Taylor, é claro que vão te amar

Single do The Pretty Reckless faz uma prece de devoção que será automaticamente obedecida por qualquer um que ouvir

De joelhos, com sua beleza de Afrodite contemporânea, a srta. Momsen abre o coração olhando para um céu cinza e clama pelo sentimento esquecido, até mesmo pela divindidade.
“Love Me”, acompanhada de palhetadas que soam como flechas angelicais impedindo a humanidade de experimentar o Olimpo da compaixão, desenha feridas abertas de uma banda que, desde 2008, constrói sua própria versão de rock e vulnerabilidade.

O timbre rouco desse single se esforça para puxar a pesada carruagem do álbum Dear God, que chegará daqui a exatos trinta e seis dias. Mas antes disso, a súplica embebida em verdades doloridas traz um tom que obriga a atenção. Nos disfaces que a depressão ensaia, a canção descortina as aparências, lembrando que colecionar decepções é mais comum do que sorrisos protocolares para sobreviver na sociedade. E quando ela diz que seu corpo é tudo que ela valhe, aí nem mesmo a abstração resta para eufemizar a realidade.

Ela canta pedindo que alguém se importe enquanto interpreta a rotina suportável, sob os filtros coloridos da segurança postiça. Uma revolta misturada com lamentação justificável, sob uma mente escravizada pela constante superficialidade inevitável.

Num mundo em que todos se esqueceram de chorar, aqui, o Pretty Reckless te lembra.



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