
Todo fã de K-pop conhece e ama (ou deveria) o gigante grupo feminino da 3ª geração, Red Velvet. Já veterano, o quinteto se divide em lançamentos solistas a alguns anos. Depois da subunit Irene & Seulgi reunir as principais integrantes do grupo em um projeto específico, 2026 marca o debut de Irene como solista, com o competente Biggest Fan.
A líder do Red Velvet aparece modificada (até fisicamente), e entrega um álbum que passeia por estilos do pop com uma destreza impressionante. O disco tem sido categorizado como retro synth-pop, e é exatamente isso o que se apresenta em canções como Don’t Wanna Get Up (que cairia bem até na voz de uma Madonna), Million Miles Away, MTV (My Timeless Video) e outras. O trabalho tem espaço para uma balada bem tradicional (e meio brega), Love Can Make a Way, e canções com uma roupagem mais moderna, como Black Halo.
Mas o que mais impressiona no trabalho, guardada toda a diversidade que o disco inevitavelmente encerra, é a capacidade dele de ser simplesmente … pop. A faixa título entrega isso de forma impressionante. Estrofe-Pré-refrão-Refrão-Ponte. Estrutura clássica, refrão cativante e assobiável, arranjo simples e synth-pop – tudo muito direto e reto. Sem rodeios. Irene desafia o irritante status de simulação de complexidade do “poptimismo” contemporâneo, com um álbum que não quer ser nada além do que ele apresenta em sua camada mais acessível.
É claro que, além dessa linguagem estética musical não tergiversante, o disco reforça tais propostas em seu conceito: o de abordar a ideia de fandom não como algo a ser nutrido de forma doentia e perversa, mas como uma espécie de espelho. “I’m your biggest fan / You’re my biggest fan”. Há uma via de mão dupla sugerida aqui. Isso toca em uma faceta muito maluca do K-pop, que só quem mergulha nas entranhas do contexto consegue entender: se todo mundo é Idol, o que significa, exatamente, ser um Idol? Irene mata a questão no peito e provoca: eu sou sua maior fã.
E eu sou o seu, Irene.



