
Talvez o último grande movimento com sucesso comercial no metal tenha sido o Nü Metal nos anos 90. Do mesmo jeito que as bandas dos anos 70 e 80 foram influenciando as bandas dos anos 90, muita coisa acabou se repetindo e entrando nos ciclos nos anos seguintes. Com exceção de algumas bandas que foram saindo completamente da caixinha e indo para nichos cada vez menores, os movimentos nunca pararam. Apenas fizeram parte do conceito básico de um movimento: bandas e artistas com tendência e obras com características técnicas, temáticas e estéticas comuns durante um período de tempo.
Com a influência do Meshuggah, o famoso Djent ganhou força. Um movimento meio que de fórum de internet, era muito mais sobre um tipo de som de mola que as guitarras faziam (daí vem o nome Djent) do que um grande movimento como os de cidades como Seattle ou estéticos como o Emo. Desse novo apelido, apareceram os destaques como Periphery, Monuments, TesseracT, Animals as Leaders e Textures, pra citar algumas. Na real, o Djent é um Metal Progressivo que usa a base fundamental do Meshuggah e suas quebradas, e o metalcore melódico do Killswitch Engage.
No meio de tantas bandas, algumas nunca me emocionaram, mas uma nunca errou. O ERRA, banda de Birmingham, no Alabama, pegou essa influência do Djent com um temperinho de Emocore e fez algo diferente. Um vocalista pra gritaria gutural e um outro fazendo o contraste com linhas melódicas limpas e cheias de apelo pop nas melodias. Nessa mistura meio rolê aleatório, a banda fez o CERTO. E continua fazendo.

Desde 2010 a banda vem melhorando. No seu quarto disco, “Drift”, de 2016, a banda achou bem o seu som e foi bem aí que comecei a acompanhar sempre de perto. Em 2024, com “Cure”, a banda lançou um disco sem skips pra mim. Um disco excelente que ainda escuto sempre que dá. A combinação e dinâmica de J.T. Cavey nos vocais guturais e Jesse Cash na guitarra principal e seu vocal limpo melódico chegaram a um nível altíssimo.
Agora em 2026, com seu novo disco chamado “silence outlives the earth”, a banda fez ajustes finos e ainda deu grandes passos para a frente. O equilíbrio dos vocais limpos e pesados e suas dinâmicas, quase como uma batalha de vocais, lembram grandes duplas da música, como Jon Bon Jovi e Richie Sambora ou Roland Orzabal e Curt Smith, claro que em suas devidas proporções. O joga pra lá e joga pra cá “toco y me voy” das vozes opostas, traz a energia e a emoção da conexão com a letra e com cada momento das músicas. Tem peso de metal extremo, mas tem também leveza e melodias de um emo alternativo pop.
O disco segue em altíssimo nível em suas 11 músicas, mas o grande destaque pra mim são as 3 que fecham o disco. Divididas continuamente como 3 partes. “i. the many names of god”, “ii. in the gut of the wolf” e “iii. twilight in the reflection of dreams”, são desses grandes épicos que fecham discos (olar, Abbey Road). Mas o que é mais legal e divertido nessas três músicas é que cada uma delas parece uma homenagem a uma banda ou influência em particular.
Em “i. the many names of god”, o Meshuggah é jogado nos nossos ouvidos como se o ERRA estivesse fazendo um cover da banda com sua própria personalidade. Em “ii. in the gut of the wolf”, o Gojira é a bola da vez. Aqui fica evidente a diferença do metal progressivo europeu para o metal prog dos EUA. O tempero ERRA com cara de Gojira funcionou demais pra mim. É quase a mistura do Brasil com o Egito do metal europeu com o metal dos EUA. E pra fechar, “iii. twilight in the reflection of dreams” aponta para o Tool e traz a energia hipnótica e sensorial característica da banda de Maynard James Keenan e cia.
“silence outlives the earth” é de longe o melhor trabalho da banda e uma adorável surpresa de um estilo do metal que de vez em quando parece que não tem muito mais pra onde ir. Ainda bem que tem banda que nunca ERRA.
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