Michelle Branch & New Radicals em 2026 com uma música de 2002

"The Game Of Love" não tem Santana, mas tem mais um capítulo da teoria de que só nos restou voltar no tempo

Tem música boa lançada nos dias de hoje. Aqui mesmo, neste site, listamos opções frescas de material atual dignas de respeito. A roleta continua girando, ainda que a retenção de atenção não seja a mesma que num passado recente e talvez aí esteja o desafio da produção cultural contemporânea de criar novos clássicos: não porque não sejam geniais, mas por não terem à disposição a mesma oferta de contemplação.

Quando “The Game Of Love” saiu há 24 anos, co-escrita pelo vocalista do New Radicals e interpretada pela srta. Branch enquanto Santana pincelava cada estrofe com seu timbre inevitável, as conexões eram, digamos, mais poderosas. Viver o momento não demandava registro imediato e compartilhamento egóico, dava tempo das experiências serem absorvidas por completo e criarem raízes difíceis de serem arrancadas por algoritmos traficantes de dopamina.

Um pouco antes disso, Gregg Alexander tocava o terror no shopping center com “You Get What You Give”, deixando mais um registro profundo naquela geração que respirava a liberdade analógica de criar memórias no data center cerebral.

Agora, ele e Michelle se juntam pra gravar uma versão de The Game Of Love o mais próxima possível da original e a reação é a de sempre: máquina do tempo. Todo mundo levantando os olhos diagonalmente pra cima e capturando memórias instantâneas. Até os mais esquecidos conseguem reproduzir de maneira fotográfica tudo o que viveram pelo simples advento da música e do contexto extinto de existência daquela época de baixa resolução mas altíssimo pertencimento.

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