A geração Z escolheu o CD

Aceitem, Millennials.

Relatório da Associação da Indústria Fonográfica Americana

Tá longe de ser o ideal, mas o previsto (por mim também, e vocês são prova disso) está acontecendo. As vendas de CDs cresceram bem em 2026. O vinil continua puxando o vagão da mídia física em faturamento e quantidade de cópias vendidas. Mas o CD foi responsável por mais de 50% do aumento no consumo de mídias físicas, e já atinge a marca de 17 milhões de cópias vendidas nos EUA no 1º semestre do ano. Segundo as associações coreanas, só de CDs de K-pop o primeiro semestre bateu a venda de 50 milhões de unidades.

Parece irrisório, mas isso é muita coisa. Se fizermos uma projeção pro ano, sem considerar a possibilidade do crescimento de vendas seguir em torno de 5%, é possível dizer que terminaremos 2026 com perto de 500 milhões de CDs vendidos – aqui estou extrapolando, e muito, mas considerando que o mundo é bem maior do que EUA e Coreia do Sul, e que muitos países, como o nosso, não contabilizam direito as vendas. Mas tudo bem Vinicius, muitos legais esses números. Agora, o que isso significa?

Bom, pensem que no pico do CD no planeta (o ano de 2000) foram vendidas quase 2 bilhões e meio de cópias. Não estamos perto disso, mas o CD é uma realidade inescapável, e a escolha preferencial da Geração Z. O CD já é uma alternativa. E, talvez, a grande alternativa no campo da mídia física. E aqui entram as especulações. Como se apresenta nessa (boa) matéria da Globo News, os motivos da escolha da Gen Z pelo CD são meio óbvias. A primeira é econômica (e vocês sabem quem cantou essa bola, né?): o vinil está caro demais. A segunda é contextual. Percebendo o retorno, alguns artistas dos mais populares entre ouvintes dessa geração têm focado no CD como principal plataforma física (Olivia Rodrigo, BTS, etc).

Agora o que falta é qualificar o processo. Aumentar a oferta, produzir alternativas, reabrir fábricas (como aconteceu com o vinil). No caso do bolachão, naquele suposto paradoxo econômico que a gente bem conhece, o aumento da oferta não abaixou os preços. Mas no caso do CD será difícil isso se repetir. Porque, seja pela praticidade da mídia, seja pela portabilidade e pela maior capacidade de assimilação, cópia e difusão, a volta do CD não se trata de pura nostalgia. Tornou-se uma questão prática.

Tem coisas, meus amigos, que nunca mudarão. Fã de música precisa ter a música. Seja em cópias físicas, seja até em cópias digitais – se não tiver jeito, é isso aí, mas que pelo menos se consiga salvar essas cópias no seu próprio disco rígido. O streaming nos trancou em um hábito, achatou nossa percepção e modulou gostos. Mas não conseguiu retirar dos fãs de música a necessidade de relacionar intensamente com os objetos de sua paixão.

Seguimos.