Só existe uma América

E ela não cabe em fronteiras inventadas, nem em narrativas hollywoodianas, muito menos na apropriação de um nome que nunca foi exclusivo.

divulgação

O Superbowl serviu para algo além da farra publicitária supervalorizada. Em tempos de desinformação, a Liga de Futebol Estadunidense, em seu intervalo tradicional, presenteou o planeta com 15 minutos de aula de geografia. E de história. O que Benito Antonio Martinez Ocasio fez é o que se espera de outros artistas que alcançam o estrelato além de suas raízes e mostram não apenas de onde vieram, mas quem eles são de verdade.

Em 2011, o Maná já levantava essa bandeira no álbum Drama Y Luz, com a canção Latinoamerica. E eles foram ainda mais incisivos ao afirmar que só existe uma América: a Latina. Por isso, é cada vez mais fundamental abraçar a linguagem no cotidiano, assassinar o anglicismo e reverberar a cultura riquíssima que está mais próxima da linha do Equador.

Façam a digestão de anos de cinema em inglês, embalados por narrativas nacionalistas sem qualquer compromisso histórico, trilhas sonoras imputadas e realidades empurradas goela abaixo que custam a forma natural de cada país de ser. Não somos definidos por latitudes e longitudes distantes de nossa terra, tampouco podem sintetizar obras por premiações, como se a ausência em tais protocolos fosse interpretada como inexistênica.

Sustentar uma indústria estereotipada com o suor do centro-sul do hemisfério custa demais e passou da hora desse preço ser pago por quem não fala português, espanhol, guarani ou quéchua. América não é, nem nunca foi a definição de um povo, e assim como a bandeira brasileira foi resgatada de um grupo, a América também precisa ser, independentemente da ferramenta.

Melhor ainda se for pela música.



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