
Tem disco de estreia que é só um cartão de visitas, e tem disco de estreia que já chega sabendo exatamente o que quer ser. O álbum “Madonna”, lançado em 27 de julho de 1983, é do segundo tipo. Oito faixas, sem grandes ambições conceituais, inspirado nos sons das pistas de dança que a Madonna foi descobrindo em Nova York. Mesmo assim, foi o disco que apontou para seu gigantismo e deu início a uma das carreiras mais influentes da história da música. Até hoje.
A Madonna tinha 24 anos quando assinou com a Sire Records em 1982. As gravações começaram com o produtor Reggie Lucas, mas foi a chegada do DJ e produtor John “Jellybean” Benitez, que remixou boa parte das faixas, que deu ao disco a cara que a gente conhece hoje. Aquele som das pistas de clubes como Funhouse, Danceteria (que ela faz homenagem no Confessions II) do início dos anos 80. O disco levou quase um ano pra decolar de verdade nas paradas. Entrou na Billboard 200 apenas em setembro de 1983 e só chegou no topo mais de um ano depois.
E olha os hits que ele tem. “Everybody”, lançado ainda em 1982, foi a porta de entrada de Madonna pros clubes e rádios de Nova York. “Holiday” virou o fenômeno global, o tipo de música que praticamente inventou uma linguagem de refrão que ela repetiria a vida inteira. “Borderline” trouxe uma camada mais emotiva, quase pop-rock, enquanto “Lucky Star”, o último single do disco, foi a primeira faixa dela a entrar no Top 5 da Billboard Hot 100. E isso tudo abriu o caminho pra uma sequência de dezesseis hits seguidos no Top 5.
O que mais impressiona revisitando esse disco hoje é a ausência de medo. Não tem cálculo, não tem fórmula testada, é uma artista de 24 anos simplesmente tentando fazer uma música boa pra dançar. Só que essa simplicidade toda acabou sendo a base de tudo que veio depois. Sua reinvenção constante, sua ousadia e seu domínio da pista de dança, que ela carrega em Confessions on a Dance Floor e no recente Confessions II, é o que deu pra ela o título que ninguém nunca vai tirar.
Antes de virar a Rainha do Pop, ela era apenas uma garota de Michigan, que seu primeiro show da vida foi o do David Bowie em Detroit. Depois disso, ela foi pra Nova York com 35 dólares no bolso e um sonho. E mudou a porra toda.
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