Como pode Suarez ser a melhor banda indie da história –

e ninguém saber disso?

Algumas caixinhas a gente não abre impunemente. A da banda argentina Suarez eu abri aqui em 2022, com uma resenha empolgada sobre seu álbum de 1996, Galope. E há muito mais de onde Galope saiu.

Na realidade, não em álbuns oficiais, que somam apenas quatro: Hora de No Ver (1994), Horrible (1995), Galope (1996) e Excursiones (1999). Mas em um conjunto que junta aos lançamentos oficiais alguns singles, compilados, EPs (dentre eles o maravilhoso 29:09:00, sobre o qual também já escrevi aqui) e esta coletânea impressionante de A-Sides e B-sides que eu indico hoje.

O grande “mal” de Suarez é, sem dúvida, ter nascido ao sul do Equador. Não fosse isso a banda certamente figuraria entre as maiores da história do indie. A trajetória descrita acima, assim como a de outras bandas seminais, como Pavement, percorre exatamente toda a década de 90 e, por suas características experimentais, o grupo argentino navega por praticamente todos os “sub” estilos associados ao rock alternativo noventista.

A banda começa com flertes com o shoegaze e o madchester (como em seu 1º single Brilla/Desmaya e na ótima Corazones En La Marea, do disco Hora de No Ver, presente em versão alternativa aqui), mas depois diversificam. Esbarram na inocência lo-fi de um Beat Happening, ou das Raincoats, mas também sabem mirar em climas stereolabianos (como fica mais claro a partir do Galope). Essa coletânea que destaco hoje abrange a fase inicial da banda, marcada por Brilla (apresentada aqui em suas duas versões), Desmaya, e algumas faixas demo que entraram como hidden tracks nos CDs da banda relançados nos anos 2000.

Alguns podem se questionar: mas, Vinicius, um compilado de demos seria um clássico? Ora, evidentemente. Por que não? Uma das coisas mais interessantes das bandas dos anos 90 difíceis de se conhecer no conjunto (Steleolab e Gorky’s são outras duas que tenho trazido aqui e que integram essa categoria) é que elas lançaram muito material espalhado; foram refinando canções ao longo de sua trajetória, gravando tudo em demos, compilados, lados B, etc, etc. Juntar isso tudo e apresentar no contexto do “conjunto da obra” me parece uma missão fundamental.

É evidente que essa dica de hoje fará mais sentido para quem já mergulhou no universo de Suarez. Mas mesmo quem não o fez ainda pode ser que se interesse pela banda, diante de elogios tão hiperbólicos quanto os que apresento aqui. E repito: Suarez só não é cravada como uma das maiores da história do indie porque nasceu ao sul do Equador.

ps. até onde eu sei, até hoje existia apenas UM link na web inteira sobre esse disco, com link para download, e o link de YouTube abaixo. Agora temos um texto no Brasil sobre essa raridade.

De nada.