Gold Album do Weezer pode ser puro ouro se você quiser

O melhor disco da banda desde Make Believe traz um novo Weezer que soa como uma das fases do velho Weezer.

A relação de quem ama Weezer do Blue Album e do Pinkerton é motivo de debates infinitos nos grupos de amigos que gostam da banda. Muita gente já abandonou a banda com o lançamento do Green Album de 2001. O terceiro disco da banda é o mais “mastigável” e direto ao ponto. Na minha opinião, o Green Album é uma versão super polida do Blue Album, mas ao mesmo tempo isso não tira o mérito de um disco cheio de músicas boas e divertidas.

O Weezer tem esse humor meio autodepreciativo que foi diluindo ao passar dos anos, mas vejo a banda como um grupo de quatro integrantes que não se levam a sério demais e que tem em seu líder Rivers Cuomo um tempero de vergonha alheia e timidez pairando no ar o tempo todo. Essa essência da banda aumenta e diminui com o tempo. Reclamar da escola fazia sentido no contexto certo. Hoje as reclamações são outras.

Já fui muito mais fã da banda até o período em que a banda lançou o Maladroit em 2002. Em 2005, quando saiu o Make Believe, ainda digeri muito bem esse disco, mas ele foi o auge da versão Rock de Arena para as multidões da banda. Depois de outra longa espera vieram discos meio esquecíveis como o Red Album, Hurley e o White Album. No OK Human de 2021, muito se debateu se a banda estava de volta e ficamos nesse debate infinito sem prestar muita atenção na música.

Agora no Gold Album lançado na semana passada, senti que, em 30 minutinhos e 10 músicas, a banda finalmente encontrou o que precisava pra ser uma banda de mais de 30 anos de vida com um novo público jovem aprendendo a gostar da banda aos poucos. Vivi isso nos últimos anos com a coqueluche da música “Go Away” (com Best Coast) tocando nas redes sociais e sendo redescoberta por uma nova geração.

Tenho uma filha de 11 anos de idade e ela começou a aprender teclado e um belo dia ela começou a tocar o solo de Buddy Holly. Perguntei onde ela conheceu o Weezer e ela falou que viu a capa do disco azul no Pinterest, viu alguns memes e foi ouvir e gostou. Essa nova geração que está redescobrindo o Weezer não tem mais a ideia de que o Pinkerton é a obra de arte da banda e que o Blue Album foi um disco revolucionário em 1994. A gente tem esse contexto.

Por isso que acho que o Gold Album é o encontro mais equilibrado possível em se ter alguns dos antigos fãs de volta e uma geração nova que ou gosta da música ou não gosta. Uma música como “We Might as Well Be Strangers”, com participação da banda Wednesday, é o exemplo perfeito disso. Muitos fãs antigos gostaram de cara, eu incluso. Mas a gente tá há tanto tempo esperando apenas um disco OK da banda que qualquer coisa que seja muito bem feita já é um bônus gigantesco. E aqui eu acho que a banda acertou em cheio.

O Gold Album pode ser puro ouro se você quiser.


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