Adentrando um sub-reino

Um dos grandes clássicos do movimento Udigrudi e da cultura recifense dos anos 70, No Sub-Reino dos Metazoários, de Marconi Notaro, merece ser conhecido por todos.

Uma das vantagens de não se conhecer tudo de música é sempre ter alguma descoberta de um clássico, digamos, “perdido” para apreciar.

Muito por acaso, na verdade procurando informações sobre um álbum icônico da psicodelia recifense, Paêbirú, de Lula Côrtes e Zé Ramalho, tomei conhecimento de outro clássico do segmento local, No Sub Reino Dos Metazoá​rios, do poeta e compositor Marconi Notaro, lançado em 1973.

Com participação dos músicos que dois anos depois fariam o clássico citado acima, o disco tem dez faixas em que somos apresentados a um caminho poético-musical com letras cheias de boas sacadas, a começar por Desmantelado, saga em ritmo de samba que trata da história de um jogador de bilhar viciado na bola 8, que escova os dentes com cerveja e se o taco fosse caneta, estaria formado.

Em Não Tenho Imaginação Pra Mudar De Mulher, o artista lida com a ansiedade em versos como “eu não queria nem nascer se não nascesse pra você” e “eu vou organizar um plebiscito, se disser não, eu não me cito”.

O som é uma miscelânea gravada com os recursos da época, mas não se engane achando que a qualidade da gravação seja apenas por falta de recursos: o disco é naturalmente cru, e assim o é também para representar o seu lugar no movimento Udigrudi, outro símbolo da cultura recifense dos anos 70.

Além dos citados Lula e Zé, o disco tem a participação do onipresente Robertinho de Recife, o que obviamente acrescenta e muito na visceralidade do álbum, especialmente em faixas como Made in PB, parceria de Marconi e Zé Ramalho.

Disco fundamental para entender o movimento e aguçar nossa curiosidade. Como é bom não saber tudo e sempre ter o que aprender!

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