Tudo estava igual como era antes

Para todas as dores sempre encontro um Roberto para me acalentar.

Eu ainda estou em depressão pela eliminação do Brasil da Copa do Mundo. Não adianta me falarem que “nada disso importa, realmente”. Essa eliminação tocou meus brios. Como brasileiro, como pessoa com hiperfoco em Copa do Mundo, como torcedor. Voltei a me sentir como aquela criança que torce ingenuamente para a sua seleção, vestida de verde-amarelo (escrevi sobre essa criança aqui na semana passada).

Mas todas as feridas são lambíveis quando se é brasileiro. Ainda emocionado por tudo o que anda acontecendo na Copa, perguntei no nosso grupo de apoiadores qual deveria ser a música brasileira para o estádio cantar, como os ingleses têm feito após as vitórias com um hino de seu cancioneiro, Wonderwall, do Oasis. Nenhuma resposta foi propriamente satisfatória.

No momento de melancolia em que me encontro, por vezes eu aciono aquela nossa versão mais melodramática (e brega, para falar um português claro), afogando as mágoas em um bom e velho Rei. O da música – ps: também tenho afogado as mágoas revendo a mágica do nosso Rei Pelé, diante da campanha escrota do mundo do futebol para tentar apagá-lo. É momento de nos apegar a nossos valores mais importantes.

Lembrei daquela canção do Roberto. Sim, aquela que fala sobre voltar para onde nunca se deveria ter saído. Me ficou evidente que, quando voltarmos a ser um país (voltando, consequentemente, a jogar futebol), trata-se da canção adequada para cantar a plenos pulmões nos estádios.

“Eu voltei. Agora pra ficar”.

Não sei quando. Mas acontecerá. Voltaremos.