
Tommy e Gina se uniram aos mais de cem milhões de adoradores do cantor de New Jersey para lhe desejar mais do que apenas felicidades por mais uma volta do que sobrou da Terra. Eles sabem que o sorriso lindo — porém amarelo — de um artista acostumado a passar mais tempo na estrada do que nos braços de Dorothea pode se transformar numa daquelas risadas espontâneas do Live From London, quando era 1995 e o mundo parecia se vangloriar de sua melhor forma como lugar no universo.
Se do lado esquerdo do peito de praticamente 98% da população bate um coração, do lado direito do palco está outro órgão tão importante quanto o incansável cardiovascular da anatomia humana: Richie Sambora. Desde 2013, todas as velas que Jon apaga vêm com o pedido melodioso de sua segunda voz no meio do bolo. Ao lado do guitarrista, ele, Tico, Dave e Hugh dominaram a cena do pós-Hard Rock oitentista, emendaram nos anos 90 e conseguiram, nos anos 2000, explodir novamente com uma fase distinta, dividindo a história da banda em duas e sendo igualmente relevantes em todas elas. “Livin’ on a Prayer” e “It’s My Life” são fundações profundas que impediram o colapso da banda até os dias de hoje, mesmo com os abalos sofridos com a saída e Richie e, um pouco antes, de Alec John Such.
Depois de What About Now e a sequência de discos razoáveis com o substituto Phil X, a sensação é que algo falta. Assim como Mike Portnoy para o Dream Theater, Richie Sambora é a peça vital de completude, aquela que quebra os protocolos formais da empresa de Jon, que influi rebeldia e protagonismo e que torna o Bon Jovi a potência que é, mesmo que não esteja mais ali.
Isso ficou claro com a apresentação no Rock and Roll Hall of Fame, com a formação original reunida num tributo aos velhos tempos e a exposição da química inegável dos 5 mais agregados. Valeu também como uma despedida para Alec que faleceria 4 anos depois.

Jon, em suas mais de seis décadas de vida, sabe que não existiria o Bon Jovi sem ele mesmo. O cantor sempre soube o que queria e foi atrás daqueles que pegariam o seu sonho e o levariam para uma realidade possível. Richie fez com que essa realidade fosse melhor do que sua própria imaginação. É por isso que, em certas bandas, alguns integrantes são responsáveis pela alma da estrutura, intangível por mais que seus sucessores sejam técnicos e carismáticos.
Parabéns Jon. Você inspirou gerações com seu timbre marcante e seus dois bons cortes de cabelo, como diz o Márcio Viana. Sua filantropia louvável, seus posicionamentos do lado certo da história são igualmente respeitados, assim como seu esforço para manter o Bon Jovi funcionando, até quando não podia mais ter o máximo de suas cordas vocais.
Em These Days, você diz que todos os seus heróis morreram. Mas a gente sabe que um deles ainda está vivo. É justo celebrar ao lado dele e de todos os fãs uma história ainda no presente.
Este é o presente. Queremos abrir.
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