Muito mais do que o silêncio quebrado

Beyond The Black aproxima o metal sinfônico do cotidiano e faz ouvintes casuais se tornarem adoradores do estilo

No Olimpo das deusas metaleiras sinfônicas, é comum ver uma gigante mesa de café da manhã compartilhada por Doro Pesch, Tarja Turunen, Floor Jansen, Simone Simons, Charlote Wessels e outras heroínas supremas neste comercial de margarina semigótico.

E onde está Jennifer Haben? A cantora que desde 2014 leva o Beyond the Black para uma viagem vertical a esse paraíso já tem mais do que asas e outros atributos para figurar com tranquilidade entre as divinidades do gênero. Break The Silence é essa chave mestra, que a leva junto com a banda à adoração merecida por tantos anos de contribuição ao metal alemão.

O álbum ousa em carregar os elementos da cena e salpicar um pop sutil nas composições, dando muito orgulho ao Evanescence de 2000 e ao Nightwish de 2017. Os refrões grandiosos e melodias cativantes transitam entre passado e presente, como se fizesse o ouvinte vestir túnicas medievais junto com um Vans UltraRange.

Ainda que “Ravens” tente roubar a atenção e a faixa-título os coloque num lugar seguro porém irresistível, o disco oferece uma competição agradável de qual música vai virar inesquecível, justamente por essa dualidade temporal das faixas. Enquanto“(La vie est un) Cinéma” traz o coração para a batida moderna, o frescor digital em francês, “Let There Be Rain” arrasta as emoções para o clássico, com um coral cantando em macedônico.

Break The Silence é mais do que o silêncio rompido por um material protocolar. É um trabalho que consolida o Beyond The Black dentro da sua cena e deixa escorrer um pouco dessa voz para além daquele Olimpo inalcancável. Uma raridade digna de se colecionar, adorar e demais ações que deuses estão acostumados a receber mesmo em dias atuais.

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