Kim Gordon em caixa-alta

Kim Gordon lança PLAY ME, seu terceiro disco solo, e com ele consolida seu som próprio.

É muito comum que, conscientemente ou não, quando um artista se lança em carreira-solo, se distancie, de forma sutil ou escancarada, do som que caracterizou sua banda de origem.

Kim Gordon mnatém em seu trabalho muitas das peculiaridades da banda que construiu junto com seus ex-parceiros de Sonic Youth, mas agora, em seu terceiro álbum-solo, PLAY ME, consolida sua assinatura e sonoridade próprias.

Com canções de curta duração, PLAY ME é um pouco mais palatável do que seu antecessor, The Collective, e avança um pouco mais em experimentação com batidas eletrônicas e outros estilos como o trip hop e algumas melodias jazzy e soul.

Um momento muito próximo do som de sua antiga banda é NOT TODAY, com guitarra distorcida e sendo a canção com maior duração do álbum, com três minutos e trinta e cinco segundos.

BUSY BEE conta com a bateria e a co-autoria de Dave Grohl, e usa sampler de uma conversa de 1994 entre Kim e Julia Cafritz, sua parceira à época no projeto Free Kitten. A letra abstrata fala sobre uma abelha ocupada na feitura de mel e de ganho financeiro e insistentemente repete ele não está aqui, ele não está aqui, denotando tratar-se de um recado sobre a ausência de um parceiro enquanto a mulher lida sozinha com suas demandas. Um tanto irônico que esta composição seja uma parceria com alguém cujo histórico recente não seja um primor também.

PLAY ME é um disco rápido, com letras menos diretas, mas que apontam para os problemas contemporâneos ligados à política e ao domínio das big techs, lado a lado com os dilemas da vida pessoal.

Se essa é realmente a constatação de uma assinatura da artista, pode correr para o cartório, porque não haverá nenhuma dificuldade em autenticá-la.


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