Logo ali

O Dinosaur Jr faz o básico em seu novo álbum, e é o que basta.

Não sei se seria imaginável um disco do Dinosaur Jr produzido por alguém como Rick Rubin. E isso realmente não aconteceu, mas J. Mascis, o vocalista e guitarrista do grupo, que geralmente é quem produz os próprios trabalhos, se valeu de uma informação que leu a respeito do incensado produtor: a de que Rubin sempre aconselhava as bandas a reouvir seus primeiros trabalhos quando estivessem se preparando para uma nova gravação.

Ok, é um conselho um tanto clichê, e sabemos o quanto Rick Rubin tem uma carreira carregada destes clichês, mas acho que Mascis também sabe disso e a seu modo se valeu pra promover um retorno às origens, mesmo que não possamos dizer que o Dinosaur Jr tenha exatamente saído tanto da rota ao longo de sua existência.

Mas There Near, o novo álbum é mesmo um pouco mais lo-fi do que seus antecessores, com aquela cara de ensaio, plugar os instrumentos, contar até três e sair tocando. O foco é mais voltado às harmonias muito bem executadas, os solos sempre criativos – esse o ponto mais forte – e os vocais despojados.

O disco abre muito bem com Several Got Away, powerpop de responsa, e na segunda faixa, No Friends, o jogo já parece ganho para o trio. Se J. Mascis faz solos primorosos, também dá pra dizer que as linhas de baixo de Lou Barlow mantém o nível, especialmente em Read the Room e Everything at Once. Barlow ainda se destaca com suas composições No One’s Ready e Blowin’ Up, adicionando um pouco de inconformismo político na temática do disco (e mais belas linhas de baixo). Como não podia deixar de ser em um trio, a bateria de Murph funciona como “cola” para tudo isso aí.

Ainda sobre a encucação de J. Mascis com o “conselho” de Rick Rubin, o guitarrista foi atrás de comprar o mesmo amplificador com que gravou no disco de estreia do grupo, de 1985. Parece que essa coisa de vintage às vezes dá certo.

Ouça na sua plataforma favorita: