
Vamos voltara para 2006. Wolfgang Van Halen, filho da lenda Eddie Van Halen ainda tem 16 anos e está no palco do Van Halen Reunion Tour, na frente de milhares de pessoas, tocando baixo numa banda que carrega o sobrenome da família. A imprensa especializada espera o pior. Um jovem mimado e despreparado, uma jogada de marketing sentimental, o filho do gênio fingindo que sabe o que está fazendo. O que eles viram foi outra coisa. O moleque é brabo mesmo.
A crítica da cultura “nepo baby” existe por uma razão válida. Há filhos de famosos que chegam onde chegaram por jogarem o jogo da vida no modo fácil. É como começar uma corrida com voltas de vantagem. Há uma indústria inteira de portas que se abrem para sobrenomes e se fecham para talento. A crítica é justa. Mas será que dá pra passar pano pra alguns? Na minha humilde opinião, quando falamos de Wolfgang Van Halen, eu passo pano sim. Ele não usou o pai e o tio como atalho, ele usou o pai e o tio como escola.
Cresceu dentro de um estúdio. Aprendeu instrumentos desde que tinha altura suficiente pra alcançar o braço de uma guitarra. Quando Eddie o colocou na banda, não foi um gesto apenas de nepotismo, foi o reconhecimento de que o filho era o músico certo daquele momento. Quem discorda, veja as gravações do tour. Quem ainda discorda que explique o por quê.
Em 2021, com o pai morto há menos de um ano, Wolfgang lançou o Mammoth WVH. Sua própria banda, seu próprio disco, todas as faixas gravadas por ele mesmo. Guitarra, baixo, bateria, vocais. Sem Eddie. Sem o Van Halen original. Só ele e o trabalho. O álbum estreou muito bem e não foi pelo sobrenome. Só sobrenome não toca instrumento, não entra no estúdio, não reescreve um refrão, ou regrava um take que ainda não tem o sentimento correto.
Antes do disco, veio a belíssima música chamada Distance. Música que ele escreveu vendo seu pai se despedindo do mundo. Música que ele fez e ainda deu tempo do seu pai ouvir. Uma música sobre perda que não pede licença pra emocionar. Que dispensa contexto familiar pra funcionar. Que existe por conta própria, como obra, como documento de um filho que amava o pai e sabia que o tempo estava acabando. O clipe é daqueles que acabam com os lenços da caixinha. O final com o recado de voz… esse machuca.
Tem uma diferença grande entre herdar uma oportunidade e herdar apenas um nome. Muita gente herda a primeira e desperdiça. Wolfgang usou a oportunidade para se desenvolver e se emocionar e jogar pro mundo suas ideias. Em uma entrevista ele fala que essa conexão musical com seu pai é uma dádiva e uma ferida ao mesmo tempo. A conexão é pra sempre, mas cada nota lembra da saudade.
Completando 35 anos essa semana, Wolfgang Van Halen já tem uma carreira que se sustenta sozinha. Tem fãs que descobriram o Mammoth WVH sem nunca terem ouvido Jump. O sobrenome abriu a primeira porta? Certamente. Mas porta nenhuma toca o instrumento pra você.
Feliz aniversário, Wolfgang. Continue sendo esse cara maneiro que você é. Vamos acompanhar a jornada de Wolfgang ouvindo seu projeto Mammoth.
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