A favor do Anti-Raso

Horney dá um susto no rock superficial e resgata a sensibilidade agressiva-melódica num EP que sabe impressionar

raremedia

A estética de VHS tem o poder de hipnotizar quem viveu aquela época e convidar quem não faz a menor ideia do que ela foi a desejar experimentar o paraíso analógico de sentir sem precisar compartilhar.
Com a crítica digital na ponta da língua, junto com um timbre que faria Megh Stock querer voltar aos palcos pra fazer um cover de “Mergulhar” com uma nova formação do Luxúria, o quarteto do Horney consegue o raro feito de não ter feito um trabalho passível de indiferença.
O EP não apenas existe, ele te obriga a descer os degraus até seu porão cheio de segredos esquecidos pela modernidade precoce.

Se Anti-Raso fosse lançado em 2000, Duda Maiolini estaria cansada de participar de infinitos programas da MTV, estreando o primeiro lugar do Disk ao lado da Sabrina Parlatore, explicando como transformou “Um pouco de calma, um pouco de alma” num hino de uma geração que ainda se vacinava com regularidade e tinha uma seleção brasileira de futebol com atletas capazes de praticar o esporte sem dividir o tempo com casas de apostas.

De “OFF!” até “Romântica”, Rafa Bello, Gabe Santolin e Duda Freitas criam bases acessíveis e energéticas para Duda brilhar com uma presença cada vez mais extinta no estilo. É o tipo de sonoridade que precisa exatamente do que a banda pede para ser apreciada corretamente: a desconexão. Segure o vinil, encare a fita K7 e tente descobrir o que as quatro músicas contam, apenas se permitindo conjugar um verbo de cada vez. No caso, apenas ouvir.

Nenhuma língua é tão gostosa quanto o português na boca certa e nos arranjos que abraçam cada palavra como se fosse uma despedida.

Ai de nós que somos românticos.

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