
Convenhamos: o termo power metal é terrivelmente reducionista, até mesmo para as bandas que se propõem a tocar o estilo. À medida que nos distanciamos dos clássicos clichês, somos presenteados por verdadeiros tesouros contemporâneos com assinatura nacional, como no caso da banda em questão.
Believe oferece essa perspectiva muito mais abrangente de sonoridade, fazendo o Twilight Aura merecer muito mais do que atenção. O grupo que surgiu em 1993 merece fãs, holofotes e toda a pompa e circunstância possível que a modernidade digital pode oferecer. Por quê?
Porque, além de ser um projeto corajoso, é humano e sem qualquer receio de ser otimista.
Estamos tão acostumados com os aposentos do fundo do poço que, quando ventos de prosperidade resolvem nos empurrar pra cima, parece algo até ilegal.
Só por “Coming Home”, em que a irretocável Daísa Munhoz dueta com o subestimadíssimo Fábio Caldeira, o álbum já vale 5 estrelinhas de qualquer crítico musical com as faculdades mentais em pleno funcionamento. A participação do vocalista do Maestrick – que também lançou material novo recentemente – adiciona um sabor especial justamente pelo papel que esses grupos precisam exercer na renovação da cena. Tudo bem que o incrível André Bastos era guitarrista do Angra, mas ver esse direcionamento dele com esse projeto é um completo alento por não querer pegar a história e repeti-la.
As faixas se alternam entre atmosferas de Viper, levadas de Maiden e um enorme e delicioso prog na escala Elegy de qualidade, trazendo convidados importantes como Jeff Scott Sotto, Felipe Andreoli, o próprio Fábio Caldeira, André Matos, BJ, Daniel Matos, Fabio Elsas e Marcel Ribas.
Ao final da audição, é bem possível que “Yourself Again” fique ecoando pelos labirintos da sua cabeça por um bom tempo. Ou mais, quando você descobre a história por trás da canção “Sacred Earth”, talvez você imagine que seja possível impedir o degelo das calotas polares e que a generosidade de um artista pode, de um jeito lindo e teimoso, colocar cores no que resta do planeta.
Junto com o guitarrista Rodolfo Elsas, o baixista Filipe Guerra, o tecladista Leo Loebenberg e o baterista Cláudio Reis, ele, André Bastos, conseguiu.
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