O sobrevôo de Helène Barbier

Panorama, terceiro disco de Helène Barbier é um sobrevôo de 27 minutos por melodias e riffs.

Panorama, terceiro disco da francesa radicada em Montreal, Canadá, Heléne Barbier, tem apenas 27 minutos de duração. Durante o percurso, a cantora e baixista nos leva a um passeio por riffs e melodias inspirados, com foco nas canções, sem muito tratamento.

Também não há exatamente uma busca por inovação, são só canções. E, se alguns clichês são inevitáveis, Barbier nos premia com mais um deles, um recurso que já foi usado algumas vezes na música pop: a voz de sua cadela Toody ao final de Plastique Couch, cantada em francês e com sonoridade que remete aos anos 80 (chega a lembrar Fullgás, de Marina Lima).

O som é cru, comparável a bandas como Television e Gang of Four, mas um tanto mais suave do que estas. Não é de se estranhar, já que ela foi integrante do trio pós-punk Moss Lime, e hoje comanda junto com o marido Joe Chamandy (que toca guitarra no disco) o selo indie Celluloid Lunch.

Outra participação do disco é de Meg Duffy, do Hand Habits na guitarra, e com estes elementos, Heléne Barbier faz diversas experiências, como ritmos inusitados, guitarras com levadas e distorções atravessando as estrofes, formando um conjunto muito interessante de canções. Isso fica bastante nítido em faixas como Marcel (com diversas camadas de guitarra) e Dans l’os.

Panorama fala sobre tédio, dor e desprezo, e termina com Water, uma canção mais convencional em termos de formato, mas não sem deixar impacto. Se seus 27 minutos são apenas um sobrevôo, dá pra dizer que ao menos é um pouso leve.

Ouça Panorama: