
Num cenário tão complexo como os EUA dos últimos anos, e fechando o foco para uma cidade como Minneapolis, que vertente da música seria mais adequada como trilha e forma de enfrentamento à violência estatal? A resposta é óbvia: punk.
Slut Intent é um quinteto feminino de punk rock e hardcore formado na cidade em 2024 pela vocalista Katy Kelly, as guitarristas Elena Bittner e Kailyn Grider, a baixista Astrid Pulse e a baterista Cara Hagstrom-Skalnek, que no acender de luzes de 2026 lança seu álbum Slutworld. Um álbum de apenas dezoito minutos de duração, sendo que, do conjunto de oito músicas, apenas uma ultrapassa os três minutos, a faixa de encerramento Girls Night.
Dados os números, o que Slutworld nos traz além é uma sonoridade impressionante, num disco que ao primeiro acorde ameaça ser lo-fi, mas no instante seguinte apresenta suas camadas potentes de guitarras, além de mudanças de andamento e muita segurança na condução das levadas.
E, claro, não poderia faltar irreverência, que já começa a partir do título da primeira faixa, Peppa Pig, e segue com Slut Internet, que reflete “às vezes me pergunto o que mantém viva neste mundo infernal”.
Slutworld, como se nota, é um álbum sobre desespero, mas não um desespero que paralisa, e sim que incentiva a lutar, e com os alvos certos e definidos: a injustiça social, a agressão sexual, o racismo, a misoginia. Não é pouco, mas temos que admitir que conseguir abranger tudo isso em dezoito minutos é um grande feito, digno de uma grande banda. 2026 começou promissor.
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