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Goo Goo Dolls e Nickelback ignoram os rótulos para respirar fora de 1998 e 2001

Johnny Rzeznik e Chad Kroeger

Não sobrou ninguém na Cidade dos Anjos olhando fixamente na direção de um porta- retrato segurado por um desconhecido em algum lugar do Canadá. As baladas seguiram em seus respectivos lugares temporais, empoeiradas como as asas de Nicolas Cage ou ressuscitadas por trends de caráter emocional profundo. Porém, permanecem reféns da compreensível sonoridade datada e, pior do que isso, não serem assinaturas fiéis ao que suas respectivas bandas produziram além de seus hits de estúdio e estádio.

É neste futuro-presente que “Ocean” do Goo Goo Dolls e “Rattle the Cage” do Nickelback se apresentam. Músicas que não se importam com o que funcionou no passado e querem o desafio de serem provadas por quem nunca ligou muito para o que os dois grupos representavam até aqui.

Do lado norte-americano, Johnny Rzeznik entrega mais intensidade na maturidade de suas cordas vocais, num refresco quase tardio de quem sobreviveu as estigma de ser o ser artista de uma música só. Se antes fazia chorar e refletir, hoje não abandona a reflexão, mas adiciona pulsação e peso além dos violões e teclados. Alma com menos açúcar faz bem.

Do lado canadense, os desavisados vão pensar que o Metallica invadiu o estúdio de gravação e adicionou um thrash acessível ao som dos caras. É pesado, grave e sujo, como provavelmente Chad Kroeger gostaria que seu primeiro single de sucesso tivesse sido. Quem virava a cara certamente vai balançar a cabeça, coisa que não seria imaginada em 2000 e pouco.

Não é fácil ter longevidade na música, principalmente no rock, mas aqui está uma prova de que suportar as mazelas do tempo e as críticas especializadas pode criar um momento único de criação genuína.

(Claro que isso não vale para o Avenged Sevenfold, mas vamos comemorar as vitórias antes de entrar em mais uma guerra).

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