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	<title>IA Archives - Silêncio no Estúdio</title>
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	<description>Paixão com informação e diversidade musical. Lançamentos, Resenhas, Clássicos, Notícias, Novidades e Podcast.</description>
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	<title>IA Archives - Silêncio no Estúdio</title>
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		<title>2016 foi uma merda. Vocês estão loucos, ou só se fazendo?</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/2016-foi-uma-merda-voces-estao-loucos-ou-so-se-fazendo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 14:07:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[2016]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dois comentários sobre a triste "nostalgia de 2016". Um é escrito por mim, outro por uma IA. Você consegue distinguir?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="673" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/2e04bb6f-cf3a-4cfd-b88e-8cb8071444ee_1180x776-1024x673.webp" alt="" class="wp-image-153552230" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/2e04bb6f-cf3a-4cfd-b88e-8cb8071444ee_1180x776-1024x673.webp 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/2e04bb6f-cf3a-4cfd-b88e-8cb8071444ee_1180x776-300x197.webp 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/2e04bb6f-cf3a-4cfd-b88e-8cb8071444ee_1180x776-768x505.webp 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/2e04bb6f-cf3a-4cfd-b88e-8cb8071444ee_1180x776.webp 1180w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na lama digital de 2026, muitos estão correndo desgovernados para tentar encontrar algum tipo de sentido em meio ao caos. Mas algumas dessas direções são perigosas. Como a assim chamada &#8220;obsessão por 2016&#8221;, esmiuçada <a href="https://open.substack.com/pub/floatvibes/p/obsessao-por-2016-a-comocao-heated?utm_campaign=post-expanded-share&amp;utm_medium=web">neste texto legal da floatvibes</a>. Um dos argumentos centrais para essa nostalgia parece ser a constatação (equivocada) de que a web era menos tóxica na época. Teria sido 2016, com Brexit e a eleição do Trump, por exemplo, o início de uma derrocada que nos trouxe até esse cenário &#8220;bostificado&#8221;. Isso está equivocado, por alguns motivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir vocês lerão dois comentários, e a estrutura dos textos, por si mesma, já é um reforço da validade dos meus pontos. Dos dois comentários, um foi escrito por mim, e outro por uma IA. Vocês conseguem saber qual é qual?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br><strong><em>Comentário 1</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A nostalgia por 2016, que viralizou como a trend &#8220;2026 é o novo 2016&#8221;<a href="https://drytelecom.com.br/artigo/2026--o-novo-2016-a-nostalgia-digital-que-dominou-as-redes" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>, é muito mais do que um simples capricho da internet. Ela é um sintoma profundo do mal-estar contemporâneo, funcionando como um refúgio emocional diante de um presente percebido como caótico e de um futuro incerto<a href="https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/01/26/por-que-todos-querem-voltar-a-2016-a-psicologia-por-tras-da-obsessao-viral-com-o-ultimo-ano-feliz.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>. No entanto, esse desejo coletivo por um &#8220;último ano feliz&#8221;<a href="https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/01/26/por-que-todos-querem-voltar-a-2016-a-psicologia-por-tras-da-obsessao-viral-com-o-ultimo-ano-feliz.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a> esconde uma contradição fundamental: a memória afetiva e seletiva apaga os traumas globais que verdadeiramente marcaram aquele período. Enquanto os feeds celebram filtros do Snapchat e músicas do Justin Bieber<a href="https://www.forbespt.com/nostalgia-por-2016-invade-as-redes-sociais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>, esquecem-se de que 2016 foi o ano do Brexit, da eleição de Donald Trump, de uma série de ataques terroristas na Europa e de catástrofes naturais devastadoras<a href="https://sapo.pt/artigo/as-redes-sociais-estao-loucas-com-2016-lembra-se-como-estava-o-mundo-neste-ano-696a17708d78b78a8cf1d81e" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>. A nostalgia, portanto, não é uma volta ao tempo real, mas a construção de um santuário imaginado, um &#8220;checkpoint&#8221; emocional onde a angústia do presente se dissipa na lembrança editada de uma simplicidade que nunca existiu de fato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse anseio, porém, vai além da política e aponta para uma transformação radical em nossa experiência digital. A saudade é, em grande medida, da própria arquitetura da internet de uma década atrás. É a nostalgia de uma praça pública digital onde o feed era cronológico e comum a todos, criando experiências coletivas<a href="https://ndmais.com.br/moda-e-beleza/2026-e-o-novo-2016-as-tendencias-que-voltaram-e-como-usa-las-de-forma-atual/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>, antes que algoritmos nos trancassem em bolhas individuais de conteúdo. É a lembrança de uma autenticidade performática menos elaborada, das fotos granuladas e das poses espontâneas que antecederam a pressão atual por uma curadoria de vida impecável e contínua<a href="https://manguejornalismo.org/de-onde-vem-a-nostalgia-pelo-ano-de-2016/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>. O lançamento dos Stories do Instagram, em agosto de 2016, simboliza esse ponto de virada: a ferramenta que prometia espontaneidade (&#8220;some em 24h!&#8221;) inaugurou, na prática, a obrigação da performance em tempo real e acelerou a transformação da vida em conteúdo ininterrupto<a href="https://manguejornalismo.org/de-onde-vem-a-nostalgia-pelo-ano-de-2016/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>. Saudamos 2016 por representar o último suspiro de uma rede que ainda sentíamos como nossa, antes de nos tornarmos produto refinado do engajamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, não se pode analisar esse movimento sem reconhecer sua rápida e total assimilação pela máquina do capitalismo de plataforma. A nostalgia deixou há muito o território do sentimento espontâneo para se tornar uma ferramenta poderosa de marketing e um combustível previsível para a indústria cultural<a href="https://pt.accio.com/blog/2026-is-the-new-2016-nostalgia-marketing-powers-sales" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a><a href="https://rpmacomunicacao.com.br/hackeando-nostalgia-22-bilhoes-de-motivos-para-sua-marca-investir/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>. As gargantilhas, as jaquetas bomber e a estética &#8220;Y2K&#8221; voltam às vitrines e às passarelas não por um acidente da moda, mas porque o ciclo de revival de 20 anos é um relógio econômico bem azeitado<a href="https://rpmacomunicacao.com.br/hackeando-nostalgia-22-bilhoes-de-motivos-para-sua-marca-investir/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>. Plataformas como o TikTok Shop convertem memórias afetivas em transações em tempo recorde, enquanto as marcas reposicionam produtos atuais como a evolução natural dos desejos de 2016<a href="https://pt.accio.com/blog/2026-is-the-new-2016-nostalgia-marketing-powers-sales" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>. Dessa forma, o gesto nostálgico, que nasce de um desejo legítimo de autenticidade e conexão, é imediatamente capturado, formatado e revendido como mercadoria. O grande paradoxo é que, ao tentarmos escapar da lógica do presente através da memória, acabamos por alimentar o mesmo sistema que produz o cansaço do qual queremos fugir.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Comentário 2</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nostalgia é o pior dos sentimentos. Especialmente quando se anseia por um passado idealizado. Um passado que não necessariamente existiu da forma como queremos lembrar. 2016 foi um ano terrível. A web não começou a morrer ali (isso foi muito antes), e talvez tudo o que vemos hoje, com os algoritmos e a IA operando uma espécie de modulação cognitiva, já estivesse em prática na época. Ali, as sociedades já estavam duramente polarizadas artificialmente – lembrem-se não apenas de Brexit e da eleição de Trump, mas do golpe parlamentar sofrido por Dilma Rousseff, com os discursos de &#8220;pátria e família&#8221; de deputados conservadores enrolados em bandeiras do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa &#8220;morte da web&#8221;, pra quem é mais perspicaz, já avançava a passos largos em 2010. É incorreto dizer que o feed cronológico do Instagram &#8220;morreu&#8221; apenas em 2016. Os algoritmos já estavam sendo testados, e nada ali era orgânico já a algum tempo. Quanto ao restante dos argumentos &#8220;culturais&#8221; (como o do <em>reboot</em> substituindo totalmente a necessidade de invenção), eles também são insuficientes. Já vivíamos o império da repetição e da nostalgia (por sua vez, de outros tempos). <em>Stranger Things</em>, para se tomar apenas um exemplo, já era um lixo nostálgico da indústria em 2016. O atestado perfeito de que era melhor repetir modelos do que propor novas linguagens. É evidente que isso piorou – agora tudo parece realmente ser jogado em IAs, do roteiro ao <em>grading</em>. Mas é meio bizarro buscarmos em 2016 o início de toda essa derrocada, que já é, no mínimo, de duas décadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resta dizer que tudo o que tem sido teorizado a respeito da &#8220;morte da internet <em>millenial</em>&#8220;, desconsidera boa parte dos conflitos geracionais que hoje são alimentados pela própria segmentação da sociedade em grupos de consumo cada vez mais minúsculos e obsessivos. É uma morte lenta da linguagem e das dinâmicas sociais, sendo construída por máquinas de um projeto desumanizante e autoritário do capital. O que vivemos hoje é um capítulo avançado destas pequenas mortes, rumo a um suicídio coletivo. Mas, para frear isso tudo, precisamos primeiro destruir a ideia de que, em 2016 (ou 2015, 2014, etc), as coisas estavam melhores. Precisamos dizer que, em inúmeros aspectos, as coisas só estão melhores agora. O desgaste geral com a web, a busca por alternativas, o reavivamento de espaços culturais de &#8220;carne e osso&#8221;, entre outros índices, apontam para o fato de que muitos de nós já saíram da inércia. E isso já é melhor do que o que vivemos em 2016, onde a inércia era o destino inevitável, que nos fez mergulhar no lixo sem olhar pra trás.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8212;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Achei que ia ser mais difícil. Mas um desses textos traz ideias e hipóteses novas, para avançar no debate, enquanto o outro faz apenas um resumo elaborado do texto inspirador (embora eu tenha solicitado à IA que escrevesse um texto &#8220;crítico&#8221;), com muitos maneirismos de escrita. Imagino que vocês vão acertar. Qual comentário é o meu? O 1, ou o 2? </strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Palpites &#038; distrações (para um 2026 sensato)</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/palpites-distracoes-para-um-2026-sensato/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jan 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estamos de recesso, mas isso não nos impede de trazer umas previsões (ou chutes?) para 2026.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="689" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/4168257397_e7ea8d7ee6_o-1024x689.jpg" alt="" class="wp-image-153552035" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/4168257397_e7ea8d7ee6_o-1024x689.jpg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/4168257397_e7ea8d7ee6_o-300x202.jpg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/4168257397_e7ea8d7ee6_o-768x517.jpg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/4168257397_e7ea8d7ee6_o-1536x1033.jpg 1536w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/4168257397_e7ea8d7ee6_o-2048x1378.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>2026 é o ano do CD. Comprem CDs</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>De ressaca de ceias, volto aqui pra contar que o Silêncio no Estúdio está de recesso. Abrimos mão do compromisso semanal com vocês por algumas semanas (pelo menos até os lançamentos de 2026 começarem a aparecer). Mas isso não significa que não podemos dar as caras de vez em quando. Quando acharem que devem, nossos colunistas podem trazer resenhas, novidades, clássicos ou qualquer outro tipo de texto até retomarmos de vez a rotina coletivamente. </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para fechar esse ciclo todo depois da maratona que sempre é elaborar cada lista de &#8220;melhores do ano&#8221; que trazemos pra vocês, vou apenas trazer algumas reflexões pra guiar este 2026 que já começa totalmente de pernas pro ar. Trata-se de uma listinha boba de previsões (estão mais pra chutes, vai) daquilo que irá marcar este próximo ciclo, a partir do que vivemos em 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>1. A derrocada inevitável da IA</em></strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="818" height="1024" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.46.23-818x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-153552039" style="width:200px" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.46.23-818x1024.jpeg 818w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.46.23-240x300.jpeg 240w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.46.23-768x961.jpeg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.46.23.jpeg 1023w" sizes="(max-width: 818px) 100vw, 818px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">2025 foi marcado pela explosão da IA, com <em>chatbots</em> e IA generativa sendo empurrados pela nossa goela. Empurrados. Ninguém pediu por isso, mas cá estamos, mergulhados em AI Slop. É só isso que aparece nos feeds de todo mundo, e já temos aqueles exemplares de seres humanos super dispostos a pendurar seus cérebros em um cabide e terceirizar absolutamente tudo para um <em>chatbot</em>. Triste. Mas existem boas notícias em relação ao tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do frisson enfático de alguns e do contorcionismo da imprensa em anunciar a IA generativa como a maior invenção desde a lâmpada, o <strong>projeto</strong> de desenvolvimento das Inteligências Artificiais é bastante impopular. Segundo pesquisas recentes bem sérias, mais da metade da população americana tem receio da difusão indiscriminada de conteúdos artificiais (afinal, já era difícil garantir idoneidade factual antes da IA nas redes sociais), e maçantes 70% acreditam que a IA roubará seus empregos em um futuro próximo (isso dentro do universo daqueles que ainda tem empregos, né?). Sobre a construção de <em>datacenters</em>, isso já é cristalino: a população dos entornos dos elefantes gigantes de <em>chips</em> refrigerados já sofre com escassez de água e aumentos substanciais nas contas de luz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há também o problema econômico da coisa. A IA é um projeto trilionário, baseado apenas em especulação e investimentos cíclicos a fundo perdido. Isso gerou uma bolha que, em algum momento, <strong>vai</strong> estourar. E já tem muita gente séria prevendo que será uma recessão mais grave do que a de 2008. Seria desumano da minha parte comemorar recessão. Mas talvez algumas dessas empresas precisem quebrar para ficar claro o delírio prometido por elas mesmas.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.58.43.jpeg" alt="" class="wp-image-153552041" style="width:200px" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.58.43.jpeg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.58.43-300x300.jpeg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.58.43-150x150.jpeg 150w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.58.43-768x768.jpeg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-11.58.43-600x600.jpeg 600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação especificamente à classe artística, acredito que somos a barreira final de contenção em relação ao <strong>delírio generativo</strong>. Tem gente bastante convencida a simplesmente constranger quem utiliza a IA como &#8220;auxílio&#8221; em seus projetos artísticos. E esse ponto, para mim e para muita gente, já é pacífico. Se a máquina não toma chifre, não perde entes queridos e lida com o luto consequente, se não sente em matéria orgânica qualquer tipo de dor, ela não cria. Aqui cabe um longo debate sobre como há uma imprevisibilidade resiliente na ação criativa humana, mas nem cabe me estender, porque sei que vocês já me entenderam – é lindo como, por exemplo, <a href="https://www.dw.com/pt-br/poesia-consegue-desativar-mecanismos-de-seguran%C3%A7a-da-intelig%C3%AAncia-artificial/a-75192666">descobriram recentemente que a poesia consegue de certa forma hackear as IAs</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A previsão é, afinal, muito boba mesmo, mas esperançosa: eu acredito em uma derrocada significativa do projeto da IA para 2026. Seja pelos destroços de uma bomba relógio prestes a explodir, seja pela reação orgânica de artistas e profissionais, a IA pode se tornar cada vez mais um lixo indesejado, do qual precisamos correr sem olhar pra trás. Antes que me digam que a IA é útil pra muitas coisas e não deveria ser combatida, minha posição é a seguinte: eu amo a IA, desde que ela sirva para limpar meus pratos, arrumar minha cama ou organizar um amontoado surreal de documentos em uma repartição pública – essa é a aplicação chinesa da IA. Por aqui, como um &#8220;amiguinho assistente&#8221; ou <a href="https://helenaaeberli.substack.com/p/this-should-radicalise-you">ferramenta para constranger mulheres publicamente em redes sociais</a>, eu quero mais é que a IA morra. </p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2025-12-30-at-11.12.09-768x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-153552044" style="width:200px" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2025-12-30-at-11.12.09-768x1024.jpeg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2025-12-30-at-11.12.09-225x300.jpeg 225w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2025-12-30-at-11.12.09.jpeg 960w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>2. A mídia física extrapolando os modismos: foda-se o streaming</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A exaustão em relação ao lixo de IA se estende inevitavelmente ao lixo da web bostificada (já falei sobre este conceito <a href="https://silencionoestudio.com.br/a-ia-generativa-musical-e-a-pirataria-legalizada/">aqui</a>). E parte crucial desta web é representada pelo consumo de mídia. Já ficou muito claro que o <em>Spotify</em> mudou o comportamento dos ouvintes de música, irremediavelmente arrastados para <em>playlists</em> e recomendações algorítmicas sem alma ou cor. Mas também já ficou claro que, apesar de uma derrocada comercial gigantesca, que destruiu de vez os formatos físicos em termos de valor, o álbum não morreu – nós, e inúmeros veículos da imprensa musical mundial seguimos fazendo listas de &#8220;melhores do ano&#8221;, o <em>Last.fm </em>voltou com força &#8230; as pessoas querem, enfim, ouvir discos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resiliência dos formatos musicais clássicos se reflete na procura incessante pela mídia física. Mas nossa bolha segue na toada insistente do vinil, como se desse pra gente manter coleções com o atual contexto inflacionário que envolve a cadeia de valor na produção de mídia musical. O CD e o cassete, que eram opções mais acessíveis, ficaram muito caros. Imaginem então o vinil. É evidente que pelos sebos da vida ainda se conseguem algumas barganhas (e temos projeto incríveis que disputam essa ideia da especulação do vinil como o <a href="https://www.adornoslab.com.br/">Adorno&#8217;s Lab</a>), mas no mercado &#8220;oficial&#8221; os preços só disparam. O que desafia a mentalidade dos liberais que até hoje acham que só oferta e demanda regulam os preços. Existem mais fábricas, mais lojas, mais compradores (até o dólar abaixou um pouco) e, no entanto, você não consegue comprar um lançamento em vinil no brasil por menos de 250 reais. Faz sentido?</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="805" height="454" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-12.29.44.jpeg" alt="" class="wp-image-153552052" style="width:400px;height:auto" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-12.29.44.jpeg 805w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-12.29.44-300x169.jpeg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-02-at-12.29.44-768x433.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 805px) 100vw, 805px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Se formos falar de nichos ainda mais específicos, vejam se faz sentido o preço do clássico triplo de Joanna Newsom &#8230;</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Pra mim não faz. Sigo advogando pela adoção do CD, ainda que o preço também tenha disparado (acho que, neste caso, é possível que os preços se regulem de forma mais aceitável com uma regionalização das cadeias de produção). E isso cabe mais como um apelo do que uma previsão. É evidente que todo mundo que ainda se preocupa com álbuns e com música de maneira mais profunda está de saco cheio dos <em>streamings</em> – em 2025 eu já consegui praticamente adotar o <em>Bandcamp</em> como plataforma principal, e voltar a baixar álbuns em .mp3 ou .flac. Só falta, realmente, um empurrãozinho para deixarmos a <em>web</em>, o conjunto de assinaturas absurdas, as bibliotecas que não são nossas, e por aí vai. Já tem muita gente correndo para o .mp3, <em>pendrives</em>, etc. Minha previsão é que a tendência apenas se reforce. </p>



<p class="wp-block-paragraph">É evidente que, das mídias físicas, a gente deveria privilegiar aquelas que podemos adquirir. Sei que existem vantagens afetivas e (em alguns casos, poucos, mas alguns) sonoras em se adquirir os bolachões. Mas, para ter coleções de fato e apoiar bandas locais, você prefere gastar 200 num vinil de uma banda da cena (pode até ser alguma banda <em>hypada</em>, digamos, de Florianópolis) ou 50 reais num CD? A essa altura, essa é uma questão de finanças. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>3. O rock vai vencer de vez</em></strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/1000610660-1024x683-1.jpg" alt="" class="wp-image-153552061" style="width:400px" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/1000610660-1024x683-1.jpg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/1000610660-1024x683-1-300x200.jpg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/01/1000610660-1024x683-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Todo mundo deve ter visto os &#8220;irmãos <em>Oasis</em>&#8221; voltarem. Foram mais de 120 mil pessoas em dois dias em um estádio em São Paulo. Eu fiquei impressionado. Não que eu duvidasse do potencial comercial da banda. Eles já tinham estourado nos anos &#8217;90, e isso não era novidade. Mas seu retorno foi uma marca definitiva de que a boa e velha banda de <em>rock</em> &#8220;direta e reta&#8221;, sem rodeios e com muita distorção, está de volta. E que bom que não foi um retorno de bandas de <em>hard rock</em> farofa, ou metal – com todo respeito aos colegas que amam isso – afinal, estes subgêneros meio que nunca morreram. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O mais impressionante acho que foi isso; os irmãos <em>Gallagher</em> conseguiram produzir um <em>frisson</em> que pode até ser analisado como um dos maiores retornos da história do <em>rock</em>. E eu atribuo parte dessa potência ao fato de que eles capturaram os saudosistas dos &#8217;90 (já entre 40-50 anos de idade) e seus filhos, da Geração Z – que também já são bombardeados com canções da banda em seus feeds diários a algum tempo. Essa união de gerações produziu uma &#8220;furada de bolha&#8221; interessante. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas isso vai se estender a outras bandas? Já tem tempos que bandas históricas do indie têm se valido dos <em>revivals</em> algorítmicos (aliados a um diálogo de gerações) para voltar – tão aí o <em>Pavement</em>, <em>My Bloody Valentine</em> e muitas outras para demonstrar o que eu tô falando. Mas agora a coisa subiu alguns degraus. O <em>rock</em> já parece entusiasmar mais a garotada do que o <em>trap</em> ou o <em>hyperpop</em> entusiasmaram há poucos anos atrás. Isso não se revela apenas nos <em>revivals</em>, que acabam ficando gigantes pelo componente nostálgico impulsionado por gerações anteriores. Se revela na natureza das bandas que andam <em>hypadas</em> ultimamente e, sobretudo, na vivacidade de cenas locais. Quem nos acompanha por aqui já sabe destas bandas, e destas cenas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A previsão, portanto, é uma escalada deste contexto. Até porque as notícias envolvendo a Geração Alpha são ainda mais interessantes. Este ano lecionei a disciplina &#8220;Clube do Disco&#8221;, como já contei por aqui. No segundo semestre levamos a disciplina para uma turma ainda do fundamental (com alunos entre 12 e 15 anos). Com duas ou três exceções, a esmagadora maioria dos 25 alunos disseram que o <em>rock</em> era seu gênero favorito. E <em>rock</em> de muitas variáveis, de <em>Beatles</em> e <em>The Clash</em> à <em>Motörhead</em> e <em>AC/DC</em>. Ainda que eu não seja o mais &#8220;roqueirinho&#8221; dos caras (o meu lance, vocês sabem, é música esquisita), eu reconheço que o gênero é um dos mais afeitos a tempos de transformações, rebeldia e &#8220;dedo no cu e gritaria&#8221;. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos que reconhecer: se essa não for a hora pra quebrar tudo, qual será?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Só um parêntesis antes deu ir embora: pelo que estou observando das antecipações e discos mais aguardados de 2026, não é bem o rock que vai dar as cartas, mas o eletroclash e um revival da música dançante dos &#8217;00s. Bem, tomara que não. </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8212;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resumindo tudo: A IA que se foda. Comprem CDs. Comecem uma banda nas suas garagens*.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*<em>Toda a merda que estamos vivendo pode ser resumida pelo fato de que nerds pararam de criar bandas em garagens e começaram a abrir startups nelas. É hora de constranger os filhos da puta que destruíram as nossas vidas. </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Feliz 2026!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Democratização da música ou pura preguiça?</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/democratizacao-da-musica-ou-pura-preguica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Leo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Dec 2025 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[Produção]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como a Inteligência Artificial está transformando a produção musical? Das drum machines ao Suno, uma reflexão sobre tecnologia, democratização e os limites entre ferramenta e substituição da arte.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-42-1024x682.png" alt="" class="wp-image-153551804" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-42-1024x682.png 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-42-300x200.png 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-42-768x512.png 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-42-1536x1024.png 1536w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-42-2048x1365.png 2048w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-42-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Imagem não gerada</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na produção de música, muitas ferramentas foram se desenvolvendo ao longo dos anos. Para conseguir gravar uma banda nos anos 60 ou 70, era preciso inúmeros equipamentos, estúdios e produtores. Tudo isso com um custo super alto. Em resumo, uma banda ou artista ia fazendo barulho na sua cena local e alguém, ou amigo de alguém, ia no show e assinava um contrato de gravação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Passaram alguns anos e continuou meio assim, mas a tecnologia foi facilitando algumas coisas. Gravadores de quatro canais caseiros, drum machines e sintetizadores que não eram mais do tamanho de uma sala, facilitaram muita coisa. Prince começou a usar batidas eletrônicas e o Nebraska, de Bruce Springsteen, foi basicamente as gravações que foram feitas como demo em fitinha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aí começaram a aparecer os DAWs, ou Digital Audio Workstation (Pro Tools, Logic Pro, Ableton Live, etc) e a mixagem foi se democratizando. Não se precisava mais da validação de uma mesa de SSL caríssima pra se ter um resultado excelente. Agora, com tudo digital, mais takes ficaram possíveis. Menos custo e menos aquele filtro de um “olheiro” lá do começo do texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de um tempo, inúmeros plugins, simuladores de amplificador, samplers de bateria e até programas pra criação de acordes e timbres com apenas um botão, apareceram e ficaram. A criatividade ficou praticamente sem limites. Uma coisa que era extremamente surreal de fazer nos anos 70, agora demora literalmente 5 segundos pra colocar um efeito específico em um dos beats do groove da música.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E agora temos aí a IA. Tudo ficou tão fácil quando ir no Claude.ai, pedir pra escrever uma letra de música sobre o tema “x” e jogar essa letra no Suno com algumas instruções escritas e boom! Música tá pronta. Só jogar nos streamings e ser feliz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bem, muita gente tem feito isso. Mas não é a Dona Maria hipotética que tá criando música de IA e jogando no Spotify, são profissionais (e até Streamings) ou semi amadores da música fazendo isso. O que era pra ser uma ferramenta de apoio, talvez um caminho pra uma ideia ou sei lá (não consigo imaginar ainda uso útil e ético para tal), está sendo simplesmente jogado ali sem o mínimo esforço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CEO da Suno foi em um podcast (sempre um podcast filmado com gente falando bobagem) e disse que fazer música dá muito trabalho. Tem que aprender um instrumento e se dedicar. Com Suno é só pedir que a música sai pronta. Mas essa música não passa de um retalho de covers e zeros e uns, sem emoção nenhuma. Sem nenhum esforço. Apenas transformando uma arte em puro produto de consumo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É pra entrar em playlists genéricas, vídeos institucionais corporativos entediantes, comerciais sem verba (só tem verba pra mídia, mas pra produção nunca tem) ou pra ser apenas música de fundo das Zaras, C&amp;As e H&amp;Ms da vida. É a música feita pra gente que não liga. Que música é apenas um outdoor no ponto de ônibus. Uma faixa de pedestre que nenhum carro para. É apenas um meh. Um bleh. Uma qualquer coisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o grande X da questão pra mim é sobre o gosto. O propósito. Todo mundo hoje em dia tem câmera no telefone e nem todo mundo é fotógrafo ou tira boas fotos. Vai ter gente que vai usar IA pra música, roubar uma ideia ali, um trechinho acolá, uma ideia de groove ou um loop como inspiração com bom gosto. Acredito sim que isso pode acontecer e provavelmente será com produtores e músicos que já são ótimos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>John</em> hipotético por aí, ainda é cafona. Ainda gosta de estética de clínica odontológica com revista Caras de 2012 na recepção. O gosto questionável sempre vai existir. Depois dessa coqueluche de IA, muita gente vai tentar tirar proveito disso pra capitalizar, mas a música já está completamente saturada. Não vai dar pra enriquecer com 1 milhão de plays no Spotify, amigo. Esquece.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem não se importa e acha que música é apenas qualquer coisa, não tem muito o que fazer. Se não se importam em dar play em artista que não existe, vai lá. Quem dá valor, sempre vai reclamar quando descobrir que o artista é de mentira. E será muito difícil de diferenciar em algum tempo. Resta a gente prestar atenção e fazer a curadoria como sempre fizemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conectando com emoções, histórias e pessoas (pena que alguns artistas na vida de pessoa física são lamentáveis), mas ainda humanos. Que essa febre de IA passe e vire apenas uma ferramenta assim como foi quando a bateria eletrônica apareceu. Nem todo mundo vai usar e quem usar do jeito errado, vai ficar datado e pra trás.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda tenho esperança.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>O mundo que esses caras querem para nós é muito, muito triste</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/a-ia-generativa-musical-e-a-pirataria-legalizada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Feb 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[AI]]></category>
		<category><![CDATA[big tech]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo tardio]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
		<category><![CDATA[novidades]]></category>
		<category><![CDATA[Pirataria]]></category>
		<category><![CDATA[Spotify]]></category>
		<category><![CDATA[Suno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pirataria legalizada, além de ser o fundamento filosófico do streaming enquanto modelo de negócio, agora se expande às IAs Generativas. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lavi-perchik-fSqYwKWzwhk-unsplash-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-153548795" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lavi-perchik-fSqYwKWzwhk-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lavi-perchik-fSqYwKWzwhk-unsplash-300x200.jpg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lavi-perchik-fSqYwKWzwhk-unsplash-768x512.jpg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lavi-perchik-fSqYwKWzwhk-unsplash-1536x1024.jpg 1536w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lavi-perchik-fSqYwKWzwhk-unsplash-1200x800.jpg 1200w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lavi-perchik-fSqYwKWzwhk-unsplash.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Pegando carona nas recentes reflexões (nossas inclusive) sobre a insustentabilidade dos modelos de negócios criativos na era da Big Tech, venho hoje falar da <a href="https://suno.com/"><em>Suno</em></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A empresa apresenta um modelo bastante avançado de geração de música através de Inteligência Artificial. Tão avançado que, em usos recentes, muita gente deve ter se perguntado como as IA&#8217;s musicais evoluíram tão rapidamente em tão pouco tempo. A resposta foi dada pela própria empresa, no tribunal onde se defende de um enorme processo movido contra ela pelas gravadoras. Admitiu-se que a IA da <em>Suno</em> é treinada a partir de <em><strong>“essencialmente todos os arquivos musicais de qualidade razoável que estão acessíveis na internet aberta&#8221;,</strong></em> o que inclui um total de <strong><em>&#8220;dezenas de milhões de gravações&#8221;</em></strong>. Tá <a href="https://www.404media.co/ai-music-generator-suno-admits-it-was-trained-on-essentially-all-music-files-on-the-internet/?ref=nucleo.jor.br">aqui</a> a fonte da matéria original, em inglês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sinceridício guarda uma dose de cinismo na vagueza de certos termos. O quê exatamente eles estão chamando de &#8220;arquivos musicais de qualidade razoável&#8221;? O que seria a &#8220;internet aberta&#8221; sendo que, ao pé da letra, qualquer dispositivo conectado à internet está (ao menos potencialmente) conectado a qualquer outro dispositivo conectado à internet? Acho que ninguém aqui nasceu ontem. O que a empresa está dizendo, com todas as letras (mesmo com o cuidado de soar vaga aqui e ali) é que qualquer música que estiver na internet e que puder ser acessada via <em>streamings</em>, <em>sites</em> privados, <em>players</em> de qualquer tipo (e mais: vídeos, trilhas, bancos de áudio, e um longo et cetera) pode servir de matéria prima de treinamento para a IA em questão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A empresa <em>Suno</em> está, basicamente, assumindo que rouba músicas. Descaradamente, e sem o consentimento de artistas, gravadoras, selos, licenciadoras e qualquer outro agente econômico da cadeia produtiva musical. É pirataria legalizada. É certo que as empresas de <em>streaming</em>, <em>Spotify</em> à frente, estruturaram um modelo de negócios que é, igualmente, comparável à pirataria. Mas de outra forma: cooptaram, junto às <em>majors</em>*, os catálogos mais abrangentes o possível para &#8220;aprisionar&#8221; os usuários (antes perdidos no compartilhamento ilegal de <em>mp3s</em> na <em>web</em>) em troca de um valor mensal de assinatura. Ferraram toda a cadeia produtiva no processo, mas ainda esbarraram em um limite: a existência de uma cadeia produtiva. Agora, com o advento de IAs avançadas de criação musical e as evidências cada vez mais explícitas de que o <em>Spotify</em> (em específico, mas nunca isoladamente) trabalha com &#8220;artistas-fantasma&#8221; e todo o tipo de artimanha para reduzir os repasses devidos à artistas e selos pequenos e médios (ver o <a href="https://silencionoestudio.com.br/spotify-e-o-problema-dos-artistas-de-mentira/">texto do nosso <em>Bruno Leo</em> de semana passada</a>), não há limites para a expropriação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O despropósito do cenário &#8211; músicas produzidas por robôs sendo reproduzidas por robôs em plataformas cujos algoritmos são programados para alimentar uma roda viciada de &#8220;relevância&#8221;- certamente fornece munição aos defensores da &#8220;<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Dead_Internet_theory">Teoria da Internet Morta</a>&#8220;. Mas há certamente mais conclusões melancólicas a serem tiradas disso tudo. Aprofundando minha pesquisa no problema da <em>Suno</em>, descobri que seu CEO, <em>Mikey Shulman</em>, um rapazinho formado em <em>Cambridge</em> que se denomina em sua <em>Bio</em> no <em>Twitter</em> como &#8220;<a href="https://x.com/mikeyshulman">Aspirante a atleta medíocre. Anteriormente um músico medíocre</a>&#8220;, andou dizendo umas coisas reveladoras por aí. Como, por exemplo, que as pessoas &#8220;<a href="https://edm.com/industry/suno-ai-ceo-claims-most-people-dont-enjoy-making-music">não curtem</a>&#8221; mais fazer música. Para ele, o fazer musical é muito cansativo, porque envolve horas e horas de esforço, aprender instrumentos, etc. A maior parte das pessoas, no mundo em que ele vive, simplesmente prefeririam utilizar uma plataforma automatizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sinto dizer ao <em>Sr. Shulman</em> que ele está errado. E que é provavelmente sua frustração (a de ter sido um músico medíocre) que está falando. Na verdade, se eu for pensar direitinho, verei que a única coisa que dá sentido à minha vida é a criação musical. Sem o fazer artístico musical, e sem a descoberta do fazer artístico de outros (ainda) humanos, eu provavelmente não teria muitos motivos para acordar pelas manhãs. Ao fim e ao cabo, isso me leva à derradeira conclusão de que o problema que estamos enfrentando hoje, do liberalismo aceleracionista-individualista desenfreado, associado à ferramentas de tecnologia &#8220;disruptivas&#8221; é, apenas, muita frustração e tristeza engasgada no peito de uns homens muito tristes. E, portanto, cruéis. O mundo que esses caras querem para nós é absolutamente deprimente. Sem cor, sem graça, sem erro, sem amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fugir disso tem se demonstrado muito complicado, mas outros acontecimentos recentes parecem ter chacoalhado um pouco o cenário. Em um momento em que o valor (abstrato) das gigantes da <em>Big Tech</em> é inflado absolutamente pela &#8220;caixa preta&#8221; das IAs, uma empresa chinesa chamada Deepseek aparece no rolê com uma <em>LLM</em> muito mais barata e eficiente. Justamente por já se valer de anos de aprendizado de máquina da <em>Open AI</em>, a Deepseek propõe um novo modelo (o <em>reinforcement learning </em>e o método <em>MoE- Mixture-of-Experts</em>, que otimiza profundamente as entregas). A ironia final parece ser a seguinte: do mesmo jeito que empresas privadas americanas pirateiam a internet inteira para alimentar seus modelos privados de IAs, uma empresa chinesa utiliza os modelos de empresas privadas americanas para aperfeiçoar seus serviços e disponibilizar isso para a humanidade. Gratuitamente, e com código aberto. E mais, sem grandes pegadinhas de coleta de dados de usuários desavisados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda dá tempo de fugir do mundo horrível idealizado pelos psicopatas do Vale do Silício. Ainda dá tempo da tecnologia ser emancipatória. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E, sobre a música? Não mexam com ela, rapazes. Sem poesia, até a vida de vocês, que já deve ser bastante triste, pode piorar ainda mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*O esquema do <em>Spotify</em> com as <em>majors</em> é, na realidade o &#8220;pecado original&#8221; da plataforma, e explica boa parte de suas práticas eticamente questionáveis. Isso é explicado de forma muito clara pelo escritor e pesquisador <em>Cory Doctorow</em> em menos de 5 minutos no vídeo abaixo. Acho que o autor é muito feliz no diagnóstico que realiza sobre a captura que a<em> Big Tech</em> produziu na cultura. Ele explica o modelo de negócio dessas empresas, que estaria atualmente no estágio de <em>Enshittification</em>, em seu livro <a href="https://chokepointcapitalism.com/">Chokepoint Capitalism</a>. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Cory Doctorow: How Spotify Rigged the Music Market | The Agenda" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/FZ5z_KKeFqE?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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