A maior de todos os tempos

Uma breve introdução ao universo único (e irresistível) da galesa Gorky's Zygotic Mynci.

Escrevo toda semana neste espaço. Resenhas, lançamentos, reflexões sobre o estado da música e da sociedade. Não faltam, enfim, assuntos. Mas às vezes falta tempo (até por excesso de pautas) para reforçar algumas coisas que me são muito caras. E também eu sei que trago muita coisa aqui, e que ninguém tem tempo de ler tudo (quanto mais de ouvir). Mas a gente sabe que, vez ou outra, as coisas se fixam, porque ainda temos meia dúzia de gente prestando atenção.

Então agora vai. Prestem bem atenção! Hoje o post é pra reforçar uma das muitas informações a meu respeito que eu realmente sei que passou batida. Devo ter rasgado elogios a esta banda em minha imersão especial sobre Gales (se não conhecem, corram aqui, porque há um contexto muito forte a ser destacado), mas acredito que nunca disse isso de forma tão direta: Gorky’s Zygotic Mynci são a maior banda de todos os tempos (na minha avaliação, é claro, mas enfim).

E esse texto é só pra reforçar o fato mesmo, sem muita preocupação de fazer, agora, um guia completo, como o que eu já fiz sobre o Stereolab (e comecei a fazer, mas parei, sobre o Fellini – uma hora eu completo, e isso é um compromisso, relaxem). Sobre Gorky’s, por ora eu vou só deixar essas declarações apaixonadas e sair correndo. Nunca uma banda me prendeu tanto, por tanto tempo, quanto eles. Assim como o Stereolab, com uma discografia totalmente irregular e caótica, a banda é um prato cheio para aqueles gráficos de relações, que evidentemente não vou fazer desta vez. Fica como missão para um dia desses.

Gostem ou não da banda, um fato mais amplamente aceito (que ultrapassa minha opinião pessoal) é que os Gorky’s são a banda mais singular e única do contexto que fez a música galesa explodir na Inglaterra (e consequentemente nos EUA) a partir da febre do britpop. E eles surfaram muito pouco nesse contexto. Até tiveram uma coletânea (a Introducing) lançada nos EUA em 1996, pela Mercury. Mas isso não foi suficiente para a banda entrar no cânone do indie dos 90. Infelizmente. Quem ouviu (e ainda ouve) a banda por esta coletânea, ou surfando pela sua discografia irregular, fica totalmente chocado e nunca consegue escapar (por bem ou por mal) das maluquices impressionantes do grupo galês, com sua mistura única de maneirismos do indie (com direito ao violino bizarro de Megan Childs), distorção e progressões absurdas.

Para não estender demais, e deixar esse post como o meu “Introducing pessoal”, eu criei uma playlist como porta de entrada para a banda. Selecionei, cronologicamente, algumas das canções mais universais e “acessíveis” deles. A lista serve, especialmente, para as pessoas que nunca ouviram a banda. Para quem já é iniciado, ela pode parecer óbvia demais. Mas fiquem comigo, eu serei seu guia!

Depois disso, se vocês não ficarem “gorkiezados“, nem falem mais comigo.

Bjs.