Debbie Harry não pediu licença pra virar rainha

Tem gente que nasce pronta. Debbie Harry não. E isso é o melhor detalhe da história dela.

Debbie Harry nasceu Angela Trimble, em Miami. Com três meses foi adotada por Richard e Catherine Harry, que trocaram seu nome pra Deborah Ann Harry. Cresceu em Hawthorne, Nova Jersey, cantando em coral de igreja, sendo a menina que preferia andar com os meninos. Nada ali anunciava a mulher que ia ajudar a inventar a New Wave.

O que gosto nessa história é que ela é a prova viva de que vida não é corrida de velocidade e nem tem linha de chegada. A Debbie largou faculdade, foi pra Nova York, trabalhou como secretária na BBC, foi garçonete no Max’s Kansas City servindo gente como Miles Davis e Janis Joplin, virou coelhinha da Playboy. Só foi montar a Blondie com 31 anos. Idade que pra Gen Alpha é o fim da vida. Se ela tivesse comparado sua vida com a de alguém que “já tinha tudo resolvido aos 23”, talvez a gente nunca tivesse ganhado “Heart of Glass”.

A indústria tentou reduzir ela a rosto bonito o tempo inteiro. Reviews de disco falando mais da beleza dela do que da música. Fotos vazando sem consentimento, com a gravadora mentindo sobre o que ia ser publicado. E ela sempre foi clara sobre isso. O problema nunca foi sexo vender, o problema era não pedirem licença. Essa distinção parece pequena, mas é o tipo de coisa que separa uma mulher que teve controle da própria imagem de uma que só foi usada.

Enquanto todo mundo tentava colocar a Blondie numa caixinha, ela e a banda estavam misturando reggae, disco, funk, rap, o que desse na telha. “Rapture” fez a Debbie ser a primeira artista a chegar no topo das paradas fazendo rap. Isso em 1981. O rolê aleatório musical que a gente elogia tanto hoje em dia, ela já fazia há mais de 40 anos.

Teve turnê cancelada por causa de doença grave do Chris Stein, teve fim de banda, fim de relacionamento, teve até uma carona que ela jura ser do serial killeter Ted Bundy. Ela perdeu a mansão, perdeu a gravadora, voltou pra cena décadas depois com o mesmo grupo e ainda emplacou “Maria” no topo das paradas do Reino Unido com 53 anos. Recorde de artista mais velha a conseguir isso até hoje.

Debbie Harry nunca foi só a loira do Blondie. É ativista, é atriz, é capa de trabalho do Andy Warhol, é a voz que você ouviu sem saber na central de táxi do GTA Vice City. Ela escreveu um livro de memórias, o Face It, que recomendo pra quem quiser entender a mulher por trás da lenda.

No dia 1º de julho comemoramos aniversário de 81 anos dela. E a Debbie faz questão de provar que reinventar a própria carreira não tem prazo de validade.

Feliz aniversário, Debbie. Nós amamos você. Obrigado por existir.


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