
Aponte o farol para um lugar além de Ad Infinitum e The Dark Side of The Moon, espere a imagem sonora se materializar e veja como suas melhores lembranças ganham uma nova integrante.
Melissa Bonny é uma força da natureza que não sente prazer em se encaixar no tetris da vida e cria seu próprio jogo em todas as oportunidades que entra num estúdio. Dessa vez, a suíça abusa da capacidade de transitar pelas cenas, desafiando aqueles que vivem para cravar estacas num único estilo. Cherry Red Apocalypse não é um roteiro linear de uma vocalista de metal com sobras de composições que não entraram em seus projetos principais. O álbum é um tiroteio num mundo sem armas, ou seja: invariavelmente, você vai acabar caindo e agradecendo por isso.
Essa é a liberdade de um disco solo independente, sem a necessidade de incluir outros pontos de vista e focar apenas no que se quer fazer genuinamente. É isso que permite que Melissa inclua guturais sobre um instrumental pop e voltar com seu mezzo-soprano escupindo guitarras impacientes sem a necessidade de cerimônia.
Acessível e escandaloso, radiofônico e underground, o álbum muda de territórios sem pedir licença. É quase como um presente de referências sendo aberto laço por laço, exibindo um pouco de tudo do que a srta. Bonny é feita. Observando com cuidado, o que se percebe é uma ode à vulnerabilidade. Ela está sendo ela, abrindo mão de filtros convenientes, de atalhos nichados, para realmente oferecer esse apocalipse autoral.
É possível notar Evanescence, Amaranthe e The Pretty Reckless mas também sentimos a presença de Paramore, No Doubt e até mesmo algo que qualquer cantora pop adoraria pegar pra gravar e receber um ou dois gramofones vestida com traje bonito. Um disco de estreia que carrega um manual de como fazer canções para públicos distintos sem cometer o crime de parecer eclético.
Cherry Red Apocalypse escancara as milhões de facetas de uma artista que sabe absorver e transformar. Aquela que leva suas composições para o palco e consegue ser dona da identidade que cria, ela não é ‘ex-banda x’ ou ‘ex banda y’ que vive amarrada a tempos dourados. Melissa não esperou os frutos de suas bandas para começar a cultivar sua própria cultura. Assim como Charlotte Wessels, ela é dona de seu caminho e pode ir pra onde quiser. Até mesmo pro Apocalipse.
E vai parecer tudo bem.
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