
Minha relação com mídia física é peculiar. Ao mesmo tempo que gosto de pegar discos recém lançados, existem duas categorias de discos que também gosto de comprar. A categoria mais importante de todas é para repor todos os CDs que tive durante minha vida. De 1992 até 2010 tive muitos CDs. No meio desses anos, vendi tudo que eu tinha. Me arrependo amargamente. Eu era vendedor nota 10 no Mercado Livre e vendi praticamente tudo por lá. Fui enganado a acreditar que tudo estava ao meu dispor e não precisa mais de mídia física. Fui vacilão.
A outra categoria é a do redescobrimento. Os clássicos que fui ouvindo durante a vida e fui aprendendo a amar tantos anos depois dos seus lançamentos. Alguns são fundamentais e todo colecionador merece ter e há muitos outros clássicos meio obscuros, como por exemplo James Gang com o disco Thirds de 1971. Um disco meio desconhecido que caiu na minha mão e não larguei nunca mais.
Não sou um comprador irresponsável, apesar de achar que tenho mais discos que deveria, mas tenho bem menos discos do que gostaria. Mas eu sou paciente. Esperei anos para ter o autointitulado do Alice in Chains até conseguir esse ano. Acredito que todo disco, principalmente os dos anos 90, terão novas tiragens. Então nem gasto energia procurando online as edições dos anos 90, já que sei que todas são caríssimas.
Em 2026 eu comprei pouco mais de 30 discos e dei uma revisada neles pra fazer esse texto. Em janeiro comprei o Getting Killed do Geese. Depois de 2025 resistindo ao hype da banda, escutei com calma e acabei pegando o disco e levando pra casa pra ouvir com mais calma e realmente gostei. Olhando em retrospecto, ainda acho meio hypado e não vejo como melhor disco de 2025, mas é bom.
Da categoria redescobrimento, peguei finalmente o clássico Mezzanine do Massive Attack. Disco fundamental para todo colecionador. É obra prima. Outro achado esse ano foi uma edição japonesa do primeiro disco da Madonna. Toda vez que aparece na minha frente um disco japonês, sempre considero levar, mesmo que eu já tenha (como o caso aqui). Quando ouvi a versão que tenho e a versão japonesa do primeirão da Madonna, a diferença é absurda. Cópia japonesa é nota 10 depois.
Pra seguir na minha missão de completar a discografia do Rush, esse ano consegui pegar o Fly By Night, o Power Windows e também o Snakes & Arrows que, mais uma vez, valeu esperar pela reedição. Em uma viagem para a Islândia, peguei o Post da Björk numa loja local que ela ataca de DJ de vez em quando. De outros clássicos, achei o Sign ‘O’ The Times do Prince, o Come Taste The Band do Deep Purple e o Clube da Esquina.
No Record Store Day desse ano, peguei o disco autointitulado da banda de Rock Progressivo da Finlândia chamada Tasavallan Presidentti, o Modo Livre do Ivan Lins e o The Confessions Tour da Madonna. Da categoria “Eu tinha em CD”, consegui repor o Make Believe do Weezer, Copper Blue do Sugar, o autointitulado do The Stone Roses, o Countdown to Extinction e o Youthanasia do Megadeth, o Please do Pet Shop Boys, o Balance do Van Halen, o Piece of Mind do Iron Maiden, o Whatever And Ever Amen do Ben Folds Five e o Construção do Chico Buarque.
Dos lançamentos de 2026, trouxe pra casa e certamente estarão na minha lista de melhores do ano: Snail Mail com Ricochet, Puscifer com Normal Isn’t, BTS com Arirang e Madonna com Confessions II.
Mas por quê estou falando tudo isso? Porque a minha jornada musical é diferente da jornada musical de outras pessoas. A sua jornada, com certeza também é. Todos temos arrependimentos e vacilos. Um disco que não compramos na hora e depois acabou. Um CD que vendemos achando que o mp3 iria resolver nossas vidas, mas veio o streaming pra gente pagar. Não existe jeito certo. Com acertos e erros, cada um descobre clássicos na sua própria ordem. Escuta os discos do ano passado, somente agora. Fica sabendo dos lançamentos meses depois. Cada pessoa é diferente e cada disco é diferente. Por isso é tão especial.
Os discos ou CDs perfeitos na sua coleção não são os que todo mundo diz que temos que ter. São os discos e CDs que finalmente nos encontrou na hora que a gente menos esperava.
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