
Ouvindo o novo disco do Chat Pile chamado Who Loves the Sun, tive uma sensação estranhamente familiar de estar de volta pra 1996. Só que muito mais barulhento. Se o Korn tivesse crescido ouvindo mais noise rock e menos groove metal, o Follow the Leader provavelmente soaria parecido. É aquela mesma raiva contida, o mesmo groove pesado, só que muito mais sujo, mais experimental, menos preocupado em soar radiofônico pra um clipe da MTV.
O Chat Pile é uma banda de Oklahoma City que vem construindo uma reputação sólida de sludge/noise rock sujo e obcecado com decadência urbana. Seus discos anteriores já foram ótimos, e a gente já sabia mais ou menos o que esperar do Who Loves the Sun. Talvez esse disco seja um pouquinho mais melódico, mas sem deixar de lado as coisas boas e a grosseria dos seus riffs e sua gritaria.
O disco tem groove, tem refrão marcado, mas sem largar o som quase industrial que sustenta tudo por baixo. “Deep Blue” carrega um riff hipnótico e simples que sozinho já sustentaria a faixa inteira. “Same Rules” flerta com uma batida meio trip-hop e um baixo distorcido. A segunda metade do disco fica mais brutal, com a banda inteira gritando junto numa mistura perturbadora e divertida ao mesmo tempo.
O disco fecha com “October All the Time”, uma faixa que começa só com violão acústico, criando uma curiosidade que talvez acalme na audição, até a gente tomar uma porrada na orelha com o peso característico da banda.
No fim, Who Loves the Sun é o tipo de disco pesado e barulhento que muita gente gosta de dizer que não entende nada, mas nas suas entrelinhas e detalhes, tem estrutura de canção com refrões marcantes. Se você também sente saudade daquele nu-metal mais sujo dos anos 90, mas quer algo que soe atual, cru e genuinamente incomodado com o mundo de hoje, é nesse disco aqui que sua procura vai terminar.
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