
Sucumba ao poder do Mediterrâneo incorporado ao irresistível progressivo cinematográfico. Como uma ordem direta, os tunisianos do Myrath construíram uma experiência que atravessa os muros do estilo e provoca até os mais tradicionais nomes do topo da cadeia musical virtuosa. O arsenal que Wilderness of Mirrors carrega é capaz de suportar, com folga, uma guerra de trezentos e trinta e cinco dias sem qualquer possibilidade de rendição.
São 10 atos milagrosamente lineares em atração, afastando a sensação comum de altos e baixos. O que te faz sentir vivo em “The Funeral” continua celebrando a dádiva da existência em “Through the Seasons”, as escalas não interrompem o prazer: elas prolongam a imersão atmosférica. É como se uma tempestade de areia cobrisse tudo o que juramos conhecer e nos ensinasse a andar sobre os grãos dessa nova realidade.
E quando parece impossível adicionar novas camadas de arrepios, Elize Ryd desce com seu tapete voador e convida todos a sobrevoar a dimensão infinita que a banda criou com suor, guitarra, alaúde, violino e pedal duplo. “Until the End” soa como um ciclone que escapa da sua região comum de acidente climático e presenteia outros continentes com um sopro dessa catástrofe inevitável.
Em seu sétimo álbum, o grupo transcende o conceito de impecável e coloca o ouvinte sentado de frente com as próprias emoções. Wilderness of Mirrors não é uma trilha contemplativa que preenche o cotidiano contra o silêncio: é o personagem principal da história de cada um, forçando o interior a emergir como uma Atlântida submersa pela modernidade predatória. É a arquitetura natural reivindicando o poder que lhe é de direito, longe do Ocidente .
Oriente-se.
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