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	<title>música Archives - Silêncio no Estúdio</title>
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	<title>música Archives - Silêncio no Estúdio</title>
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		<title>Eu não quero mais ouvir música</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A big tech venceu. Eu cansei. A música acabou. </p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-153553621" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-1024x1024.png 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-300x300.png 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-150x150.png 150w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-768x768.png 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-1536x1536.png 1536w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-2048x2048.png 2048w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lastfm-album-quilt3-600x600.png 600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Esse é meu &#8220;quilt&#8221; do last.fm dos últimos 180 dias. Vocês podem achar que são álbuns, mas são apenas quadradinhos digitais diagramados em uma tela</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O Silêncio no Estúdio praticamente nasceu a partir de um questionamento fundamental: como ouvimos música hoje? Bruno Leo, com sua perspicácia de sempre, fez lá atrás, em 2018, uma pergunta que me persegue até hoje: &#8220;onde estão minhas músicas?&#8221;. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente escrutinou, a partir disso (em textos, podcasts, etc, etc), os novos hábitos de escuta musical. Mas as coisas só pioram, ano a ano. </p>



<p class="wp-block-paragraph">As plataformas não apenas redesenharam a escuta, mas alteraram a própria <em>ideia </em>de música em sua dimensão mais fundamental. E mesmo a gente aqui, que sempre defende a escuta atenta, as listas, as mídias físicas e os espaços coletivos de compartilhamento da experiência musical, está sujeito aos hábitos restritivos e enclausurantes das plataformas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante das nossas listas de fim de ano (que começamos a fazer em 2018), eu consegui recuperar um hábito que comecei pelos idos de 2007: o de sempre adquirir mídias físicas dos meus álbuns favoritos do ano. Até 2021, mais ou menos, consegui fazer isso. Tenho aqui, por exemplo, o New Long Leg do Dry Cleaning em CD – meu disco favorito daquele ano. Mas vocês sabem o que aconteceu de lá pra cá, né? A pandemia fudeu a cadeia global de valor. Os preços (até dos CDs) foram parar nas alturas. Hoje, para eu adquirir, digamos, o Diamond Jubilee, da Cindy Lee (meu disco favorito da década, simplesmente) isso me custaria pelo menos 200 mangos. Não, eu não tenho essa grana sobrando. E não tô fazendo cosplay de pobre ao afirmar isso. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessa palhaçada, a imposição da plataformização segue firme. Os discos vão saindo, eu vou &#8220;salvando-os&#8221; na biblioteca digital da &#8220;minha plataforma favorita&#8221; (que na realidade não é favorita, é apenas a única que eu consigo suportar). Salvo as coisas também na wishlist do Bandcamp, sem nunca conseguir comprar quase nada. E segue tudo ali: preso nas bibliotecas virtuais. O Bandcamp, inclusive, que eu promovo tanto como alternativa viável, acaba funcionando também como plataforma. Você só salva discos e os reproduz em streaming. Para qualquer coisa além disso, é necessário comprar os álbuns. E tá certo pagar pela música que você ama (sempre defenderei isso, como músico também). Mas quem é que tá dando conta de manter bibliotecas pagas em pleno 2026?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem heróis e heroínas que estão voltando a baixar músicas (pagas ou não) e colocando-as em seus novos mp3 players (Márin, essa é pra você, querida). Eu provavelmente retomarei esse hábito assim que deixar de estar tão pobre. Mas o ponto aqui é que: não é sustentável manter esse hábito quando, supostamente, há tanta coisa para ser ouvida. Neste aspecto, teremos que seguir descobrindo música pelas formas mais diversas (e via plataformas) para ao menos conseguirmos executar filtragens viáveis, confiando em nossos curadores, mídias e amigos assertivos (aqueles que mandam um: &#8220;você vai AMAR isso&#8221;, e você acaba, realmente, amando). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Voltando à lama da plataformização, termino com um breve relato dos últimos dias; depois de um hiato da audição musical em função da Copa do Mundo (respeitem meu hiperfoco), quando finalmente me voltei aos lançamentos &#8220;perdidos&#8221;, notei que estão todos lá trancafiados digitalmente na minha biblioteca do Music e do Bandcamp. Sabe qual a vontade que estou de &#8220;recuperar o tempo perdido&#8221;? Essa mesmo. Nenhuma. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Fui fazer um levantamento (só à título de curiosidade mesmo) e vi que, dos últimos 180 dias (6 meses, para os leigos em matemática), eu ouvi pouco mais do que 25 discos. Vários em CD, outros em vinil, o resto no Bandcamp. Poucos lançamentos. Alguns clássicos que amo e preciso revisitar, e pouquíssimas novidades excitantes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas eu sei que elas estão por aí, e que eu vou superar meu asco e encarar as bibliotecas digitais pra ouvir as músicas incríveis de 2026. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Por ora, só gostaria de compartilhar que a plataformização é um câncer. Um encarceramento em hábitos que ninguém pediu pra adquirir. Um processo que retira nossa agência, e que nos submete ao mediador (a plataforma) mais do que ao objeto que ele se propõe a mediar – nesse caso a música, mas poderia ser a comida, a compra, o contato humano, o transporte, etc, etc. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, resta sonhar com o momento em que ouvir um álbum novo não passe por tirar um smartphone do bolso no meio da rua. E o faremos. Novos hábitos, mais saudáveis e respeitosos à própria música, surgirão das nossas mentes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque, no fim das contas, nós amamos demais a música, não é verdade?</p>



<p class="wp-block-paragraph"> </p>
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		<title>&#8220;Em algum lugar essas palavras existem&#8221;</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/em-algum-lugar-essas-palavras-existem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[linguagem]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[patos]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ou: sobre patos e perdas. IA e poemas de verdade. </p>
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<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1024" height="768" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capi_2fed5f983d01eed3f20f3fd1f27e023d_bcf505cfe6d151a3b95840b5191c9bcf.jpeg" alt="" class="wp-image-153552361" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capi_2fed5f983d01eed3f20f3fd1f27e023d_bcf505cfe6d151a3b95840b5191c9bcf.jpeg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capi_2fed5f983d01eed3f20f3fd1f27e023d_bcf505cfe6d151a3b95840b5191c9bcf-300x225.jpeg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capi_2fed5f983d01eed3f20f3fd1f27e023d_bcf505cfe6d151a3b95840b5191c9bcf-768x576.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Ou: sobre patos e perdas. </em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Por mais incrível que isso possa parecer, outro dia li um tweet que me marcou. Me fez refletir tanto sobre a morte da linguagem que todos parecem abraçar, quanto sobre a impossibilidade de matá-la, no fim das contas. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="305" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-36-1024x305.png" alt="" class="wp-image-153552363" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-36-1024x305.png 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-36-300x89.png 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-36-768x229.png 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-36.png 1170w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">É só simbólico, no entanto. A alucinação que a IA consegue replicar não é a &#8220;boa&#8221; alucinação humana. Aquela que, quando parei pra pensar, notei que constitui o cerne da nossa linguagem. A espinha dorsal da poesia, inclusive. Imediatamente, lembrei-me desse <a href="https://open.substack.com/pub/cronistacroniqueiro/p/nao-ser-bramane?utm_campaign=post-expanded-share&amp;utm_medium=web">belo texto</a> (que inclusive inspirou meu <a href="https://silencionoestudio.com.br/2016-foi-uma-merda-voces-estao-loucos-ou-so-se-fazendo/">exercício sobre 2016</a>). Nele, o Cronista compila diversas expressões humanas tentando dar conta do sentimento de perda*. Alguns desses trechos são do belíssimo <em>A Guerra Não Tem Nome de Mulher</em>, de <em>Svetlana Aleksiévitch</em>, que compila centenas de relatos das mulheres soviéticas na II Guerra Mundial. Um destes relatos é muito tocante, pois truncado e honestamente vago. &#8220;Em algum lugar essas palavras existem… É preciso um poeta… Como <em>Dante</em>…” – <em>Anna Pietróvna Kaliáguina</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acontece que as palavras, essas danadinhas, nunca darão conta de exprimir exatamente tudo o que é sentido por nós, humanos. Nenhuma linguagem, aliás, é capaz de exprimir <strong>exatamente</strong>. Ela apenas representa. E é justamente a forma de representar que pode nos afastar ou aproximar de determinado fenômeno. <em>Anna Pietróvna</em> invocou a poesia. E essa é cheia de nuances e contradições. Quanto mais vaga, mais certeira ela parece. Eu, diante do maior luto que já vivi, recorri a imagens simples em <em>Como Um Rio</em>, da <em>Paira</em>. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ninguém quis ficar e ninguém saiu<br>Longe e cheios como um rio<br>Agora é muito tarde pra recuperar</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O dia clareou<br>E eu quase não dormi<br>Tudo vazio</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estava tudo vazio, mas estávamos longe e cheios (como um rio) Contradições. É também o &#8220;quase&#8221;, do &#8220;quase não dormi&#8221; que me balança. Eu não tinha como exprimir o vazio, a dor, a perda. Mas podia tentar criar uma imagem: estar em algum lugar sem querer, sem poder sair. Estar cheio de dor, mas inerte. Quase dormir, quase viver. Apenas seguir. Alguns disseram que isso era boa poesia. O que eu precisei, depois, foi descobrir o porquê. Imediatamente já fui levado a outro texto (esse ainda não publicado), também sobre perdas, sobre os &#8220;vazios&#8221;. Este começa assim:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Quando venho ao Parque Municipal para sentar perto dos patos, encontro um ou outro respirando em ritmo de descanso, com apenas um olho aberto.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não sabia disso, mas acontece que patos dormem com um olho aberto, para poder fugir se detectarem uma ameaça. Vêm e vão, neste ritmo entre descanso e vigília, como guardiões das idas e vindas. Certamente reagem melhor do que nós quando têm que abandonar algo. O ponto aí é que os patos suscitam diversos sentidos (como um &#8220;quase&#8221;, ou como um rio). Em outro exercício ficcional, são eles que desencadeiam as crises de pânico de <em>Tony Soprano</em>. Sua psiquiatra diz que eles representam o medo de perder sua família. Mas isso é simplista. A grande fascinação que a passagem dos patos em <em>Os Sopranos</em> nos provoca é, justamente, nunca a entendermos direito. Precisamos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não. E sequer precisamos nomear tanto as coisas. Os signos só precisam ser inteligíveis quando precisamos dar direções, explicar conceitos, e coisas assim. Em poesia, nosso único caminho é um tipo de alucinação. Mas um tipo muito específico, distante do da IA. Uma alucinação que, diante do sentimento mais forte, sabe que não pode descrevê-lo, então parte para uma espécie de fuga. Tenta criar fissuras na linguagem, apostando na vagueza como recurso para levar o leitor àquele sentimento. É responder à dor com patos, por mais absurdo que isso possa parecer. Em algum lugar, as palavras existem. Ainda que sejam palavras tão distantes (e, até, desconectadas) da &#8220;coisa em si&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você escreve um <em>prompt</em> para uma máquina fazer isso por você, você está morto por dentro.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">*Esse texto alugou um <em>triplex</em> na minha cabeça. Após muitas descrições, super comoventes (como a de <em>Anna Pietróvna</em>), o autor lança um parágrafo de ChatGPT que faz um resumo mecânico, descritivo e pobre da &#8220;essência&#8221; dos depoimentos que o texto compila. Há um choque que a linguagem do robô produz. O texto da IA deixa bem claro que ainda é necessário ter uma alma para se produzir alguma coisa que preste. Que bom. </p>
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		<title>A geração Z está ficando velha. Envelheceu antes dos nossos sonhos</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/a-geracao-z-esta-ficando-velha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2025 15:03:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Será que algum rapaz de 20 anos vai telefonar / na hora exata em que ela estiver com vontade / de se su1c1d4r??</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="640" height="480" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/pudim.jpg" alt="" class="wp-image-153550646" style="width:670px;height:auto" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/pudim.jpg 640w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/pudim-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /><figcaption class="wp-element-caption">Entendedores entenderão</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não sou zoomer. Mas de alguma maneira, por estar na web desde os meus 12 anos, eu entendo algumas coisas que acometem hoje esta geração, agora adulta. Fui cronicamente online antes da expressão existir, e vi de camarote toda a trajetória de derrocada da web – de espaço praticamente utópico de circulação e construção de conhecimento a um emaranhado de oligopólios poderosíssimos. Há um texto recente da 300 Noise que elabora sobre esse assunto de uma maneira que não elaborarei aqui. <a href="https://300noise.substack.com/p/a-gen-z-e-a-descentralizacao-do-consumo?r=d6tfn&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;triedRedirect=true">Corram lá.</a> </p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre este <strong>emaranhado</strong>, acho que a palavra é super adequada. Eu resolvi fazer um doutorado sobre a trajetória da web, desde seus primórdios, e meus primeiros achados são perturbadores. Eu até fiz um grafo para tentar ilustrar o problema. Nós estamos bem ali no meio, enredados em uma teia costurada pelas Big Five (ou GAFAM – Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft). </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="724" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Topologia-Geral-Internet-2025_2_Pagina_1-1024x724.jpg" alt="" class="wp-image-153550647" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Topologia-Geral-Internet-2025_2_Pagina_1-1024x724.jpg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Topologia-Geral-Internet-2025_2_Pagina_1-300x212.jpg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Topologia-Geral-Internet-2025_2_Pagina_1-768x543.jpg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Topologia-Geral-Internet-2025_2_Pagina_1-1536x1086.jpg 1536w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Topologia-Geral-Internet-2025_2_Pagina_1-2048x1448.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Agora que você visualizou o problema, podemos prosseguir </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mas no que isso afeta a nós, produtores e consumidores inveterados de música? Como o texto da 300 Noise bem nos lembra, <em>&#8220;Houve um tempo em que selos musicais eram pilares da música independente e uma resistência contra o mercado estabelecido por gravadoras&#8221;</em>. Agora não há nenhum espaço, dentro do emaranhado ilustrado acima, para algo que seja &#8220;resistente&#8221;, ou &#8220;independente&#8221;. Tudo o que é colocado na internet será monetizado, dentro de uma estrutura totalizante. Seu som pode ser independente. Mas, colocado em uma plataforma que vive de extrair dados dos usuários e de modificar seus comportamentos a ponto de torná-los dependentes dela, ele é apenas um pedaço de informação incorporado à uma indústria cujo produto não é (ironicamente) o conteúdo publicado – e, antes que alguém caia no clichê do &#8220;você é o produto&#8221;, saiba que também não é bem assim. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O produto é o tempo que você despende scrollando. É isso o que produz valor – não a publi, a campanha ou algo do tipo, mas a sua presença online em uma plataforma qualquer. Ou seja, antes de <strong>consumir</strong> conteúdos nas plataformas, você basicamente <strong>trabalha</strong> pra elas. Isso dá uma bugada na mente, mas não tem como conhecer O Capital de cabo a rabo e não chegar a essa conclusão. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Só que isso não quer dizer, como venho falando aqui até babar, que não exista mais o independente, o alternativo, ou o artisticamente desafiador e relevante. A questão é que tudo isso existe em uma enorme nuvem que não distingue uma coisa da outra. E que, como bem falamos aqui sem parar, você não é mais dono de nada. A gen Z já deve ter se acostumado com isso. Você basicamente aluga o que quer ouvir, até que aquilo simplesmente deixe de estar disponível – nos últimos tempos, dois baluartes do independente já pularam fora do <em>Spotify</em>: <em>Xiu Xiu</em> e <em>Deerhoof</em>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No encerramento da disciplina &#8220;Clube do Disco&#8221; eu escrutinei minha coleção de CDs e, para surpresa de ninguém, notei que 95% do meu acervo foi adquirido até 2009. São raros os meus CDs de bandas atuais – como já falei em meu texto anterior desta coluna, conseguir estes CDs hoje em dia não é nada fácil. No entanto, não é que não existam bandas neste período do meu &#8220;apagão discográfico&#8221; que podem ficar pra história, resistindo à efemeridade de tendências. Comecei a fazer um levantamento de artistas e bandas surgidas após 2010, ou que construíram suas discografias essenciais entre 2010 e 2025, e a lista já conta com mais de 20 nomes. Em breve publicarei isso por aqui. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema posto, portanto, não é apenas geracional. Mas esbarra em uma encruzilhada que se abre diante da geração que já envelhece, e começa a se sentir destituída, desorientada e eternamente cansada. A geração Z pode ser aquela que vai abraçar novamente a pirataria, as ruas, os encontros presenciais, e começar a produzir &#8220;apagões offline&#8221;, mas também pode ser aquela que irá sucumbir definitivamente diante da nova ordem. Eu sempre vou botar as minhas fichas na juventude. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E para não dizer que esses meus textos estão muito densos e catastróficos, vamos terminar com a bela referência que inspirou o título. Divirtam-se. </p>



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<iframe loading="lazy" title="Brigitte Bardot" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/ntaKMHCE3B0?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



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		<title>Grammy: o eufemismo estadunidense da música</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/grammy-o-eufemismo-estadunidense-da-musica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Brunno Lopez]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Feb 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[clube da esquina]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[grammy]]></category>
		<category><![CDATA[milton nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[premiação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como o país que só premia o próprio umbigo pode julgar o que se deve ouvir?</p>
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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/02/grammy.jpg" alt="" class="wp-image-153548894" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/02/grammy.jpg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/02/grammy-300x169.jpg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/02/grammy-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A ignorância daqueles que nascem entre o Canadá e o México não deveria causar espanto pra ninguém. No campo cultural, isso fica ainda mais escancarado que a rejeição de Elon Musk no colégio por parte do público feminino. Os sobrinhos do Tio Sam juram que suas produções musicais, cinematográficas, esportivas e até inventivas — corta para o Santos Dumont dando um rasante na cabeça dos Irmãos Wright —, são a base para qualificar qualquer coisa mundialmente.<br><br>Isso é um problema? Não deveria ser. <br>Mas a partir do momento que outras pessoas dão atenção a esse tipo de validação para passar a consumir algum artista ou obra, torna-se um gigante problema.<br><br>O Papa fica no Vaticano, mas por quê se pede bençãos para um gramofone dourado? O disco do ano realmente precisa falar inglês? Toda a produção musical está eternamente obrigada a passar pelo escrutínio da subjetividade norte-americana?<br><br>Como é minimamente possível dar importância para uma nação em que a equipe que vence a NBA é chamada de Campeã Mundial? World Champions In the House of The Caralho, né?<br><br>A arte não precisa ser vista sob esse guarda-chuva, não precisa ser esmagada para caber dentro desse padrão ocidental de qualidade. Existem gênios criando legados em estúdios colombianos, praças senegalesas e esquinas brasileiras. Esquinas como aquela em que Milton Nascimento fez mais do que canções, mas um movimento musical. <br><br>Quem é LA perto de BH?<br><br></p>



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