
O Flow Festival em Helsinki, na Finlândia, começou em 2004, mas a primeira edição foi um evento bem menor. Só depois de 2007 é que o festival passou a acontecer na área de Suvilahti, o local pós-industrial que ele ocupa hoje. Não é um festival que eu costumo frequentar nesses anos todos que moro em Helsinki. Sempre preferi ir no Tuska, festival lendário de metal que é menor, mais aconchegante e um pouco mais pro meu feitio. Depois que você passa dos 40, ir em festival, mesmo que dê pra ir de metrô e voltar pra casa antes da meia-noite, ainda é um peso pras minhas costas e meus pés. Minha vida se resumiu a sair de casa se tiver lugar pra sentar.
Mas algumas vezes eu encarei o Flow. Fui no ano com Pulp, Alvvays e Marcos Valle e foi divertido. O festival em si tem um conceito bacana, mas quando você chega na fila pra pegar a pulseirinha e passa pelo portão, é como se você tivesse acabado de criar uma conta nova no Instagram ou TikTok e o algoritmo não sabe bem exatamente o que te mostrar e começa pelos influencers de lifestyle.
A impressão que dá é que o público é esse mesmo. O próprio line up é um pouco aleatório. Além de ter espaço para grupos e artistas locais de indie pop ou pop mainstream, a área de Suvilahti é enorme e tem algumas separações que acho interessantes. No Palco Balão 360, tem os artistas que sinto que as pessoas realmente vão lá pra descobrir coisas novas. Ana Frango Elétrico, do Brasil, tocou na sexta-feira e o palco circular com público em volta estava cheio. Na mesma noite, no palco principal, Zara Larsson fechou o dia.
No line up desse ano, me interessei mais pelo sábado, único dia em que fui. No palco principal, tivemos o Arthur Verocai com orquestra, mas o horário foi cruel. 15h30 da tarde de um festival que as pessoas vão como balada. Não estava com tanta gente assim. Mais pro fim da tarde, múm, banda da Islândia, conseguiu lotar o palco do Balão 360 e fez um show intimista e de sonoridade hipnótica. Seria um show mais legal em um lugar fechado, com luz ambiente e mais teatral. Mas foi um bom show.

Depois dali, você tem que andar uns 10 minutos até chegar no palco principal. E esse é meu grande problema com o Flow. Tudo é muito longe. Num lugar está rolando uma mega festa eletrônica, em outro tem um lounge VIP, em outro tem um palco alternativo fechado e lá pro final tem o palco principal no centro do lugar.
Exatamente às 20h30, começou o show que mais queria ver. O Turnstile, banda de hardcore melódico que fez um dos Tiny Desks mais épicos do YouTube, chegou colocando os influencers de Instagram pra fazerem um mosh pit. O show é incrível, a banda é muito alinhada e precisa e o vocalista Brendan Yates, mesmo parecendo absurdamente tímido e na dele, agita muito bem o público e sua voz ao vivo é idêntica a dos discos. Franz Lyons no baixo, Daniel Fang na bateria e Pat McCrory e Meg Mills nas guitarras complementam muito bem o show com carisma, precisão e muito agito.

O show, que durou 1 hora exata, passou voando. O repertório foi muito bem dividido entre as músicas do lançamento mais recente do ano passado, com algumas músicas dos trabalhos anteriores que chamaram a atenção da mídia especializada. E claro, o show termina com a épica Birds, que não teve como ninguém ficar parado na hora do break da música com o riff de guitarra e quebra de tempo. Até eu estou com dores na batata da perna até agora de tanto pular durante aqueles 2 minutos finais.
Depois do Turnstile, veio a sensacional Florence + The Machine. Um show grandioso, com superprodução, com uma banda impecável e todos os movimentos sincronizados e muito bem ensaiados. É um show teatral, emocionante e contagiante. A Florence Welch ao vivo é um fenômeno e encanta todos os fãs e não fãs. Todo mundo parece que foi pra frente do palco principal na hora do show dela. Realmente é uma artista enorme e cheia de história e músicas boas, que merece ser vista pelo menos uma vez na vida. Valeu o ingresso.

Apesar de ser um festival hypado e grande pros padrões finlandeses, o Flow entrega. Não é meu tipo de festival favorito, com mais selfies do que música, mas dependendo do line up, vale a pena ir. No domingo ainda teve Nick Cave, Geese e Lambrini Girls, mas minha energia não me permitiu ir dois dias seguidos. Mas se um dia quiser se planejar para um festival não tão gigante, que fica relativamente no centro da cidade, num lugar calmo e seguro, o Flow Festival é um festival a se pensar.
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