada por uma banda do Japão que você nem sabia que existia.
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