
Hoje, o Hounds of Love da Kate Bush completa 41 anos de lançamento. Certamente é um dos discos mais influentes e inventivos da história do pop. Mas pra entender como Kate Bush chegou até esse disco absurdamente perfeito, é preciso voltar quase quinze anos antes, quando ela ainda era uma adolescente em Kent, no Reino Unido, sem contrato nenhum. Até que um amigo da família resolveu passar uma fita cassete pra frente pra ver se dava em alguma coisa e deu certo.
O amigo da família se chamava Ricky Hopper, e a fita foi parar nas mãos do lendário David Gilmour, guitarrista do Pink Floyd. Ele ficou tão curioso com aquela voz diferente logo de cara que decidiu ir pessoalmente até a casa da família Bush, no interior da Inglaterra, conhecer os pais e ouvir o que a garota tinha pra mostrar. Ela tocou umas 40 ou 50 músicas pra ele.
Depois dessa visita, o Gilmour bancou do próprio bolso uma gravação mais profissional de algumas músicas, escolheu três delas e levou pessoalmente até a EMI, perguntando se eles tinham interesse. Foi assim, com David Gilmour funcionando como uma espécie de holofote apontado na direção certa, que a Kate Bush conseguiu seu contrato. O resto ficou por conta do talento gigantesco que já estava ali o tempo todo. Ele só reconheceu cedo aquilo que o mundo inteiro levaria uma década pra perceber de verdade.
Essa criatividade toda ficou mais evidente no Hounds of Love, lançado em 16 de setembro de 1985. Foi o primeiro disco que Kate produziu inteiramente sozinha, dentro de um estúdio caseiro. Sem gravadora dando pitaco e nem produtor pra dar opinião. Ela programou boa parte das músicas num Fairlight CMI, um dos primeiros sintetizadores capazes de samplear. Ela usou o equipamento como instrumento de um jeito que muito pouca gente fazia na época.
O resultado é um disco dividido em dois lados que quase parecem discos diferentes. A primeira parte tem os hits mais conhecidos como “Running Up That Hill” e “The Big Sky”. O segundo lado do disco é uma sequência inteira de músicas conceituais de um suíte chamado “The Ninth Wave”, contando a história de uma mulher se afogando no meio do oceano, sozinha no escuro, lutando pra se manter acordada até ser resgatada.
41 anos depois de chegar ao mundo, o Hounds of Love segue sendo uma referência, principalmente no que chamamos de Indie Pop. Se o Pop tem a Rainha Madonna, o Indie Pop tem a Rainha Kate Bush.
Tudo aconteceu por um amigo da família, uma fita cassete e um guitarrista famoso que teve a humildade de simplesmente apontar a luz pra artista certa e deixar ela fazer todo o resto sozinha.
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