
Tenho estado convicto e expressado por aqui que 2026 é um ano punk, e consequentemente um ano do punk, o que já desenha como vai ficar a minha lista de melhores discos deste ano.
Talvez Vaho, disco recém-lançado do quarteto chileno Asia Menor, seja encarado pela crítica musical como digno da prateleira do pós-punk, esse jeito fácil de classificar coisas que não têm apenas três acordes. Mas não é por aí.
Sucessor de Enola Gay, de 2023, Vaho é um disco cheio de pontas, difícil de encaixar num padrão. Declaradamente adepto de um processo de composição baseado no improviso, com divagações e palavras faladas sobre revolta, incerteza e certo tédio, sua audição exige certa paciência do ouvinte.
Talvez um outro fator impeditivo de se aceitar o álbum como punk é a observação de que a faixa mais curta tem quase 4 minutos, e a de encerramento, mais de 11. Mas isso faz de Vaho um disco de rock progressivo? De jeito nenhum.
Mesmo a faixa mais leve, Metal (que paradoxo!), não alivia muito para quem a escuta.
Se o processo de criação e gravação do disco não foi fácil, vale a quem se dispõe a ouvi-lo, o mesmo nível de esforço.



