Das trevas à luz

Aos 78 anos, Tony Iommi não precisa provar nada para ninguém. Mas isso não o impede de provar.

Tony Iommi tem 78 anos e já passou por poucas e boas desde começou nesse negócio de fazer música, desde uma mutilação em dois dedos num acidente de trabalho, que quase pôs tudo a perder bem no início de sua carreira musical até um linfoma em 2012, hoje em remissão. À frente do Black Sabbath, seu estilo na guitarra sempre foi uma referência como um dos grandes artífices do heavy metal.

Passada toda a sua fase junto à banda, e com a partida de Ozzy Osbourne e Ronnie James Dio, os dois principais vocalistas que estiveram à frente do grupo, Iommi segue com seu legado em seus álbuns-solo. Depois de uma estreia em 2000 com um álbum cheio de convidados, e mais dois discos com Glenn Hughes no vocal, desta vez o guitarrista se junta ao cantor norueguês Jørn Lande, ex-Masterplan neste novo disco, From the Dark, em que conta com a baixista Becky Baldwin (Mercyful Fate) e o baterista de estúdio Karl Brazil (que tem no currículo trabalhos com artistas pop como Robbie Williams e outros) para forjar seu som, que por vários momentos inevitavelmente soa como a banda de origem, sobretudo na fase com Dio, já que o timbre de Lande se assemelha muito ao dele, mas frequentemente também lembra o de David Coverdale e o de Bruce Dickinson.

No geral, me parece que o disco tende a pregar para convertidos, mas a presença de Lande é capaz de angariar novos ouvintes mais adeptos do power metal, apesar de o álbum passar longe dessa vertente.

De diferente, talvez a presença discreta de Brian May, amigo de longa data de Tony Iommi, fazendo o solo em Death Wake, mas ainda que seja um bom solo, não soa tão épico quanto os que May costumava aplicar nas canções do Queen.

O saldo, no fim das contas, é muito positivo, e From the Dark pode ser um dos grandes discos de música pesada do ano. Vale a ouvida.

Ouça: