O melhor vocalista que o Angra (ainda) não teve

Kiko Loureiro abriu o mar vermelho de cantores e elevou a interpretação dos clássicos da banda brasileira com um convidado improvável

No último dia 8, celebramos 7 anos sem André Matos e o pau que rola nas redes sociais desde a sua saída do Angra é o legado dos vocalistas dentro da banda que gera mais conteúdo no Brasil que a reforma da Mayra Cardi.
Com Rafael Bittencurt se virando para estruturar formações, o posto de frontman nunca foi uma unanimidade, até porque é muito difícil substituir um maestro. Mesmo assim, Edu Falaschi e Fábio Lione conseguiram manter o motor funcionando e, mais do que isso, lançar novos clássicos de suas respectivas fases. Rebirth, Temple of Shadows e Cycles of Pain renovaram o espírito dos fãs que já estavam se acostumando com o direcionamento tomado pela terceira geração.

Eis então que o Lione anuncia sua saída, Alírio Neto (que sempre esteve rodeando os bastidores pleiteando uma vaga de sucessão) finalmente entra e a discussão parece ter um capítulo definitivo. Os shows do Bangers e do Espaço Unimed mostraram uma performance segura/histórica, inclusive resgatando o piano no palco com a empoeirada “Wuthering Heights”.

Mas aí o senhor Kiko Loureiro apresenta um fato novo completamente inesperado para além das barreiras do rock cristão, white metal ou gospel contemporâneo: em suas turnês solo, ao lado de praticamente 60% do Angra, o guitarrista inclui Mauro Henrique para os vocais e o resultado é absolutamente épico. A interpretação do ex-Oficina G3 para “Rebirth” trouxe algo que nenhum outro cantor conseguiu imprimir, nem mesmo Nuno Fernandes. A fronteira de estilos se partiu e abriu sorrisos que não se viam desde o Holy Land. Já tem criança de colo pedindo disco de estúdio e parceria com Guilherme de Sá.

A real é que até então ninguém tinha visto nomes como esses interpretando Angra. O Mauro não apenas seguiu as linhas da música original como também conseguiu a rara façanha de fazer parecer que a canção deveria ser cantada exatamente da forma que ele cantou. Talvez pelo equilíbrio do drive, talvez pela sustentação da voz de cabeça, talvez por ser uma espécie de Russell Allen brasileiro.

Impossível não imaginar como ficariam hinos de André e de Fábio. Impossível não imaginar como demoraram tanto pra promover esse tipo de união de mundos.

Justo agora, hein Alírio?


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