
Este mês uma figura misteriosa apareceu na web. Trata-se de um cara (supostamente chamado Omar), que já publicou dois textos muito interessantes em um substack (que, aliás, só tem os dois textos).
Omar escreve abertamente, e de forma bastante crítica, sobre alguns artistas novos aí da cena br. Sem muita cerimônia, os textos tocam nas feridas. Alguns diriam que “falam mal” dos artistas. Mas é aí que tá o negócio: crítica não é falar mal. Aliás, eu não preciso explicar pros nossos seguidores (alguns escolados até em Adorno e o escambau) sobre o que define “crítica”. Eu não preciso sequer defender os textos do (suposto) Omar como sendo crítica. Não são. São resenhas, sim, com caráter crítico. E isso, mesmo que seja insuficiente, já é um passo gigantesco.
Porque o que enfrentamos hoje na cena brasileira (e mundial, em certa medida) é o que eu sempre reclamo aqui: um jornalismo que parou de fazer jornalismo, e que se contenta em colar trechos dos releases escritos pelas próprios artistas e criar títulos chamativos (baits) pra você clicar e não ler nada. Se é assim que as coisas funcionam, então basta você mesmo dizer que sua banda é a “salvação do indie”, ou “a grande novidade do pós-punk nacional”, para isso aparecer com destaque nos portais.
Sinceramente, é isso que vocês querem?
Eu li entusiasmado os textos do omarresenha, com a convicção de que ainda temos por aí pessoas que pensam, e que conseguem concatenar dois neurônios para apontar a realidade a respeito de um artista, ou obra. Como eu disse, não se trata de “falar mal”, mas de descortinar as coisas em um sentido quase ontológico; desmembrar os elementos estéticos que compõe um trabalho, entender de onde eles surgem, porque estão ali, etc.
Até hoje, eu só critiquei o contexto e fiquei quietinho no meu canto, sem elaborar resenhas mais críticas sobre trabalhos da cena que acho que merecem. Mas, sei lá, talvez o misterioso Omar me incentive a começar. O problema é que ele apareceu por aí assim, anônimo. E eu tenho nome e cara, e dou ela a tapa o tempo todo. Será que é hora de arriscar meu sofrido rostinho numa missão dessas?
Fica a questão.



