
O estrelato condiciona a crítica, quase que obriga a atenção a se voltar com inexplicável boa vontade à silhueta da moda desenhada no holofote da atualidade. Só que falta força, falta pulso, falta alma. Falta cacau.
Diferente de Olivia Rodrigo, Sabrina Carpenter, Billie Eilish ou Chappel Roan, a cena saborosa de verdade escorre por lugares que a bem-aventurada mídia especializada não frequenta por ser autêntica demais, genuína demais e talvez até doce demais (deveras conveniente, reconheço).
Assim é Anastasia Elliot, essa antítese roxa de voz capaz de acalmar e amaldiçoar com apenas uma mudança de ar, derramando sua versão chocolate da música “Good” que já era gostosa em 2023 e agora desafia usuários de Ozempic, Mounjaro e suas versões Hebert Richers do Paraguai. Ninguém evita o açúcar quando ele vem na forma dessa artista de Nashville.
“Good” é boa demais pra ser apenas ouvida então, como uma sobremesa irrecusável, de comer com olhos, assistir é tão delicioso quanto o brigadeiro de colher que ainda não foi desenvolvido naquelas bandas, mas podemos absorver essa sensação tupiniquim enquanto a forma líquida dessa valiosa amêndoa fermentada e torrada inunda o estúdio.
Será que alguém já se sentiu tão bem assim, como o refrão que aumenta de tom e de técnica a cada novo compasso? É um pedido, uma súplica, uma confissão ou um convite? Quem sabe se ela conseguir que mais pessoas acompanhem o canto, a parede do óbvio de quebre e transforme as estações de rádio em euforia inevitável.
Ouse saborear um To’ak enquanto o mundo se contenta com Bis.
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