Ratboys mistura sons de cidades em ‘Singin’ to an Empty Chair

Com guitarras melódicas e a voz marcante de Julia Steiner, a banda entrega um álbum acolhedor e cheio de personalidade em uma viagem sonora entre Chicago, Nashville e New Jersey que mistura indie rock, alt-country e a energia poética de Bruce Springsteen.

Assim como toda cidade no mundo tem sua cultura, cada cidade tem o seu som. Nomes de cidades como gêneros musicais se tornaram comuns. Memphis Blues, New Orleans Jazz e Blues de Chicago para citar alguns. Mesmo esses gêneros sendo mais antigos, acredito que atualmente, não oficialmente, as cidades continuam tendo o seu som. Nashville tem um som. O Rio de Janeiro tem um som. Londres tem um som. E Chicago tem um som.

E se a gente pega a estrada de uma cidade pra outra? Será que conseguimos conectar essas misturas de sons? Eu acredito que sim. Nessa roadtrip musical da banda Ratboys, eles iniciaram sua longa viagem em Chicago, fizeram uma parada no Graal de Nashville e foram até New Jersey, mais precisamente para a cidade Asbury Park, conhecida cidade que é até nome de disco de Bruce Springsteen.

Essa viagem sonora começa na maior cidade do estado do Illinois e longe do loop de TikTok repetindo, “And when I’m back in Chicago, I feel it”. O Ratboys começou em 2010 pela vocalista e guitarrista Julia Steiner e seu companheiro nas guitarras Dave Sagan. Completando a banda temos ainda Marcus Nuccio na bateria e Sean Neumann no baixo. Desde 2015 a banda já lançou 6 discos de estúdio e como trilha dessa viagem mais recente temos o ótimo “Singin’ to an Empty Chair”.

Do som de Chicago, a banda traz o sentimento sonoro do Wilco. De Nashville a banda pega carona no country-alternativo e em New Jersey, eles completam o tanque do carro com combustível aditivado de Bruce Springsteen. A voz dela é perfeita pro som da banda. Os riffs de guitarra são diretos e com harmônicos precisos e cheios de melodia e personalidade.

A produção do disco e a performance de toda a banda é perfeita, mas na medida. Nada muito polido. Ainda soa vivo, natural e cheio de ar e energia. O disco abre com “Open Up” que em 30 segundos já vai te levar para o clima geral dessas estradas entre as cidades musicais. Em “Know You Then”, tem um início de indie/alt rock de gabarito e um refrão que nos leva para os anos 90. 

O disco segue com a lindíssima e ao mesmo tempo agitada “Light Night Mountains All That”. Uma música que lembra os clássicos do Exile in Guyville da Liz Phair. Em “Anywhere” é um emo-alt-country com ótimas guitarras e melodias. Em “Penny in the Lake” a banda conversa no mesmo universo de bandas como Wednesday e artistas consagrados como Neil Young.

O disco segue em alto nível com a sequência de “Strange Love”, um indie folk de curtir de olhos fechados, “The World, So Madly”, talvez a música com mais “apelo pop acessível” do disco. Em “Just Want You To Know the Truth”, o disco baixa um pouco a cadência para dar um respiro de energia e equilíbrio para o álbum. Em “What’s Right?” a energia volta e certamente é uma das minhas favoritas do disco. Groove gostosinho e guitarras com lindos timbres em energia etérea.

Nos últimos quilômetros de estrada, temos “Burn It Down” e “At Peace in the Hundred Acre Wood”. Músicas para se ouvir na varanda com aquela brisa mais fresca de uma chuva de verão. Com a energia de uma criança inocente no banco de trás do carro perguntando se a viagem ainda vai demorar. É um final de disco com energia de volta pra casa. Conforto e aquele seu edredom favorito.

“Singin’ to an Empty Chair” é um disco visual, imaginário e acolhedor. Cada música é um abraço de lado com a cabeça escorada em quem está te acompanhando nessa viagem de carro. É um disco de mãos entrelaçadas com aquele carinho delicado com os dedos suavemente indo de um lado para o outro pra demonstrar carinho.

É aquele sorriso de chegar em uma cidade que se está conhecendo pela primeira vez. E descobrindo que todo aquele seu imaginário do som de cada cidade é muito real e do jeito que se imaginou. É uma obra de Chicago, New Jersey e muitas outras cidades que estão no meio do caminho. É um som que não é o som apenas de Chicago, mas o som que faz Chicago ter o seu som.


Faixas

  1. Open Up
  2. Know You Then
  3. Light Night Mountains All That
  4. Anywhere
  5. Penny in the Lake
  6. Strange Love
  7. The World, So Madly
  8. Just Want You To Know the Truth
  9. What’s Right?
  10. Burn It Down
  11. At Peace in the Hundred Acre Wood

Ouça na sua plataforma favorita


Assine nossa Newsletter e receba os textos do nosso site no seu email