
À primeira vista, talvez você não reconheça o nome Andre L.R. Mendes. Mas se alguém cantarolar a frase tem dias que a vida parece Coca-Cola sem gás, você que conhece o rock brasileiro do final dos anos 90 talvez vá se lembrar de Repeat, Please!, sucesso de sua banda Maria Bacana, lançada pelo selo Rock It!, de Dado Villa Lobos no álbum de estreia da banda. Posteriormente, a música ganhou versão dos Inocentes.
Depois do fim da banda, Andre se dedicou a uma prolífica carreira-solo, lançando discos autoproduzidos em que o artista baiano toca, canta e produz de forma caseira, em dezenas de álbuns (perdi a conta aqui).
Em O Amor no Tempo das Bestas-Feras, Andre apresenta 23 canções, sendo que algumas até já haviam saído como single, como Medo de Avião III, em que o cantor resgata a ponderação de Belchior sobre os sacrifícios pessoais para vencer um trauma em nome do amor.
As referências musicais e líricas não param no título do álbum (inspirado em García Marquez), como podemos ver, e passeiam ainda pelo cinema (Tipo Meia Noite em Paris), além de reflexôes sobre não se encaixar em estereótipos (Camisa do Clichê) e até um clima meio bardo/menestrel/cronista em Palco da Mediocridade.
Sendo independente e sem se preocupar com amarras que pudessem limitar questões de número de faixas e duração, Andre L.R. Mendes lança um disco denso e focado apenas em mostrar ao mundo suas canções. Dá pra ouvir inteiro fazendo uma caminhada, ou parcelar a audição conforme o gosto do ouvinte.
Ouça na sua plataforma favorita ou tolerada.



