Stone Gossard, do Pearl Jam, completa 60 anos

O guitarrista por trás de riffs que sustentaram a banda desde sempre.

Pearl Jam's Stone Gossard on 'Dark Matter' album, Seattle shows | The  Seattle Times

Eu tinha uns 10 anos quando ouvi Pearl Jam na rádio pela primeira vez. Assim como os antigos faziam, fui atrás do que era aquilo. Comprei o vinil do Ten com uns 11 anos e minha relação com a banda foi sempre de carinho. Mesmo sem entender direito o que estava acontecendo no movimento de Seattle, aquilo me pegou de um jeito que poucas coisas pegaram na infância. Desde então nunca mais parei de ouvir a banda, e até hoje um dos discos que mais volto e mais estudo é um disco ao vivo, o Live on Two Legs, de 1998, que por sinal foi a primeira turnê da banda com Matt Cameron na bateria. Hoje é aniversário de 60 anos de um dos caras mais importantes por trás de tudo isso. O Stone Gossard, guitarrista e um dos fundadores do Pearl Jam.

Gossard é aquele tipo de músico que raramente ganha o holofote que merece. Enquanto Eddie Vedder carrega o carisma e a voz que viraram sinônimo da banda e o Mike McCready traz o feeling meio Jimi Hendrix pra banda, são os riffs do Stone que sustentam boa parte dos hinos do grupo. Ele vem de uma trajetória sólida na cena de Seattle antes mesmo do Pearl Jam existir, passando por Green River e Mother Love Bone, dois nomes fundamentais pra entender de onde veio o grunge. Foi essa bagagem toda que ele trouxe pra fundação da banda em 1990, junto com Jeff Ament, ao lado de quem vinha construindo esse caminho há alguns anos.

Se for pra falar das músicas mais importantes com a cara de Stone Gossard, o óbvio é a trinca “Once”, “Even Flow” e “Alive”. Riffs que se tornaram praticamente vocabulário obrigatório de qualquer guitarrista de rock dos anos 90 pra cá. No Vitalogy, meu disco favorito da banda (e também o melhor – mude minha opinião), ele trouxe peso e agressividade pra várias músicas do disco, mostrando que ele sabe equilibrar o lado mais melódico com uma pegada mais suja e direta quando o disco pede.

O Stone Gossard sempre teve essa habilidade rara de escrever riffs que soam ao mesmo tempo crus e melódicos, sem nunca perder a textura suja que é a marca registrada do som da banda. Fico pensando em como esse cara moldou tanto a trilha sonora da minha vida sem nunca ter sido o cara do microfone. Não é sobre estar na frente, é sobre construir a base fundamental de tudo.

Feliz aniversário, Stone. Obrigado pelos riffs que um moleque de 10 anos ouviu no rádio e nunca mais esqueceu.


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